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A Vida Portuguesa cruzou fronteiras e estreia-se em Paris

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A cadeira Gonçalo e o creme Benamôr vão ganhar sotaque e público francês. Quase a fazer 10 anos, A Vida Portuguesa estreia-se em Paris e, durante um mês, tem lugar cativo na loja La Trésorerie.

Dos cestos aos cadernos Emílio Braga, até dia 20 de maio os produtos da Vida Portuguesa vão estar à venda na loja parisiense La Trésorerie.

Instagram @latresorerie

A cadeira com o nome de gente, as cerâmicas que devem a fama a Rafael Bordallo Pinheiro ou o creme já considerado “o Nívea português” estão à venda em Paris desde esta terça-feira, dia 18. O saudosismo português pode ser revisitado — e, neste caso, comprado — até dia 20 de maio na loja parisiense La Trésorerie, no coração do décimo arrondissement.

O feito resulta de uma parceria estabelecida entre A Vida Portuguesa, criada por Catarina Portas em 2007, e a loja apostada em mobiliário, utensílios para a cozinha e têxteis para o lar, entre outros objetos decorativos. Durante um mês, as marcas que já fazem parte da história do comércio português mostram-se e vendem-se ao público francês, respondendo, assim, a um interesse e curiosidade crescentes pelo país de Camões.

A iniciativa resulta da terceira edição da série “Fait Maison” que, tal como Catarina Portas explicou ao Observador, consiste na vontade de criar um espaço dentro da loja, temático e temporário, dedicado a países diferentes. Desta vez, calhou a Portugal e ao conceito criado por Portas a oportunidade de figurar no interior da loja parisiense. “É a primeira vez que estamos em Paris e o convite partiu deles. Contactaram-me quando estavam em Lisboa. Queriam conhecer-me e vieram visitar a loja”, conta a empresária, entusiasmada.

Na La Trésorerie estão, desde esta terça-feira, produtos de cerca de 30 fornecedores, alguns deles exclusivos da Vida Portuguesa — é o caso da parceria estabelecida com os sabonetes Confiança. Cadernos da Emílio Braga, lápis da Viarco e guardanapos com a assinatura de Teresa Alecrim são alguns exemplos do que se pode encontrar por lá.

“Nós temos uma manufatura que a maior parte dos países europeus já perdeu. Ando há anos a dizer que isso é uma preciosidade, e nós não ligamos nenhuma“, diz Catarina Portas ao Observador, numa altura em que a marca que criou está prestes a completar 10 anos. “Sempre achámos que éramos um país atrasado e que, de alguma forma, os nossos fabricantes estavam atrasados. Sempre achei que isso podia ser uma vantagem e, hoje em dia, há um comércio que pede coisas especiais.”

Já lá vai quase uma década desde que Catarina Portas abriu a primeira de cinco lojas — quatro em Lisboa e uma no Porto –, com a intenção de recuperar a aura do comércio tradicional português, sobretudo aquele que marcou a Lisboa e o Porto do século passado. Para além do salto a Paris, para breve há mais novidades, com um documentário da autoria de Portas e da editora Até ao Fim do Mundo sobre fábricas antigas — distribuído em duas séries de oito episódios — a ser transmitido na RTP dentro de um mês.

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