História

Operação Condor: a maior estratégia de repressão da América Latina em imagens

O português João Pina inaugura esta quinta-feira a exposição "Operação Condor" e mostra o rosto de quem sofreu na pele a maior operação de repressão política da América Latina. As imagens aqui.

João Pina

É inaugurada esta quinta-feira em Lisboa a exposição “Operação Condor”, sobre a maior operação de repressão política da América Latina, assinada por João Pina. A exposição, que passa por Portugal depois de ter estado em França, Estados Unidos, Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina, Chile e Colômbia, é inaugurada partir das 18 horas no Torreão Poente da Praça do Comércio, mas só abre ao público na próxima sexta-feira, 21 de abril. Ao mesmo tempo, será lançada a segunda edição do livro “Condor”, publicado em 2014 pela editora Tinta da China, mas esgotado desde o ano passado.

A Operação Condor foi uma operação de vários regimes militares da América do Sul (Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai ), com a participação da CIA dos Estados Unidos, que tinha como missão reprimir de modo controlado os opositores aos ditadores. Essa aliança, nos anos setenta e oitenta, resultou na morte de 50 mil pessoas, no desaparecimento de 30 mil e fez 400 mil presos políticos. A operação, que surgiu por iniciativa do Chile, foi baptizada com o nome de um abutre (o condor) que se alimenta de carne nos Andes.

Com a exposição, que adotou o nome da operação política, João Pina mostra 100 fotografias monocromáticas das vítimas dos regimes que controlavam muitos dos países da América do Sul há quase cinquenta anos.

O brasileiro Diógenes Moura, curador de “Operação Condor”, descreve este trabalho do português como “um grito parado no ar: desde os retratos impregnados de silêncios e lembranças de mães que nunca mais viram seus filhos voltarem para casa; de ex-presos políticos que têm no olhar as cicatrizes dos campos de concentração; do sobrevivente mutilado pelas granadas que eram deixadas como armadilha na guerrilha do Araguaia, no Brasil; de centros de torturas hoje empoeirados pelo tempo, até à sinistra imagem do avião usado pelos militares argentinos que atiravam vivos militantes de esquerda no rio La Plata e no Oceano Atlântico e que hoje é utilizado como ‘objeto publicitário’ por uma empresa de construção nos arredores de Buenos Aires”.

Veja algumas das imagens da exposição de João Pina na fotogaleria.

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