Autárquicas 2017

PSD. Mulher de Lobo Antunes candidata à junta de Campo de Ourique

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A concelhia de Lisboa reuniu-se, mas distrital impôs 19 nomes para presidentes de junta. Foram aprovados por todos menos pelo demissionário Mauro Xavier. Rodrigo Gonçalves foi o grande derrotado.

Neusa Ayres

A ex-jornalista Cristina Ferreira de Almeida, mulher do escritor António Lobo Antunes será candidata pelo PSD à Junta de Freguesia de Campo de Ourique. O nome da profissional de comunicação — que trabalhou na TVI, na RTP ou na CMTV, entre outras empresas e títulos — fazia parte de uma lista de 19 nomes, a que o Observador teve acesso, que foi aprovada na tarde desta quinta-feira numa reunião muito polémica da concelhia de Lisboa, que ficou marcada pela demissão de Mauro Xavier da presidência da estrutura.

Esta lista de 19 dos 24 candidatos sociais-democratas às juntas de Lisboa — é suposto que os cinco restantes presidentes de junta do partido se recandidatem — foi levada à concelhia já com carta branca da Distrital do partido, e com o conhecimento da candidata à câmara, Teresa Leal Coelho, disse ao Observador uma fonte presente na reunião. Todos os nomes dos 24 candidatos às juntas terão de ser aprovados pela distrital numa reunião que, sabe o Observador, deve realizar-se em breve.

Esta comissão política da concelhia lisboeta prenuncia a reabertura das guerras entre as fações do partido na capital, num momento em que o PSD já está perante uma candidatura vista como fraca e sem hipóteses de disputar a vitória na câmara ao socialista Fernando Medina. Considerada perdida a liderança do município por antecipação, a luta decide-se, para o aparelho, ao nível das juntas de freguesia. Dois núcleos (Oriental e Ocidental) uniram-se agora contra o Núcleo Central, que está sob a influência de Rodrigo Gonçalves, o novo presidente interino da concelhia com a saída de Mauro Xavier.

No início da reunião, Mauro Xavier — que só no fim do encontro formalizou a sua demissão — propôs que os nomes das duas listas com os nomes para presidentes de junta fossem votados um a um. Luís Newton, presidente da Junta da Estrela (com influência no Núcleo Ocidental), contrapôs que fossem votadas as listas em separado e de braço no ar. A comissão política de Lisboa acabou por chumbar a votação dos candidatos um a um, aprovando a votação das duas listas com os nomes, mas por voto secreto. Ao perder esta votação, Rodrigo Gonçalves acabou por retirar a sua lista com os oito nomes para as juntas da sua área geográfica e votou favoravelmente os 19 nomes apresentados pelas outras fações. Houve apenas um voto contra: o de Mauro Xavier, porque fez questão de o mostrar aos outros membros da comissão política.

No entanto, a seguir à reunião Rodrigo Gonçalves escreveu um post no Facebook a contar o que se tinha sucedido: “Esta tarde, em reunião da Comissão Política da concelhia de Lisboa, foi-nos apresentada e imposta, por Teresa Leal Coelho e Pedro Passos Coelho, uma lista de 19 nomes para candidatos à presidência das Juntas de Freguesia de Lisboa. Estranhamente, dos 19 nomes propostos, foram excluídos os nomes aprovados pelo Núcleo Central.”

Rodrigo Gonçalves escreveria ainda que, mesmo sem compreender a exclusão dos nomes por si apresentados, não ia contribuir para a divisão do PSD em Lisboa. Mas não será fácil manter um desígnio quando a situação é de guerra aberta.

Com a saída de Mauro Xavier, a vogal da comissão política Alexandra Barreiras Duarte, também anunciou que se demitia. “Apresentei a demissão”, confirmou ao Observador. “Fui convidada pelo Mauro Xavier, fiz partes das listas para a vereação e considero terminado este ciclo. Vai ser muito desagradável o que se vai passar a partir de amanhã no PSD/Lisboa”, afirmou ao Observador esta dirigente que tem sido vereadora substituta na câmara quando falta Fernando Seara ou Teresa Leal Coelho.

O Observador sabe que, com esta demissão, os dirigentes da fação que dominam o Núcleo Ocidental estão a ponderar a possibilidade de uma demissão em conjunto da concelhia de Lisboa de modo que Rodrigo Gonçalves não tenha o quórum necessário e que a estrutura vá abaixo. Como o partido já estipulou que eleições para estruturas internas só podem realizar-se depois das autárquicas, isso significa que Teresa Leal Coelho faria campanha sem a existência de uma concelhia do partido na capital.

No caso de não haver demissões na concelhia, Rodrigo Gonçalves ficará a liderar uma estrutura onde não tem maioria e onde as suas decisões podem ser bloqueadas. Segundo repetiram várias fontes do PSD lisboeta ao Observador, neste momento o aparelho social-democrata da capital já não está a pensar tanto nas eleições locais, mas nas disputas internas que se vão seguir às autárquicas quer a nível local como nacional.

Os nomes para as 19 juntas de freguesia que não têm presidentes do PSD são os seguintes:

  • Ajuda – Luís Almeida, piloto-aviador;
  • Alcantara – António Sargo Vicente, bancário;
  • Alvalade – Nuno Pedroso, diretor jurídico e de recursos humanos da Inditex;
  • Arroios – Lúcia Saraiva, jurista e advogada;
  • Beato – Pedro Jesus, presidente do Ginásio Clube do Alto Pina;
  • Benfica – António Alvim, médico
  • Campo de Ourique – Cristina Lobo Antunes, jornalista;
  • Campolide – Francisco Peres, gestor;
  • Carnide – José Morgado, administrador de empresas;
  • Lumiar – Maria Emília Apolinário, professora aposentada;
  • Marvila – Luís Castro;
  • Misericórdia – António Pinto de Abreu, gestor;
  • Olivais – Arnaldo Costeira, membro da direção Instituto Superior de Educação e Ciências – ISECLisboa;
  • Parque das Nações – João Mota Lopes, gestor informático;
  • Penha de França – Afonso Costa, ex-presidente de junta;
  • Santa Clara – Maria Albertina, membro da Assembleia de Freguesia;
  • Santa Maria Maior – Manuel Almeida Ribeiro, professor universitário;
  • São Domingos de Benfica – Luís Vieira da Silva, gestor;
  • São Vicente – Paulo Quadrado, funcionário público.
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