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Paris

Xavier Jugelé, o polícia que dizia “não” aos terroristas – e foi morto por um em Paris

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Xavier Jugelé tinha 37 anos, era ativista dos direitos LGBT e morreu na quinta-feira à noite depois de Karim Cheurfi ter disparado contra o carro patrulha em que seguia nos Campos Elísios

Getty Images

Tinha 37 anos, era polícia e defensor dos direitos gay, e perdeu a vida quando Karim Cheurfi disparou sobre ele e outros dois colegas, nos Campos Elísios, em Paris, na quinta-feira à noite. O ataque foi reivindicado pelo Estado Islâmico logo depois, e o terrorista abatido pelas autoridades. Xavier Jugelé, que nasceu em Bourges, foi a vítima mortal de mais um ataque terrorista em França. Era polícia desde 2010.

Xavier Jugelé, conta o The New York Times, foi um dos parisienses que não perdeu o concerto de Sting na reabertura do Bataclan, depois dos atentados de 13 de novembro de 2015. Tinha sido um dos ativistas dos protestos contra a lei russa que proibia a propaganda homossexual, antes dos Jogos Olímpicos de 2014, e um dos oficiais que viajou para a Grécia para ajudar a lidar com a chegada dos migrantes que atravessavam o Mar Egeu para chegar à União Europeia.

No dia do concerto de Sting, Xavier Jugelé deu uma entrevista à revista People, na qual dizia estar feliz pela reabertura do Bataclan. “É simbólica. Estamos aqui hoje como testemunhas, para defender os nossos valores civis. Este concerto serve para celebrar a vida. Para dizer não aos terroristas”.

Polícia há sete anos, Xavier Jugelé estava de serviço na quinta-feira à noite, num carro patrulha que estava estacionado junto à estação de metro de Franklin Roosevelt, perto do Arco do Triunfo, quando Karim Cheurfi saiu de um Audi e disparou uma Kalashnikov. Estava prestes a sair daquela unidade policial para integrar a equipa da Polícia Judiciária francesa. O secretário-geral do sindicato dos polícias, Yves Lefebvre, já veio a público dizer que Jugelé era um “excelente colega”.

“Era um homem simples, que adorava o seu trabalho e que estava muito empenhado na causa LGBT”, disse Mikaël Bucheron, presidente da Flag, a associação francesa que defende os direitos das/os polícias lésbicas, gay, bissexual ou transgénero. Xavier Jugelé vivia em união de facto com o companheiro. “Ele estava consciente dos riscos que envolviam o seu trabalho, apesar de não falarmos muito sobre isso”, acrescentou.

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