Leitura

Comissária do Plano Nacional de Leitura: “Aprender a ler e ler para aprender é uma máxima a honrar”

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Durante o lançamento da nova fase do Plano Nacional de Leitura, a comissária, Teresa Calçada, defendeu a importância da leitura, "um bem a que todos têm direito e a que todos devem ter acesso".

CARLOS BARROSO/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

A comissária do Plano Nacional de Leitura (PNL), Teresa Calçada, defendeu este domingo que “a leitura deve ser vista e protegida como um bem a que todos têm direito e a que todos devem ter acesso”. “É um dos direitos humanos, ler é ter dignidade e liberdade, ler é poder”, afirmou Teresa Calçada, na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, onde foi lançada a nova fase do PNL.

Para a responsável, o combate pela leitura não se esgota numa escolarização crescente. “Numa sociedade em que a dispersão, a superficialidade e a distração são dominantes e em que, por força de múltiplas razões — e em grande medida a dos algoritmos que condicionam as nossas vidas mais do que se julga –, se confunde abundância de dados com saber validade, exige-se valorização social da leitura”, sublinhou.

Segundo a responsável, a ideia fundadora do PNL é “a palavra, tomada do seu sentido capital, fala o mundo”. De acordo com a comissária, este PNL tem como uma das suas linhas de força “colocar a leitura e a escrita no centro da escola, de modo a desenvolver as competências leitoras, aprender a ler, interpretar, compreender, ler de forma orientada em sala de aula, ler a par, em voz alta, silenciosamente, ler mais, em grupos, em clubes, ler sempre e em todo o lado”.

O objetivo é permitir que os alunos consigam “lidar de forma crítica com informação, para estruturar o conhecimento, melhorar as aprendizagens, a qualificação e o sistema educativo”. “Aprender a ler e ler para aprender é uma máxima a honrar”, sustentou.

Outra linha do PNL, apontou, é a realização de estudos científicos que permitam uma “perceção longitudinal da evolução das competências e práticas leitoras dos portugueses”, como base para diagnóstico, tomadas de decisões e identificação de novas linhas de inovação e investigação.

“Como linhas de força pretendemos alargar o público alvo, das crianças aos adultos, designadamente jovens adultos e adultos em qualificação, certos da necessidade e do valor de aprender ao longo da vida”, bem como “incentivar a prática de escrita, forma de expressão pessoal, interação e comunicação, enquanto condição para reforçar as capacidades ler, de ler bem, com fluência, conciliando o analógico e o digital”, sublinhou.

O PNL prevê ainda “valorizar todas as literacias em relação às quais a leitura e a escrita são nucleares e transversais, tirando partido do convívio dos textos e do livro, com o áudio, o vídeo e a multimédia”, e “cuidar da leitura por prazer, favorecendo a existência de espaços e tempos, oportunidades formais e informais para exercitar a prática e o gosto de ler”, disse. Está também previsto consolidar o trabalho colaborativo entre bibliotecas escolares e municipais, alargando-o às bibliotecas do ensino superior.

Para Teresa Calçada, é obrigação do Estado apoiar a prática da leitura, não competindo ao Estado dizer o que se deve ler, mas sim dizer que se deve ler. “Compete-lhe, como em qualquer política publica (…), investir, apoiar e criar as condições necessárias e fundamentais para que todos tenham acesso à leitura, mas a leitura não acontece de forma espontânea, adquire-se, é adquirida e, para tal, exige competências, bastantes competências”, sublinhou.

Na cerimónia de lançamento do PNL, os ministros da Cultura e da Educação — entre outros governantes, personalidades da vida pública nacional, jovens e crianças — leram excertos de obras escolhidas por si. O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, escolheu o trava-línguas O Rato e o Rei, mostrando o seu “sotaque raiano”, enquanto o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, optou por ler excertos do poema de Eugénio de Andrade A Casa de Siza na Boa Nova.

O PNL estará dependente do Ministério da Educação, em articulação com as tutelas da Cultura e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Foi criado em 2006 pelo Governo, para melhorar os níveis de literacia e leitura dos portugueses.

Na primeira década de atividade, o projeto envolveu a realização de estudos, trabalho de promoção do livro e da leitura em todos os agrupamentos de escolas, envolvendo municípios, a Rede de Bibliotecas Escolares, professores, bibliotecários, pais e alunos. Uma das faces mais visíveis do PNL foi a criação de listas anuais de livros, recomendados para leitura para diferentes níveis letivos e em contexto escolar e familiar.

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