Literatura

Romance “Astronomia”, de Mário Cláudio, vence Prémio D.Diniz da Casa de Mateus

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O romance "Astronomia", de Mário Cláudio, é o vencedor do Prémio D. Diniz 2017, da Fundação da Casa Mateus, anunciou esta instituição, promotora do galardão, esta quarta-feira.

A entrega do galardão realiza-se no dia 18 de junho, numa sessão solene presidida por Marcelo Rebelo de Sousa

JOÃO RELVAS/LUSA

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  • Agência Lusa

O romance “Astronomia”, de Mário Cláudio, é o vencedor do Prémio D. Diniz 2017, da Fundação da Casa Mateus, anunciou esta instituição, promotora do galardão, esta quarta-feira.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a Fundação “informa que o júri do Prémio D. Diniz, constituído por Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral e Pedro Mexia, atribuiu, por unanimidade, o prémio de 2017 a Mário Cláudio, pelo seu livro ‘Astronomia'”. No ano passado, o título “Astronomia”, de Mário Cláudio foi referenciado pelo júri do Prémio Estoril Sol/Fernando Namora como um romance de “muito apreço”, não tendo porém recebido o galardão, que foi para “Flores”, de Afonso Cruz.

Segundo as Publicações D. Quixote, que editaram o livro no ano passado, “este é o romance da vida do Mário Cláudio, um livro sobre três fases da vida de um homem, que não por acaso é o próprio escritor”. O livro divide-se “em três partes — Nebulosa, Galáxia, Cosmos”.

Referindo-se à obra, adianta a editora do grupo LeYa: “No escritório da casa demolida, o velho, munido de uma pena, recorda agora o menino que foi, a nebulosa infância cheia de interditos, porque os perigos rondavam e, se não eram os gelados ou o soalho acabado de encerar, podiam ser as visitas do tio-anjo, morto aos três anos, ou até a intimidade com as criadas, acusadas de trazerem para dentro de casa o papão da tuberculose e ‘os bichos ferozes e as caverninhas’ do pecado, castigado, evidentemente, com o fogo eterno”.

O anterior romance distinguido com o Prémio D. Diniz foi “As Luzes de Leonor”, de Maria Teresa Horta, em 2012, tendo a autora recusado receber o galardão, em setembro do mesmo ano, das mãos do então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que acusou de estar empenhado em destruir o país.

Na realidade não poderia, com coerência, ficar bem comigo mesma, receber um prémio literário que me honra tanto, cujo júri é formado por poetas, os meus pares mais próximos – pois sou sobretudo uma poetisa, e que me honra imenso -, ir receber esse prémio das mãos de uma pessoa que está empenhada em destruir o nosso país”, explicou então a escritora à agência Lusa.

“Sempre fui uma mulher coerente; as minhas ideias e aquilo que eu faço têm uma coerência”, salientou Maria Teresa Horta, que acrescentou: “Sou uma mulher de esquerda, sempre fui, sempre lutei pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores”.

Mário Cláudio é o pseudónimo do escritor Rui Manuel Pinto Barbot Costa, de 75 anos, nascido no Porto, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, diplomado como Bibliotecário-Arquivista, pela Faculdade de Letras da mesma Universidade, e “Master of Arts” em Biblioteconomia e Ciências Documentais, pela Universidade de Londres.

Mário Cláudio assina uma multifacetada obra que abarca ficção, crónica, poesia, dramaturgia, ensaio e se encontra traduzida em várias línguas. O autor foi já distinguido com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, por duas vezes, e os prémios PEN Clube, Eça de Queiroz, Vergílio Ferreira, Fernando Namora e Pessoa.

A entrega do galardão realiza-se no dia 18 de junho, pelas 18h30, numa sessão solene presidida pelo Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, na Casa Mateus, em Vila Real. Às 19h30 horas, a fadista Katia Guerreiro atua, num “concerto de homenagem a Vasco Graça Moura” (1942-2014), que presidiu ao júri do Prémio D. Diniz desde a sua instituição, em 1981, até 2012. Agustina Bessa-Luís, com “O Mosteiro”, e Almeida Faria, com “Lusitânia”, receberam em ex-aequo, a primeira edição do Prémio D. Diniz, em 1981.

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