Cinema

Dez propostas para navegar no mar de filmes do Indie 2017

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O IndieLisboa vai exibir quase 300 filmes entre os dias 3 e 14. Eurico de Barros seleccionou 10 títulos de entre esta vasta oferta, abrangendo documentários e ficções de muitas proveniências e estilos

Autor
  • Eurico de Barros
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O IndieLisboa está de volta com a sua 14ª edição, entre dias 3 e 14, para apresentar quase 300 filmes, 45 dos quais portugueses (seis longas-metragens e 18 curtas) que cabem no amplo conceito de “cinema independente”, e que a direção do festival, pela parte que lhe toca, aposta em não deixar estacionado na rotina. Por isso, este ano, o Indie propõe um programa paralelo chamado Alt.Cinema, com documentários de atualidade; mostra, na Competição Internacional, e nas palavras da programadora Mafalda Melo, quando da apresentação do certame, “uma proposta talvez mais arriscada, maioritariamente composta por primeiras obras. São filmes muito fortes, muito impactantes, que trabalham em terreno narrativo mas que estão permanentemente a desconstruir fronteiras”; ou exibe nalgumas secções obras com características mais experimentais. É o caso da Foco Silvestre, preenchida por obras do duo Katja Pratscke e Gusztáv Hámos, que cultivam o chamado “fotofilme”, que põe o cinema e a fotografia (em especial a de arquivo) em diálogo.

Realce também para a grande maratona noturna da secção Boca do Inferno, a ter lugar no dia 6, no Cinema Ideal, entre as 23h e as 06h. Será exibida uma série de curtas e longas-metragens de terror, fantásticas, de ação ou simplesmente inclassificáveis, “que marcham, sem medo, à beira do abismo”, segundo a direção do festival. Este ano, além da Culturgest, do Cinema São Jorge, do Cinema ideal e da Cinemateca, o IndieLisboa estende-se também ao recém-renovado Cineteatro Capitólio/Teatro Raul Solnado, onde regressarão as sessões ao ar livre, no terraço, inteiramente compostas por fitas da secção IndieMusic. Eis dez propostas para navegar no mar de filmes do festival, selecionadas de entre a profusa e muito diversa oferta do deste ano.

“Colo”

De Teresa Villaverde

O novo filme da cineasta portuguesa competiu este ano no Festival de Berlim e tem honras de abertura desta edição 2017 do IndieLisboa. Teresa Villaverde filma o dia-a-dia de uma família lisboeta da classe média que se desintegra lentamente por causa da crise. O pai perdeu o emprego, a mãe sustenta a casa com o seu ordenado e a filha adolescente anda à procura de se encaixar na vida. Interpretações de João Pedro Vaz, Beatriz Batarda, Alice Albergaria Lopes, Rita Blanco e Simone de Oliveira. (Dia 3, 21.00, Cinema São Jorge-Sala Manoel de Oliveira)

“El Mar La Mar”

De Joshua Bonnetta e J.P. Sniadecki

Os dois autores deste documentário entre o realista e o poético passaram três anos na região do deserto de Sonora, que divide o México e os EUA e é uma das mais perigosas zonas de passagem de imigrantes clandestinos entre os dois países, onde já morreram milhares de pessoas nas últimas décadas. Bonetta e Sniadecki mergulharam na paisagem e falaram com toda a gente na zona, entre funcionários governamentais, guardas da fronteira, passadores de pessoas e clandestinos. (Dia 4, Culturgest, 19.00/Dia 6, Cinema Ideal, 19.00)

“Karl Marx City”

De Petra Epperlein e Michael Tucker

A realizador alemã Petra Epperlein cresceu nesta cidade da ex-RDA, que após a queda do Muro de Berlim e o fim do comunismo, reverteu ao nome original, Chemnitz. Acompanhada pelo seu marido, o realizador americano Michael Tucker, Epperlein revisita, neste documentário a cidade, que deixou em 1989, para investigar a zona onde história da família e história nacional se cruzam, já que o pai, que se suicidou em 1999, poderá ter estado envolvido com a Stasi. (Dia 5, Cinema São Jorge-Sala Manoel de Oliveira, 19.00/Dia 8, Cinema São Jorge-Sala 3, 18.45)

“Le Cancre”

De Paul Vecchiali

O realizador, produtor, ator e argumentista francês Paul Vecchiali é, juntamente com o americano Jem Cohen, um dos Heróis Independentes do IndieLisboa 2017. O festival dedica-lhe uma retrospetiva, composta por curtas e longas-metragens. “Le Cancre” , de 2016, é a sua mais recente realização, que também assina o argumento e interpreta, e que foi exibida no Festival de Cannes. É a história da relação conflituosa entre um pai (Vechialli) e um filho (Pascal Cervo), onde também participam Catherine Deneuve, Mathieu Amalric e Françoise Arnoul. (Dia 13, Cinemateca, 21.30)

“Revolution of Sound. Tangerine Dream”

De Margarete Kreuzer

Fundado em 1967 por Edgar Froese (morto em 2015), os Tangerine Dream são um dos grupos-expoente do chamado “rock planante” alemão, e tiveram o seu alinhamento mais conhecido no trio formado por Froese, Christopher Franke e Peter Baumann, nos anos 70. No cinema, compuseram bandas sonoras para filmes de William Friedkin, Michael Mann, Ridley Scott ou Kathryn Bigelow. Margaret Kreuzer conta aqui a história desta banda pioneira, que Edgar Froese definiu assim: “Os Tangerine Dream são ficção científica”. (Dia 8, Cineteatro Capitólio, 21.30/ Dia 13, Culturgest, 21.30)

“Grave”

De Julia Ducournau

Esta longa-metragem de estreia da francesa Julia Ducournau, rodada na Bélgica, tem provocado náuseas, desmaios e saídas apressadas da sala, um pouco por onde tem sido exibida. É um filme de terror bastante gráfico, sobre Justine (Garance Marillier), uma rapariga vegetariana que é obrigada a comer carne numa violenta praxe académica da escola de veterinária que vai frequentar. Em vez de sentir repulsa, Justina toma-lhe o gosto, e entra numa senda de consumo que vai culminar no canibalismo. (Dia 6, Maratona Boca do Inferno, Cinema Ideal, 23.00/Dia 11, Cinema São Jorge-Sala Manoel de Oliveira, 21.45)

“Encontro Silencioso”

De Miguel Clara Vasconcelos

O realizador português, autor de várias curtas e médias-metragens (“Documento Boxe”, “Triângulo Dourado”), leva ao IndieLisboa a sua primeira longa-metragem, ambientada no mundo das praxes académicas. Um pequeno grupo de estudantes universitários organiza um encontro secreto no interior do país. Ansiosos por obter um estatuto superior, submetem-se a estranhos rituais inventados pelo seu líder, o Dux, e uma das estudantes acaba por aceder a uma dimensão fantástica. (Dia 5, Culturgest, 19.00/Dia 7, Culturgest, 16.30)

“Free Fire”

De Ben Wheatley

Um dos mais aliciantes realizadores ingleses contemporâneos, Ben Wheatley (“Uma Lista a Abater”, “Assassinos de Férias”, “Arranha-Céus”) assina aqui um policial de acção estriado de comédia, ambientado nos anos 70, em Boston. Dois “gangs” irlandeses encontram-se num armazém abandonado para ultimar um negócio de armas, mas as coisas correm mal. Um tiroteio rebenta e o armazém transforma-se no cenário de um jogo de sobrevivência. Com Brie Larson, Armie Hammer, Sharlto Copley e Cillian Murphy. (Dia 5, Cinema São Jorge-Sala Manoel de Oliveira, 21.45)

“Golden Exits”

De Alex Ross Perry

Nome já destacado da cena “indie” americana e cara conhecida do IndieLisboa, que exibiu vários dos seus filhos anteriores, caso de “Listen Up Philip” ou “Queen of the Earth”, Alex Ross Perry, Alex Scott Perry traz à presente edição do festival uma comédia dramática neurótica reminiscente das de Woody Allen, interpretada por Emily Browning, Jason Schwarzman, Adam Horowitz, Mary-Louise Parker e Chloë Sevigny. A história passa-se em Brooklyn, no seio de duas famílias. (Dia 3, Culturgest, 21.30/Dia 14, Cinema São Jorge-Sala Manoel de Oliveira, 21.45)

“I Am Not Your Negro”

De Raoul Peck

O Indie 2017 encerra em modo militante com este documentário de Raoul Peck (cujo “O Jovem Karl Marx” se estreou recentemente em Portugal), que se centrou num manuscrito inacabado do escritor negro americano James Baldwin (1924-1987), Remember This House, para contar a história das relações raciais, e do racismo, nos EUA, segundo as reminiscências e as reflexões do autor de “Go Tell it on the Mountain”. O filme é narrado por Samuel L. Jackson e foi nomeado ao Óscar de Melhor Documentário de Longa-Metragem. (Dia 14, Culturgest, 21.30)

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