Alterações Climáticas

Fenda no gelo da Antártida quase a partir-se. Vem aí um iceberg 300 vezes maior daquele que afundou o Titanic

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Falta apenas 10 km para que a fenda da placa de gelo da Antártida se separe e crie um iceberg gigante. Será 300 vezes maior do que aquele que afundou o Titanic.

NASA/JOHN SONNTAG HANDOUT/EPA

A fenda tem agora 180 quilómetros de comprimento e ameaça separar um iceberg gigante da plataforma de gelo Larsen C. Faltam apenas 10 quilómetros para o bloco de gelo do leste da Antártida se partir. As mais recentes imagens mostram uma bifurcação cada vez maior e assustam a classe científica.

Desde fevereiro que o comprimento da fenda da plataforma de gelo Larsen C não crescia. Agora, o perigo vira-se para a bifurcação que surgiu numa das pontas da fissura. Tem um tamanho de 10 quilómetros e ficam a faltam outros 10 para chegar até ao final da abertura.

Os dados recolhidas pelos cientistas do Projeto Midas das universidades de Swansea e de Aberystwyth, no País de Gales, no Reino Unido, e do Instituto de Pesquisa Antártico Britânico não deixam dúvidas. Mais tarde ou mais cedo esta fenda vai resultar na separação do bloco de gelo que se transformará num iceberg que pode atingir um tamanho 300 vezes maior do que o que afundou o Titanic.

Em janeiro, esta fissura estava ainda a 20 quilómetros de se soltar. Agora, a separação parece cada vez mais iminente e está a avançar a um ritmo inesperado.

As imagens são de satélite – já que o inverno não permite a observação a olho nu – e mostram uma ‘língua de cobra’. Os cientistas acreditam ainda que a nova abertura aconteceu porque a fissura original terá atingido gelo mais macio, o que terá transferido a pressão para outra zona do iceberg. Os investigadores não culpam, no entanto, as alterações climáticas, e defendem que se trata de um fenómeno geológico. Tal justificação prende-se com o facto de ser frequente a queda destes blocos de gelo, que são resultado dos movimentos internos da Terra. Não obstante, o aquecimento global também terá a sua culpa.

Este aparecimento não deixa, ainda assim, de preocupar a classe científica. O risco de esta estrutura de se separar pode interferir na configuração da paisagem da Antártida. Os investigadores lembram ainda que a instabilidade deste degelo pode ser agravada por outro estudo recente: o vento quente que se faz sentir sobre a Península.

O que é a Plataforma Larsen?

Situada na costa este da Península da Antártida, esta plataforma de gelo é constituída por três plataformas: a Larsen A (a menor), Larsen B e Larsen C (a maior). Destas, só a Larsen C é que ainda não se desintegrou. A região tem-se mostrado instável, com a subida das temperaturas em 0.5º Celsius por década, derivado do aquecimento global.

O risco de colapso não é, ainda assim, um caso único. Só na última década, as plataformas Larsen A, em 1995, e Larsen B, em 2002, também seguiram o mesmo caminho. A sua desintegração resultou no aumento do nível médio das águas do mar.

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