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Papa em Fátima

Há quem pernoite a 120 quilómetros de distância só para ver o Papa

7500 camas são insuficientes para os 8 milhões de peregrinos que são esperados em Fátima. Há até quem reserve uma noite a 120 quilómetros do Santuário, diz a Associação Empresarial de Ourém-Fátima.

A procura por alojamento e as reservas para a noite de 12 para 13 de maio espalham-se pelos municípios da Batalha, Leiria, Alcobaça, Nazaré, Figueira da Foz, Coimbra e chegam até Aveiro.

PAULO CUNHA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Fátima recebe milhares de peregrinos todos os anos, mas o número de camas existentes em estabelecimentos hoteleiros vai pouco além das 7.500, um valor insuficiente que obriga à dispersão dos peregrinos por mais de 120 quilómetros.

De acordo com dados do Santuário de Fátima, enviados à agência Lusa, em 2015 registaram-se 6,7 milhões de participantes nas várias celebrações, número que baixou para 5,3 milhões em 2016. Já a Associação Empresarial de Ourém-Fátima (ACISO) estima que a visita do papa Francisco mobilize 8 milhões de visitantes.

Tendo por base dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), a ACISO refere que no ano passado o município de Ourém estava em primeiro lugar no top10 do número de dormidas na região centro, com um total de 727.904, logo seguido de Coimbra, com 526.235 dormidas. Já o Turismo de Portugal usa os dados do INE para lembrar que, no decorrer da última visita papal, em maio de 2010, 35.414 pessoas pernoitaram em Fátima, num total de 66.009 dormidas, o que representou um crescimento de 10,6% relativamente ao ano anterior.

No entanto, “em Fátima e Ourém, o número de camas vai pouco além das 7.500 em estabelecimentos hoteleiros, valor que, por norma, esgota todos os anos nas comemorações de maio”, refere o presidente da ACISO, Domingos Neves. Sublinha que este número de camas é “notoriamente insuficiente” em ano de centenário das “aparições” de Fátima, e prova disso está no facto de a capacidade hoteleira estar esgotada desde o início do ano.

Facto que levou à procura de unidades hoteleiras mais afastadas, existindo reservas para a participação nas comemorações do centenário a mais de 120 quilómetros de distância da Cova da Iria”, aponta o responsável.

De acordo com dados da ACISO, a procura por alojamento e as reservas para a noite de 12 para 13 de maio espalham-se pelos municípios da Batalha, Leiria, Alcobaça, Nazaré, Figueira da Foz, Coimbra e chegam até Aveiro.

Os números do INE comprovam esse défice, já que, apesar de Ourém ter registado perto de 728 mil dormidas em 2016, em 2014 havia apenas 125 camas de hotéis por cada mil habitantes, o que colocava o município em quinto lugar no top10, muito abaixo de Porto Santo (537), Albufeira (331), Vila Real de Santo António (183) e Lagoa (128). No global do país, o município de Ourém-Fátima aparece em terceiro lugar no número de hotéis, com 43 em 2015, num aumento de um por ano desde 2013, apenas atrás de Lisboa (155) e Porto (71).

Olhando para os proveitos de aposento, dados da Pordata para 2014 revelam que o município Ourém-Fátima faturou 2.111,4 euros por cama/por ano, ainda assim um valor muito distante dos 7.980,9 euros de Lisboa ou dos 5.866,6 da Região Autónoma da Madeira. Por outro lado, a ACISO destaca que “69% das dormidas registadas em Fátima são referentes a turistas estrangeiros”, sublinhando que “o mercado estrangeiro se mostra cada vez mais exigente”.

Já na visita do papa Bento XVI, em 2010, a maioria das pessoas que pernoitou em Fátima era estrangeira, tendo-se registado 23.500 do total de 32.414, ou seja, 66,4%, fenómeno que se manteve em 2015, quando, dos 447.484 hospedes registados, 275.262 (61,5%) eram estrangeiros.

Para o Turismo de Portugal, o impacto da visita do papa Francisco a Fátima será sobretudo sentido no concelho de Ourém, mas ressalva que a notoriedade internacional que daí advém tem “ganhos substantivos na afirmação de Portugal enquanto destino de turismo religioso”.

A ACISO, por seu lado, diz ter já “em marcha um plano” para “expandir o apogeu que se vive atualmente no turismo religioso para os anos seguintes”.

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