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A corrida mais pequena do mundo que ninguém consegue ver

Esqueça a F1 e o Mundial de Ralis. Esta é a corrida mais disputada do mundo e também a mais pequena, pois apenas pode ser acompanhada através do microscópio. E dos potentes. Bem-vindo à Nanocar Race!

Autor
  • Alfredo Lavrador

Há ideias estranhas, mas há também aquelas que, não parecendo brilhantes, têm o condão de revelar ao grande público os avanços tecnológicos que a nossa sociedade tem registado nos últimos anos. Vem isto a propósito da Nanocar Race, a corrida mais pequena do mundo com veículos a condizer, que passou quase despercebida para muitos, mas releva um potencial que pode surpreender a maioria.

A iniciativa teve lugar em Toulouse, a 28 de Abril, mais concretamente no Centro Nacional de Investigação Científica Francês. E, em vez de carros de F1 que custam milhões, para depois pagar quantias igualmente avultadas a pilotos profissionais como Hamilton ou Vettel para os conduzir, esta corrida foi disputada ao nível molecular e “conduzida” por cientistas. Numa pista revestida a ouro, pelo menos para a maioria dos concorrentes. De realçar que a pista, com o diâmetro inferior a uma moeda de 10 cêntimos, é mantida a uma temperatura inferior a 200ºC negativos.

Com uma duração próxima de 38 horas, esta nanocompetição teve a equipa composta por americanos e austríacos como vencedores. Contudo, como o seu veículo correu sobre um revestimento de prata, o que na opinião de alguns cientistas lhe conferiu alguma vantagem, foi atribuída à segunda equipa mais rápida o primeiro lugar ex aequo. A distinção coube aos suíços, cujo Nano Dragster se deslocou sobre o reputado metal amarelo.

Como habitualmente acontece em todas as corridas, as regras eram rígidas e não eram permitidas batotas, pelo menos que fossem detectadas pelos juízes da prova. Nada de empurrar as moléculas. Enquanto os fabricantes tinham de construir as suas moléculas de competição com a forma e a constituição que lhes pareciam ser mais rápidas, com um máximo de 100 átomos cada, aos “pilotos” apenas era permitido estimulá-las electronicamente através de impulsos, que faziam os veículos deslocar-se ao longo da pista à velocidade estonteante de 0,3 nanómetros (nm) por cada impulso. Se tivermos em conta que 1 milímetro corresponde a 1 milhão de nanómetros, ficamos com uma ideia mais concreta sobre a velocidade “louca” atingida pelos bólides moleculares, que chegou aos 192 nm/hora.

Segundo os organizadores, esta iniciativa revelou ser excelente para a nanotecnologia, e especialmente para a manipulação à nanoescala. É daqui que vão sair as soluções do futuro para revolucionar áreas tão diversas quanto a saúde ou a indústria bélica, mas que vão igualmente permitir novas e mais eficazes baterias para os automóveis eléctricos, que vão aparecer no mercado mais depressa do que se pode imaginar.

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