Papa em Fátima

Caminhos do campo ganham adeptos em ano “atípico” de peregrinação

Há cada vez mais peregrinos a quererem trocar a estrada pela tranquilidade dos caminhos do campo e, por estes dias, o telefone dos responsáveis da AACF não pára de tocar.

PAULO CUNHA/LUSA

Há cada vez mais peregrinos a quererem trocar a estrada pela tranquilidade dos caminhos do campo e, por estes dias, o telefone dos responsáveis da Associação dos Amigos dos Caminhos de Fátima (AACF) não para de tocar. “A associação optou por não organizar peregrinações nesta altura, pela confusão, que queremos evitar ao máximo”, disse à Lusa Rodrigo Cerqueira, presidente da direção da AACF, que confessa que tem sido “um pesadelo” a quantidade de chamadas que recebe diariamente.

Sempre pronto a dar uma ajuda – o seu telefone e o do padre Rui Louro estão na página da associação na Internet, Rodrigo Cerqueira disse à Lusa que este ano, que considera “atípico” (pela visita do papa, pelo Centenário das Aparições, pela canonização de Francisco e Jacinta), o perfil do peregrino que opta pelos caminhos do campo “mudou imenso”.

Se muitas das pessoas que procuravam a tranquilidade dos caminhos do campo o fazia numa perspetiva de “procura pessoal, de encontro com a sua espiritualidade”, mais do que a expressão religiosa de fé, este ano há muitos católicos e, o que também era raro, grupos grandes a seguirem os trilhos marcados há anos pela associação. “Continuam os peregrinos individuais, aos pares ou pequenos grupos, mas a grande diferença este ano é que há muitas pessoas que começam a perceber que não tem sentido ir pela estrada”, disse.

Além de “fugir ao trânsito”, os caminhos lançados pelo Centro Nacional de Cultura em 1998 e que têm sido mantidos e marcados pela AACF são “muito mais bonitos, muito mais relaxantes e, embora puxados fisicamente, fazem-se com outra paz”, disse à Lusa um peregrino que todos os anos faz o percurso entre Santarém e Fátima.

“A proposta que fazemos é um caminho mais seguro, mais tranquilo, não há grandes ruídos, é um caminho que permite ao peregrino ir de uma forma muito mais descansada, sem a ansiedade habitual, sem os extremos de apanhar com o fumo dos carros, o calor todo do alcatrão. E, desde que se prepare minimamente, é um caminho ótimo para fazer”, disse Rodrigo Cerqueira.

Essa é também a filosofia que leva a que a associação tenha optado por organizar grupos fora dos períodos de grande afluência ao Santuário de Fátima, disse, sublinhando que a página da AACF na rede social Facebook tem estado disponível para que os peregrinos se organizem entre si.

Na “site” da associação, muito procurada também por peregrinos estrangeiros, quem se quer pôr ao caminho encontra toda a informação, desde os preparativos, o que levar na mochila, mapa do percurso, onde ficar, recomendações.

Ao longo dos anos, a AACF tem mantido e sinalizado quatro caminhos – o do Norte, desde Santiago de Compostela a Fátima (465 quilómetros), o do Tejo, de Lisboa a Fátima (142 quilómetros), o do Poente, desde Nazaré (53 quilómetros), e o do Nascente, a partir de Tomar (29,5 quilómetros).

Rodrigo Cerqueira lamenta que o trabalho desenvolvido pela associação, apenas suportado pelas quotas dos associados e pelos contributos voluntários dos peregrinos, continue a ser ignorado tanto pelo Santuário de Fátima como pelos organismos oficiais, que, ao invés de aproveitarem o que já está feito, estão mais empenhados em “construir alternativas com entidades que não percebem do que se está a falar”.

“Não cortamos fitas nem fazemos inaugurações. Pomos os conteúdos e as pessoas usam”, disse, sublinhando que os caminhos “não têm nada a ver com guerras nem com políticas”, mas que cabe à associação defender o trabalho que tem realizado.

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