Biotecnologia

Proterris junta-se à portuguesa Alfama para ser “líder mundial” das terapias por monóxido de carbono

A empresa norte-americana adquiriu a biotecnológica Alfama para desenvolver tratamentos com monóxido de carbono para doentes crónicos. A subsidiária europeia da Proterris vai ficar em Lisboa.

O tratamento com monóxido de carbono pode ser benéfico em casos de inflamação, doenças cardiovasculares, pulmonares e neurodegenerativas, carcinogénese e transplante de órgãos

PEDRO S

A biotecnológica norte-americana Proterris e a portuguesa Alfama, empresa líder no desenvolvimento de fármacos a partir de moléculas libertadoras de dióxido de carbono, vão fundir-se para se tornarem o “operador líder mundial” nessa área, anunciaram as empresas em comunicado.

O tratamento com monóxido de carbono pode ser benéfico em casos de inflamação, doenças cardiovasculares, pulmonares e neurodegenerativas, carcinogénese (processo no qual as células normais se transformam em células cancerígenas) e transplante de órgãos. A Proterris está dedicada ao desenvolvimento de aplicações terapêuticas do
monóxido de carbono, em doses baixas, em casos de função retardada do enxerto – uma complicação comum após transplantes renais, em que os doentes têm que fazer diálise durante a primeira semana após a intervenção -, e de fibrose pulmonar idiopática – uma doença crónica comum que provoca lesões progressivas (fibrose) nos pulmões.

A Alfama foi uma das primeiras empresas portuguesas de biotecnologia e passou a ser líder na tecnologia que permite desenvolver fármacos a partir de moléculas libertadoras de monóxido de carbono (CORM) quando, em 2008, adquiriu a empresa rival britânica hemoCORM.

A empresa portuguesa desenvolveu terapias em que as moléculas libertadoras de monóxido de carbono podem ser administradas por via oral ou intravenosa. O líder da Proterris, Jeffrey D. Wager, explicou que o tipo de fármacos desenvolvidos pela Alfama pode permitir uma prática terapêutica mais segura, e ser um tratamento alternativo a doenças, cujo uso de monóxido de carbono, na forma gasosa, não é tão adequado.

A biotecnológica norte-americana passa, assim, a deter todas as subsidiárias da Alfama, que se vai passar a chamar Proterris. A empresa vai ficar em Lisboa, o que, para Jeffrey D. Wager, vai facilitar a aposta “em atividades de angariação de fundos e parcerias na Europa, tanto no setor público como no privado”.

A empresa norte-americana adquiriu, nos últimos anos, outras multinacionais do setor das ciências da vida, incluindo um spin-out (empresa criada a partir das investigações de um laboratório) de uma empresa japonesa.

A fusão entre as duas empresas, que é apoiada pela Portugal Ventures, “vai aumentar significativamente a visibilidade internacional do emergente setor das ciências da vida em Portugal”, considera Celso Guedes de Carvalho, líder da entidade pública de capital de risco e um dos maiores acionistas da Alfama.

Esta operação demonstra como o apoio a investimentos de longo prazo – tendo em conta o tempo e capital necessários no setor da biotecnologia – permite que tecnologias disruptivas cheguem aos doentes”, acrescentou.

A proposta de valor Proterris-Alfama está validada por mais de 22 milhões de dólares (cerca de 20 milhões de euros) em financiamento para três ensaios clínicos de Fase 2, de desenvolvimento de terapias com monóxido de carbono. Estes ensaios foram financiados, nos últimos cinco anos, pela agência de investigação biomédica norte-americana National Institutes of Health.

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