Venezuela

Mulheres luso-descendentes saíram para apoiar as venezuelanas na luta contra a “opressão”

Dezenas de mulheres luso-descendentes saíram às ruas de Caracas para "ajudar" as venezuelanas na luta contra a "opressão", para pedir eleições, o fim dos presos políticos e da repressão policial.

MIGUEL GUTIERREZ/EPA

Autor
  • Agência Lusa

Dezenas de mulheres luso-descendentes saíram hoje às ruas de Caracas para “ajudar” as venezuelanas na luta contra a “opressão”, para pedir eleições, que sejam libertados os presos políticos, que cesse a repressão policial e contra a Assembleia Constituinte.

“Não podia ficar em casa. Ninguém pode ficar indiferente quando se destrói um país e quando pretendem submeter-nos a uma ditadura. Nós, as luso-descendentes também somos deste país e mesmo quem é apenas português, tem que ser solidário com um povo que nos acolheu e que luta pela sua democracia”, explicou uma luso-descendente à Agência Lusa.

Reyna Martins, estudante universitária, 25 anos, saiu de casa vestida de branco, com um boné com as cores (amarelo, azul e vermelho) e as estrelas brancas da bandeira da Venezuela. Residente em Las Palmas (centro-leste) foi até à Praça Brión de Chacaíto (leste), “mesmo com as estações do metropolitano encerradas”.

“Já basta de oprimir um povo, queremos que cesse a repressão policial aos manifestantes opositores. Tenho companheiras que queriam estar aqui mas ficam em silêncio porque os familiares são funcionários públicos, estão ameaçados e ser despedido dificultaria ainda mais a vida, num país em crise, em todos os aspetos, não só no económico, também no social, no político e no jurídico”, disse.

Também Teresa Ferreira, 40 anos, doméstica, casada e mãe de dois meninos, saiu a marchar porque “é preciso que todos juntos lutemos por um melhor país”.

“O comunismo, o marxismo, fracassou até na China que diz ser comunista, mas economicamente é capitalista. Em todo o lado, em todas as experiências políticas, levou à opressão de povos e a que uns grupos tivessem controlo sobre os outros e a limitações de direitos e liberdades”, disse.

Explicou que sendo luso-descendente, com família venezuelana, não vê o regresso a Portugal como uma possibilidade porque “não é lógico abandonar os familiares e aquilo que com tanto esforço conseguiram”.

“A alternativa é que todos junto lutemos por um melhor país, por reconstruir o que a revolução tem destruído e para que, no futuro, apesar das ideologias, os venezuelanos se reencontrem e que sejamos um povo alegre, tolerante e aberto como éramos”, disse.

Teresa Ferreira frisou ainda que, como mãe, tem também que pensar nos filhos, que espera que “nunca tenham que emigrar por situações dramáticas” como uma “guerra civil”.

Milhares de mulheres concentraram-se hoje na Praça Brión de Chacaíto, para marchar contra a repressão.

Vestidas de branco, cantando e gritando palavras de ordem contra a “ditadura”, as mulheres pretendiam marchar até ao Ministério do Interior e Justiça (centro de Caracas), mas foram impedidas por barreiras metálicas e humanas da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar) e da Polícia Nacional Bolivariana.

Perante as barreiras, as mulheres decidiram “tomar” a autoestrada Francisco Fajardo e uma estrada paralela, mas alguns quilómetros mais à frente eram esperadas pela GNB. Algumas delas optaram por sentar-se no chão a cantar e a dizer palavras de ordem, pedindo liberdade dos presos, eleições e o fim da repressão.

Um grupo de deputadas conseguiu falar com a vice-ministra do Interior e Justiça, Resaura Navas, que se encontrava detrás de uma barreira metálica da PNB, à altura do Centro Comercial El Recreo.

A vice-ministra ouviu das deputadas que as mulheres vão permanecer na autoestrada até que lhes seja concedida uma reunião com o ministro do Interior e Justiça, o major general Néstor Reverol.

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