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Passos não muda uma linha. “Não damos para o peditório de dizer que está tudo bem”

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Passos não dá "para o peditório" de dizer que está tudo bem "porque não está". E o que está, foi por culpa do anterior Governo. Em vez de "preparar o futuro", PS "só pensa em ganhar as eleições".

PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA

O PPD/PSD de Francisco Sá Carneiro celebra este sábado 43 anos e, a esse pretexto, Pedro Passos Coelho garantiu que não vai “desviar-se nem um bocadinho” daquilo que diz ser a “missão” do PSD, há 43 anos como agora: “Representar a confiança e preparar o futuro sempre, e não apenas quando há eleições”. E é por isso que o PSD não vai cair na armadilha de dizer que “está tudo bem” e que o atual Governo está a ter bons resultados. Porque “não está”. Portugal “podia estar melhor” e os bons resultados que está a ter devem-se à “coragem reformista” do anterior Governo. Para o líder do PSD, o Governo está a fazer “um leilão de medidas para ver se ganha as eleições”.

“O Governo tem o país adiado porque BE e PCP não concordam com um país prospero, com liberdade de escolha, o seu preconceito ideológico não casa com essa liberdade. E é por isso que não damos para este peditório do unanimismo de dizer que está tudo bem, porque não está. Devíamos estar a investir no futuro e o PS está só a ver se ganha as próximas eleições autárquicas“, disse o líder do PSD este sábado em Pombal respondendo aos que criticam que a atual direção do partido mantém o pessimismo e não reconhece os bons resultados do atual Governo.

Uma crítica injusta, disse Passos. Primeiro, porque “quem fez tanto para vencer as dificuldades tem tanto amor ao país que só pode desejar sucesso e boa sorte”. Depois, porque “muito do que acontece de bom hoje se deve ao facto de não termos hesitado em fazer o que era necessário para mudar, transformar e reformar a economia e as nossas estruturas sociais”, acrescentou.

Ou seja, se hoje o Governo regista bons resultados, foi por responsabilidade do Governo anterior, que teve a “coragem” de lançar as sementes. “Quando foi preciso coragem para alterar as leis laborais com os parceiros sociais, nós estivemos lá. E se tivéssemos medo de enfrentar a greve geral, de enfrentar a comunicação social, se não tivéssemos tido essa coragem hoje não tínhamos os resultados do emprego e do desemprego que estamos a registar”, afirmou o ex-primeiro-ministro e presidente dos sociais-democratas, sublinhando que, por oposição, “ninguém consegue identificar uma única reforma na área laboral deste Governo que esteja a sustentar os resultados que estão a atingir”.

Falando no jantar de aniversário do partido em Pombal, distrito de Leiria, Passos Coelho acusou o Governo de António Costa de não fazer reformas estruturais e de pensar apenas em ganhar eleições e em satisfazer os parceiros do Governo. “Vivemos num tempo em que o Governo distribui o que tem, mas não se preocupa em criar mais e em preparar o futuro”, disse, contrastando esta postura com a dos sociais-democratas: “Para nós, o importante é preparar o futuro, por isso é que hoje temos um futuro melhor do que já tivemos no passado”. Foi sempre assim e assim será: “Habituamo-vos a tratar Portugal com seriedade e não vos trairemos”, disse, dirigindo-se aos militantes e apoiantes do PSD.

Alterar leis do Banco de Portugal? Não é solução

Numa intervenção de cerca de meia hora, Passos desdobrou-se em exemplos de medidas que o atual Governo tem tomado e que fazem parecer que o Governo está “a fazer um leilão para ver se ganha as eleições”. É o caso do anúncio da integração dos precários no Estado, que está previsto para 2018 — “ainda antes das eleições de 2019” –, do alargamento do salário mínimo nacional ou do acordo de contratação coletiva. “De cada vez que se pronunciam é para anunciar que vão dar mais a mais pessoas, mas o tempo vai passando e nada acontece”, afirmou, exemplificando com a tão anunciada solução para os lesados do BES, que ainda não foi posta em marcha.

“Há uma diferença enorme entre o que se diz e o que se faz. E seremos um país mais justo por termos mais gente ganhar o salário mínimo nacional?”, atirou, referindo-se a uma medida do atual Governo negociada em concertação social que passava por beneficiar as empresas que contratassem pelo salário mínimo, para acabar com os salários ainda mais baixos. “Não promovemos políticas que convidem as empresas a contratar pelo mais baixo preço. O que queremos e que as empresas contratem pelo valor mais alto”, disse.

E continuou os exemplos. Outro caso, mais recente, é a anunciada ideia que estará a ser pensada entre o PS e o BE de alterar a legislação do Banco de Portugal para o regulador dar mais dividendos ao Estado que, segundo o líder do PSD, não passa de uma ideia para “criar a ilusão de que criamos mais riqueza”. “É preciso é criar reformas que coloquem as empresas e os trabalhadores no centro da dinâmica económica e que assim possamos criar confiança, investimento e financiar a Saúde e a Educação”, disse, criticando ainda o relatório da dívida assinado entre os socialistas e bloquistas, que se limita a “pedir para reestruturar a dívida, mas só uma parte, e só se a Europa quiser, se faz favor, façam esse favorzinho”.

“É assim que conseguimos confiança? Não. E é por isso que não nos afastamos da nossa linha. O que se está a passar no país não é uma conversa seria de quem está a preparar o futuro”, rematou Passos Coelho. Para finalizar a repetir que é por isso que o PSD não se demite de dizer “que o rei vai nu”.

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