Autárquicas 2017

PS ataca Moreira. “Partidofóbico” com um “ego galáctico”

888

O PS defendeu Manuel Pizarro e atacou Moreira na convenção autárquica. As críticas sobem de tom e a campanha eleitoral ainda não começou. As palavras mais duras não foram do candidato do socialista.

"Que nunca se confunda uma mente independente como a nossa com os egos galácticos de outros"

9982

O namoro entre socialistas e Rui Moreira ainda há pouco acabou, mas o PS não perdoa aquilo que diz ter sido um gesto de traição do autarca portuense. Na convenção autárquica do partido, em Lisboa, houve mesmo quem subisse ao palco para criticar o “movimento partidofóbico” e os “egos galácticos” que habitam neste momento o poder do Porto.

O primeiro a sair em defesa de Manuel Pizarro, forçado a candidatar-se autonomamente depois de Rui Moreira ter prescindido do apoio do PS, foi Marcos Perestrello, presidente da Federação socialista de Lisboa (FAUL), que fez questão de dizer aos “camaradas” do Porto que “não estavam sozinhos”.

Igualmente institucional, Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, preferiu defender o PS enquanto partido “de mulheres e homens livres”. Para Pizarro e restante equipa, ficou a mensagem: “Tenho a certeza que que eles honrarão aquela que é a tradição do PS”.

Pedro Cegonho, presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique e da Associação Nacional de Freguesias, fez questão de deixar uma palavra à secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes (afinal, foi a própria que em entrevista ao Observador precipitou a reação de Rui Moreira). Para Cegonho, Ana Catarina Mendes é quem no PS “melhor corporiza” a mensagem de Mário Soares: “Só é vencido quem desiste de lutar”.

Os intervenientes iam desfilando no palco do Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, e, de uma forma ou de outra, iam deixam mensagens de apoio a Pizarro e de elogio ao papel do PS na democracia portuguesa. Manuel Machado, presidente da Câmara de Coimbra e da Associação Nacional de Municípios (ANMP), lembrou, por exemplo, que “os partidos políticos são as colunas basilares da democracias“. Para Rui Moreira ouvir.

De resto, Miguel Alves, presidente da Câmara de Caminha, acabou por ser um dos mais ostensivos nas críticas a Rui Moreira, comparando o “movimento partidofóbico“, suportado por um “aparelho anónimo e anti-partidos”, aos fenómenos populistas que afetam países como França.

O socialista recordou, a propósito, um diálogo que terá mantido com Abel Batista, histórico deputado do CDS, que vai ser candidato em Ponte de Lima como independente apoiado pelo PS. Segundo Miguel Alves, Abel Batista terá garantido que, se ganhar as eleições, será uma vitória de todos que se envolveram na campanha. “Se construímos juntos, celebramos juntos”, terá afirmado o candidato.

Recorde-se que uma das afirmações de Ana Catarina Mendes ao Observador que mais desconforto causou no núcleo duro de Rui Moreira foi quando a socialista comentou que uma vitória de Rui Moreira seria também uma vitória do PS.

Igualmente duro foi Eduardo Vítor Rodrigues, presidente socialista da Câmara Municipal da Vila Nova de Gaia. O autarca-vizinho de Rui Moreira sugeriu que a cisão provocada por Rui Moreira é a prova de que “também os independentes têm seus grupos internos de lobby e pressão” que lhes condiciona a liberdade para decidir. E rematou:

Que nunca se confunda uma mente independente como a nossa com os egos galácticos de outros”.

Entretanto, e já bem depois do início da convenção autárquica, Manuel Pizarro, acompanhado pelos dirigentes do PS/Porto, irrompeu pelo pavilhão Carlos Lopes ao som de gritos de “PS”. De braço esquerdo estendido e punho cerrado, o agora candidato do PS ao Porto percorreu a passadeira vermelha até à primeira fila de cadeiras dispostas em frente ao palco. Estava tudo encenado para o momento simbólico da tarde: o grande abraço de camaradagem entre António Costa e Manuel Pizarro e depois entre Ana Catarina Mendes e Manuel Pizarro.

Já no palco, o socialista teve um discurso contido, recusando entrar em “picardias” com Rui Moreira. No entanto, nem mesmo assim resistiu em defender a honra do partido: “Sou militante socialista com muito orgulho, não renego a minha filiação e não reivindico que o facto me engrandeça ou deva beneficiar-me; mas não aceito que me diminua ou constranja. Há convites que, feitos num determinado tempo e num determinado modo, não podem ser aceites: têm que ser declinados. Porque, fossem eles aceites, tornariam mais pequeno quem assim agisse”, afirmou Manuel Pizarro.

Na sexta-feira, em entrevista ao jornal da noite na SIC, Rui Moreira manifestou a vontade de contar com Manuel Pizarro na sua equipa mais próxima. “[Manuel Pizarro] tem sido de uma enorme lealdade e competência e é minha intenção convidá-lo de novo para a vereação. Mas não é por ser dirigente ou militante socialista, não é por ser socialista. Espero continuar a contar com ele na minha lista, mas apenas pela sua competência”, afirmou o autarca portuense.

Desfeito o entendimento entre o movimento independente de Rui Moreira e PS, os dois terão agora de disputar a presidência da Câmara Municipal do Porto. No discurso que fez este sábado, Manuel Pizarro prometeu uma campanha eleitoral com elevação. Resta saber se será assim mesmo, de parte a parte. António Costa, esse, já veio dizer: “Não há derrotas antecipadas”. O PS está de volta à luta pelo Porto.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: msantos@observador.pt

Só mais um passo

Ligue-se agora via

Facebook Google

Não publicamos nada no seu perfil sem a sua autorização. Ao registar-se está a aceitar os Termos e Condições e a Política de Privacidade.

E tenha acesso a

  • Comentários - Dê a sua opinião e participe nos debates
  • Alertas - Siga os tópicos, autores e programas que quer acompanhar
  • Guardados - Guarde os artigos para ler mais tarde, sincronizado com a app
  • Histórico - Lista cronológica dos artigos que leu unificada entre app e site