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Brexit

Brexit. Bancos planeiam “fuga” de Londres

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Alguns dos maiores bancos mundiais com operações em Londres têm "planos de contigência" para deslocalizar operações para garantir que continuam a ter acesso ao mercado europeu

Getty Images

Alguns dos maiores bancos do mundo, que estão presentes no centro financeiro de Londres, estão a planear deslocalizar cerca de nove mil postos de trabalho para outros países europeus, segundo escreve a agência Reuters, com base em comunicados públicos de várias instituições bancárias e entrevistas conduzidas com os arquitetos destas eventuais mudanças.

O Standard Chartered e o JP Morgan foram os últimos a apresentar planos para o pós-Brexit e estão entre os primeiros a tomar medidas para mover, pelo menos, parte das suas operações para outras capitais. Também o Goldman Sachs pode estar a considerar “planos de contingência” num cenário em que “a praça financeira de Londres venha a estagnar, o que pode acontecer como resultado do impacto do Brexit”, disse o diretor executivo do banco de investimento, Lloyd Blankfein.

À lista juntam-se, ainda, bancos como a UBS e o Citigroup que também já deram indicações da intenção de mudar a totalidade ou uma parte das suas operações para o continente como forma de continuarem a garantir acesso ao mercado único caso as negociações do governo britânico com a União Europeia acabem mesmo “mal” — com o Reino Unido “fora” sem qualquer acordo comercial com o resto dos Estados-membros. “O nosso plano de contingência está a andar a todo o vapor, não podemos esperar”, disse à Reuters um dos diretores de um dos grandes bancos a preparar “a fuga”.

Também o Deutsche Bank disse em abril que poderia deslocar cerca de 4,000 empregos — o maior número previsto –, em qualquer instituiçãopara uma outra base, em Frankfurt, e para outras localizações onde já detém sucursais.

O Instituto de Estudos Fiscais, que monitoriza, por exemplo, a execação orçamental do Reino Unido, apresentou recentemente um estudo em que argumenta que, se as pessoas que mais ganham — e também os serviços financeiros, que são fortemente tribitados — optarem por sair do país, todo o resto da população terá que pagar mais impostos para fazer face a esse défice.

O número de postos de trabalho “perdidos” dependerá das negociações e há analistas que defendem que o impacto na economia não será tão grande como se antecipa. Frankfurt e Dublin são as cidades mais vezes citadas como possíveis anfitriãs destas deslocalizações.

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