Venezuela

Centenas de civis venezuelanos estão a ser julgados em tribunais militares

Centenas de civis, manifestantes da oposição, estão a ser submetidos a julgamentos em tribunais militares, violando a Constituição da Venezuela e os direitos humanos, diz o presidente do parlamento.

MIGUEL GUTIERREZ/EPA

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  • Agência Lusa
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Centenas de civis, manifestantes da oposição, estão a ser submetidos a julgamentos em tribunais militares, uma situação que viola a Constituição da Venezuela e os direitos humanos, denunciou o presidente do parlamento.

“No Estado de Carabobo (centro do país) há mais de 700 jovens (civis) presos em tribunais militares. Também em Zúlia e noutros Estados do país”, disse Júlio Borges, em declarações ao canal privado de televisão venezuelano Televen.

Júlio Borges apelou às Forças Armadas Venezuelanas (FAV) para que não permitam a utilização de tribunais militares como “ponta de lança da repressão e da perseguição política”.

“General Padrino López (ministro da Defesa), o senhor é a cabeça da jurisdição militar e sabe que a Constituição é clara. A jurisdição militar, os tribunais militares são só para militares, só para militares no ativo, nem sequer reformados e só para delitos militares. Levar civis, jovens que estão a protestar, à jurisdição militar é violar os Direitos Humanos”, acusou.

Júlio Borges sublinhou que “os delitos contra os Direitos Humanos não prescrevem” e que “hoje, amanhã, ou depois, alguém vai ter que responder por essas violações aos direitos humanos”.

“Este é um momento no qual as nossas FAV têm que ser parte de uma solução democrática do país, que não se deixem manipular nem usar como órgão de repressão (…) Aqui não há terrorismo, nem rebelião, nem ataques de sentinelas, há um povo que tem direito a lutar por um país melhor e isso é o que acontece nas ruas de Venezuela”, disse.

O presidente do parlamento acrescentou ainda que as FAV “não têm cor política e não podem estar em nenhum momento a representar um lado político, nem da oposição, têm que estar do lado do povo e ajudar a conseguir que a Constituição reine na Venezuela”.

Segundo Júlio Borges, além de civis, há jovens militares detidos por estarem em desacordo com o regime e outros que querem abandonar as FAV.

O parlamentar assegurou que há mais de 35 dias que os venezuelanos protestam diariamente e que vão continuar a fazê-lo porque “têm direito a ter um país onde a Constituição seja cumprida, que não tenham que fazer filas para comprar alimentos, que hajam medicamentos e possam decidir o seu futuro através do voto”.

“O problema da Venezuela não é um problema de Governo e de oposição. É o povo venezuelano contra um grupinho que tem sequestrado o poder na Venezuela”, disse.

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