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Papa em Fátima

Houve abraços e lágrimas na chegada do grupo de Paredes a Fátima

O maior grupo de caminhantes do país chegou esta quinta feira a Fátima, onde se congratularam pelos 242 quilómetros percorridos por quase 700 pessoas.

O grupo de caminhantes deixou Paredes no sábado com destino a Fátima

PAULO NOVAIS/LUSA

O maior grupo de caminhantes do país chegou esta quinta feira a Fátima, onde, entre abraços e algumas lágrimas, se congratularam pelos 242 quilómetros percorridos por quase 700 pessoas, dos quais 432 peregrinos, 120 voluntários e outros “encontrados no caminho”.

O grupo de caminhantes Obra de Caridade ao Doente e ao Paralítico (OCDP) deixou Paredes, distrito do Porto, no sábado com destino a Fátima. As primeiras etapas foram menos longas, mas as últimas já deixaram marcas em alguns pés.

Ana Maria, 47 anos, realiza esta peregrinação há oito anos e a chuva que os tem acompanhado nos últimos quilómetros até foi “agradável”.

Já fiz com sol e com chuva e prefiro a chuva, pois torna-se mais refrescante”, disse à Lusa, amparada numa parede junto à Capelinha das Aparições, no Santuário de Fátima, com os pés a darem sinal dos 42 quilómetros hoje percorridos, na última etapa que começou em Pombal.

Tal como Ana Maria, muitos outros peregrinos deste grupo foram chegando ao recinto a partir das 13h00. Cada um tem o seu ritmo e, por isso, não chegam todos ao mesmo tempo, até porque seria impossível, dada a dimensão do grupo. Chegados ao recinto, os peregrinos dirigem-se à imagem de Nossa Senhora de Fátima, onde se multiplicam os abraços e as lágrimas, com que encerram esta jornada.

Não sei porque choram. Eu também choro, mas não sei porquê”, disse à agência Lusa o padre Feliciano Garcês, que há mais de 20 anos está ligado à peregrinação do OCDP.

Curiosamente, este “grande devoto de Nossa Senhora de Fátima” não encontra razão para estas peregrinações e muito menos nas promessas que os pagadores realizam junto à Capelinha das Aparições, com visíveis esforços físicos.

Eu acompanho-os para minimizar as suas dores, para ajudá-los a chegar ao destino com o menor custo possível”, disse.

Este padre transmite muitas vezes aos fiéis “a pouca lógica que tem sofrer em nome de uma graça concedida por Nossa Senhora, que intercede para que essa pessoa fique melhor e não pior”. Por esta razão, no final de mais uma caminhada, a vigésima, o padre Feliciano Garcês reconheceu que o mais difícil nesta caminhada é não conseguir que os peregrinos não sofram.

O mais difícil é não tirar a dor física, ver a pessoa a sofrer e não ter capacidade de terminar com ela”, afirmou.

Na sexta-feira, primeiro dia da visita do papa Francisco a Fátima, alguns elementos vão participar na Via Sacra que se realiza bem cedo. “Seremos muitos”, disse o padre responsável pela paróquia da Boavista, no Porto.

O OCDP começou a organizar peregrinações a Fátima há mais de 40 anos e esta quinta feira tem uma estrutura de apoio constituída por voluntários que é apontada (e copiada) como um exemplo a seguir.

Eles fazem tudo para que os peregrinos cumpram a sua caminhada em segurança e com o conforto possível”, reconhece Celso Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Paredes.

A peregrinação deste ano começou em janeiro, com a inscrição dos caminhantes, que pagam em prestações 150 euros que lhes garantem um seguro de viagem, alimentação e alojamento e assistência médica. No total, reconhece o padre Feliciano, o custo total da peregrinação pode atingir os 45 mil euros, e o equilíbrio das contas só é conseguido graças aos donativos.

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