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Saúde

Um quarto dos hipertensos desconhece que tem a doença

Cerca de um quarto dos hipertensos desconhece que tem a doença, alertam especialistas, no dia em que se assinala mundialmente a patologia que em Portugal afeta quase metade da população.

ESTELA SILVA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Cerca de um quarto dos hipertensos desconhece que tem a doença, alertam especialistas, no dia em que se assinala mundialmente a patologia que em Portugal afeta quase metade da população. O Núcleo de Estudos de Risco e Prevenção Cardiovascular da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna refere que 25% dos hipertensos não sabem que têm a pressão arterial muito elevada, o que atrasa o tratamento e pode desencadear complicações.

Pedro Marques da Silva, coordenador daquele Núcleo de Estudos, recorda que o diagnóstico atempado permite começar a tempo um tratamento, que pode ser determinante para reduzir um acontecimento cardiovascular, como enfarte do miocárdio ou trombose cerebral.

Sobre as razões que levam à falta de conhecimento do diagnóstico, o especialista admite que sejam várias, começando pela tentativa de rejeição por parte do doente.

Contudo, os médicos não estarão isentos de responsabilidade, segundo Pedro Marques da Silva, para quem a medição da tensão arterial é muitas vezes feita de forma incorreta. “Não há ato médico mais vezes incorretamente feito e reproduzido do que medir a pressão arterial”, afirmou o médico à agência Lusa, recordando que há que cumprir determinados requisitos para ser corretamente executado.

Deixar o doente permanecer em repouso durante cinco minutos, colocar a braçadeira à altura do coração ou escolher para medição o braço com tensão mais elevada são algumas das normas para uma correta medição da pressão. Além dos que desconhecem a doença, há ainda quem não tome a medicação, refere Pedro Marques da Silva.

Para isto contribui uma tentativa de negar a doença ou de a considerar um fenómeno normal. Acresce ainda que, por ser uma patologia muitas vezes silenciosa, o doente pode sentir-se bem e não tomar a medicação ou abandoná-la ao fim de algum tempo. “É extremamente frequente o abandono de medicação. Ao fim do primeiro ano, metade dos doentes deixa de a fazer”, referiu o médico.

Isto acontece porque o doente se sente bem e passa a ter valores considerados normais de pressão arterial, o que é um erro, segundo o perito, porque a hipertensão pode voltar e de forma agravada. “Digo por vezes aos doentes que os medicamentos para a hipertensão são como os óculos. As pessoas veem bem porque os usam”, indicou.

No âmbito do Dia Mundial da Hipertensão, que hoje se assinala, também a Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral veio lembrar que a hipertensão é um fator de risco para outras complicações que está presente em entre 30% a 45% da população geral, aumentando nas populações com mais idade.

Hábitos de vida saudáveis, como redução do consumo de sal ou prática de exercício físico são considerados necessários a um controlo da pressão arterial.

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Hipertensão, a pressão arterial é a força com que o sangue circula pelo interior das artérias no corpo, havendo hipertensão quando se encontra elevada de forma crónica.

Considera-se hipertensa uma pessoa com valores iguais ou superiores a 140/90 mmHg (máxima e mínima), determinados por um profissional treinado e utilizando um aparelho calibrado e validado.

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