Logo Observador
Saúde

Tratar a asma? Também vai haver uma app para isso

240

Uma equipa de investigadores da Universidade do Porto está a desenvolver uma aplicação móvel para facilitar o tratamento da asma. Estima-se que em Portugal 50% das pessoas não cumpram a terapêutica.

A aplicação está a ser desenvolvida pelo CINTESIS (Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde da Universidade do Porto)

LEE HEALTH/VIMEO

Um grupo de investigadores e médicos da Universidade do Porto está a desenvolver uma aplicação que pretende facilitar o tratamento de doentes com asma. A aplicação INSPIRERS começa a ser testada em alguns serviços de saúde já este verão e os criadores esperam que seja amplamente difundida até ao final do próximo ano.

Em toda a Europa há cerca de 75 milhões de pessoas diagnosticadas com asma. Em Portugal, o número ronda os 700 mil doentes (cerca de 7% da população), 50% dos quais não cumprem o tratamento por inalação com regularidade. “Uma grande maioria destes doentes que não cumpre o tratamento são doentes mais jovens” que podem sentir algum constrangimento em utilizar a “bombinha” junto de colegas, explica Carlos Robalo Cordeiro, médico pneumologista ouvido pelo Observador.

É no sentido de incentivar os doentes a cumprirem o tratamento que surge a aplicação INSPIRERS. Como? Através de um jogo que promove a interação entre doentes. Calma, não falamos de um spin-off do Pokémon GO, mas sim de um “jogo de objetivos“, esclarece João Fonseca, coordenador do projeto. O projeto que conta com o apoio da farmacêutica Mundipharma e da consultora Bloom Idea.

Este jogo que está implementado não é de “tirinhos”, porque se pretende ser mais transversal e atingir um fator muito importante que é o da interação (…) entre pessoas iguais, com o mesmo problema”.

Este jogo quer juntar pacientes numa “espécie de rede social” onde os pacientes atingem metas e ganham pontos por cumprir objetivos, nomeadamente ao fazerem o tratamento por inalação. A aplicação serve-se de tecnologias de análise de imagem (através da câmara) para avaliar a bombinha e garantir que o utilizador tomou a dose recomendada e publica esses dados para que outros utilizadores possam incentivar e “inspirar”.

A componente mais inovadora da INSPIRERS “é que não exige equipamentos extra ou custo algum”. Basta acesso a um tablet ou smartphone com câmara, um fator “diferenciador” de outras aplicações do género, garante João Fonseca. A aplicação será sempre recomendada pelo médico, que só terá acesso aos dados que o paciente coloca na INSPIRERS se este o permitir. Contudo, “a justa ligação médico/doente é fundamental”.

Já no passado a MEDIDA, que está a desenvolver a aplicação com o CINTESIS, lançou uma aplicação do género. A ZASma tinha uma componente mais didática, enquanto que a INSPIRERS implica a interação de vários utilizadores numa plataforma social. A primeira fase “de validação” arranca já este verão em cerca de 30 serviços de saúde de norte a sul “que mostraram interesse e compromisso” em experimentar a aplicação. Os criadores esperam ter a INSPIRERS nas lojas de aplicações até ao final de 2018.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Comida

Gastronomia com Ciência

Hélio Loureiro

Uma das práticas e pontos chaves da dieta mediterrânica é o comer em família, partilhar, conviver. A própria palavra, comer tem esse mesmo significado: com (na companhia de...) e er (repetição).

Educação

O Filipa e a escola pública

Maria José Melo

Portugal só será realmente um país civilizado quando existir consciência cívica por parte de todos os cidadãos. Foi esta visão que adquiri no Liceu D. Filipa de Lencastre e me acompanhou toda a vida.