Empreendedorismo

Esta startup francesa desafiou 500 mulheres a conhecer a “Lisboa dos lisboetas”

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A Pop In The City desafia mulheres a pôr à prova os seus talentos criativos e atléticos, enquanto conhecem uma nova cidade. Este sábado é a vez de Lisboa. E há rappel no Amoreiras.

Participantes no início do evento, em Nice, em setembro do ano passado

HUGUES LELIEVRE

Autor
  • Cristiana Faria Moreira

O desafio é ambicioso: conhecer Lisboa, cumprindo 25 desafios culturais, artísticos e desportivos – dos mais clássicos aos mais radicais – em apenas oito horas. Uma “corrida” contra o tempo que a startup francesa Pop In The City traz, este sábado, para a capital, onde 500 mulheres são desafiadas a conhecer a “Lisboa dos lisboetas”, ao mesmo tempo que deixam “barreiras e limitações pessoais” para trás.

A ideia é misturar turismo com desporto, cultura e arte num encontro com pessoas locais. Clémentine Charles, uma das fundadoras da Pop In The City, chama-lhe “turismo experiencial”, já que coloca à prova os talentos atléticos e criativos das participantes, em vários pontos da cidade.

A história da Pop In The City havia de começar quando Clémentine, 33 anos, começou a viajar com as amigas pela Europa. Apanhavam um voo lowcost para fazerem uma “city break” (pausa da cidade), para espairecerem do stress quotidiano, mas perceberam que, nas cidades por onde passavam, era “muito difícil ter contacto com as pessoas locais e conhecer coisas além do que é turístico”. “Havia falta de experiências”, conta ao Observador. A partir daí, é a velha história: se as cidades não tinham essas experiências, alguém tinha de criá-las.

Assim nasceu a Pop In The City, em 2012, para que mais pessoas pudessem ter acesso a experiências que saíssem daquele que é o “caminho turístico” das cidades. Agora é a vez de Lisboa ser explorada. Mas esta não é a primeira vez que estão em solo nacional. O Porto já recebeu por duas vezes a iniciativa da startup francesa.

O evento não se foca na parte desportiva, salienta Clémentine, mas, mais do que uma visita, é uma corrida pela cidade, em que o objetivo é completar o maior número possível de atividades durante o dia, divididas em cinco categorias: Arte, Desporto, Solidariedade, Cultura e Extreme (as mais radicais).

É um evento feito por mulheres (são nove na startup) para mulheres, de todas as idades, dos 19 aos 70 anos, e participam em duplas: mãe e filha, irmãs, amigas, colegas de trabalho. Além das portuguesas, chegam a Lisboa de vários países europeus: França, Bélgica, Suíça, Alemanha, Espanha, Itália, Eslováquia, Inglaterra.

Ainda não se sabe quais são os desafios – só são conhecidos na hora – mas poderão passar por fazer azulejos portugueses, cozinhar pratos típicos ou remodelar uma casa de acolhimento. Certo é que o centro comercial Amoreiras vai ser palco de um dos desafios mais radicais. As participantes vão descer 19 andares em rappel do miradouro Amoreiras 360º Panoramic View pela fachada do centro comercial.

Desafio de recriação de uma luta de gladiadores na arena romana de Cimiez, em Nice

O Porto foi o primeiro destino

Em 2012, quando a Pop In The City lançou estes eventos, fez o primeiro teste em solo nacional, no Porto.

Decidimos fazer no Porto porque queríamos fazer o evento num país latino, mais acolhedor. Como tínhamos uma rede de mulheres francesas, queríamos que fosse em Espanha, Itália ou Portugal. Na altura, achamos que poucas pessoas conheciam Portugal e tínhamos uma imagem muito boa do país, que as pessoas eram muito acessíveis e queríamos mostrar isso a culturas estrangeiras”, conta Clémentine.

Depois disso, já passaram por Itália, Espanha, Bélgica, Alemanha, Holanda, França, já voltaram ao Porto, e chegam agora a Lisboa para a edição número 15 da iniciativa, muito por causa da mudança de uma das sócias da Pop In The City para Lisboa.

“Ela gostava tanto de Portugal que decidiu mudar-se para cá. Era uma boa oportunidade para fazer um evento em Lisboa. Mas foi um desafio muito grande porque a oferta turística desenvolveu-se muito rápido. Há muito turismo para as massas e foi muito difícil encontrar pessoas que não trabalhassem com turistas, encontrar pessoas originais e disponíveis para fazer o evento”, conta a cofundadora da startup.

No início do dia, as participantes recebem um mapa que vai guiá-las até aos locais do desafio. Não há um percurso definido, podem ir a qualquer sítio quando quiserem e só sabem o que vão fazer quando chegam ao ponto do desafio.

No final, a equipa vencedora é a que tiver completado o maior número de desafios. Mas apesar do lado mais competitivo, Clémentine Charles garante que cada participante cumpre os desafios ao seu ritmo, sem competição.

Cada participante vai desenvolver uma parte da sua personalidade que não conhece tanto. Vai descobrir que gosta muito de um desporto ou de aprender uma técnica – pintar azulejos, por exemplo -, de dançar”, considera a cofundadora da Pop In The City.

A ideia é que se envolvam nas dinâmicas da cidade, que saiam dos percursos turísticos tradicionais, que entrem nos bairros, que contactem com locais, que lhes peçam boleia, que se “desenrasquem” a decifrar mapas de metro e de autocarros.

A participação no evento custa 165 euros por pessoa. Os próximos Pop In The City serão em Toulouse, França, a 1 de julho, e em Genebra, Suíça, a 23 de setembro. As inscrições podem ser feitas no site da empresa.

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