Jeremy Corbyn

MI5 abriu inquérito a Corbyn em 1990 por ligações ao IRA

Os serviços secretos britânicos investigaram Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, por ligações próximas com o IRA, o Exército Republicano da Irlanda, em 1990, escreve o Telegraph.

AFP/Getty Images

Os serviços secretos britânicos (MI5) abriram um ficheiro especial para armazenar informações referentes a Jeremy Corbyn devido a suspeitas de que mantivesse contactos próximos com o Exército Republicano da Irlanda (IRA) que durante o período conhecido como The Troubles, matou mais de 3.700 pessoas.

Segundo uma investigação do diário britânico The Telegraph, o atual líder dos Trabalhistas, foi investigado porque, na altura, existiam suspeitas de que Corbyn pudesse configurar um perigo para a segurança nacional na altura em que Corbyn era próximo de alguns dos mais conhecidos membros da organização terrorista. São conhecidas as “simpatias” de Corbyn, tal como o seu “anti-nacionalismo” mas a história do Telegraph revela ligações a alguns membros que depois acabaram por ser condenados por crimes como atentado à bomba.

Um dos casos que o Telegraph relembra é o apoio de Corbyn ao “Gangue de Balcombe Street”, nomeadamente a Hugh Doherty, um dos membros do gangue que na altura cumpria 11 penas perpétuas por ter orquestrado 16 assassinatos e ter conduzido, com outros três homens, uma campanha de bombardeamentos que durou quase um ano e meio. Em 1987, já como deputado, Corbyn entregou à primeira-ministra Margaret Thatcher uma petição onde pedia melhores condições para Doherty e que “os prisioneiros do IRA fossem transferidos para perto de suas casas”.

Arquivos da organização republicana Troops Out, sediada em Londres, mostram que Corbyn também se compadeceu de Dessie Ellis, que tinha sido condenado a 10 anos de prisão em 1980 por suspeita de posse de bomba e de ter estado envolvido nos ataques às cerimónias militares em Hyde Park e Regent’s Park, os dois principais parques de Londres, em 1982, no qual morreram 11 pessoas.

“Se havia um ficheiro de alguém, é porque nos tinha chegado à atenção pelas suas atividades. Abrimos esse ficheiro e uma investigação preliminar. E depois decidimos que deveríamos ter um ficheiro permanente”, disse Peter Francis, que na altura era um agente infiltrado e foi parte da equipa que decidiu abrir a investigação ao Telegraph. Na mesma altura, o Polícia Metropolitana de Londres também estava a monitorizar o líder dos Trabalhistas, lê-se no artigo do Guardian, mas o jornal não conseguiu saber que tipo de informação terá sido recolhida na altura.

A três semanas das eleições legislativas que a primeira-ministra Theresa May convocou para 8 de junho, estas informações, se não novas, vêm pelo menos reforçar a ideia que muitos dos seus críticos já fazem de Corbyn. Norman Tebbit, um membro da Câmara dos Lordes pelo partido conservador, disse que estas “revelações” marcam Corbyn como “um extremista de esquerda, marxista, simpatizante de terroristas”.

Corbyn já foi questionado várias vezes sobre as suas relações com o IRA. Um porta-voz do líder dos Trabalhistas disse que os serviços secretos britânicos “mantêm ficheiros sobre muitos grupos” incluindo “vários movimentos trabalhistas pela paz como membros de organizações anti-Apartheid ou sindicalistas”.

Os Conservadores mantêm uma vantagem de 15 pontos para os trabalhistas nas eleições de 8 de junho, de acordo com uma sondagem do Opinium para o jornal The Observer, isto apesar de os trabalhistas terem vindo a encurtar a distância desde que revelaram o seu manifesto — uma coleção de ideias bastante à esquerda que incluem o fim das propinas e a nacionalização dos caminhos-de-ferro.

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