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Economia

PR de Moçambique mais otimista que previsões mais recentes sobre inflação e PIB

O Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, espera que a inflação no país caia para 15% e que o Produto Interno Bruto cresça 5,5%, apesar de as previsões mais recentes não serem otimistas.

A situação agravou a crise financeira e económica que Moçambique já sentia com a queda de preço de alguns recursos naturais que exporta e com o atraso dos megaprojetos de exploração de gás natural

ANTÓNIO SILVA/LUSA

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  • Agência Lusa

O Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, espera que a inflação no país caia para 15% e que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 5,5%, apesar de as previsões mais recentes não serem tão otimistas.

“Estamos a fazer tudo para que a inflação desça de 25% para 15%” e para que o ritmo de evolução do PIB “cresça de 3,6 para 5,5 por cento, este ano”, referiu o chefe de Estado, citado hoje pela Agência de Informação de Moçambique (AIM).

Nyusi referiu, durante uma visita oficial à Holanda esta quinta-feira, numa reunião com organizações não-governamentais (ONGs) que o governo está “a traçar medidas” com as “organizações monetárias internacionais, para a correção dos erros cometidos, para se devolver a confiança a nível da parceria internacional”.

No entanto, Helena Afonso, analista de assuntos económicos com o pelouro de África nas Nações Unidas, disse esta semana à Lusa que a previsão de crescimento da economia de Moçambique foi revista em baixa de 5,5% para cerca de 4%.

“O problema da liquidez é um dos principais riscos para a economia moçambicana, que tem impactos sobre o nível de endividamento estrangeiro e sobre o Orçamento”, acrescentou a analista, salientando que “a instabilidade macroeconómica também não ajudará o desempenho da economia”.

Já em fevereiro, a Economist Intelligence Unit (EIU) tinha previsto que a economia de Moçambique cresça 4,2% em 2017, depois de no ano passado ter registado o valor mais baixo dos últimos quinze anos (3,3%).

Sobre a inflação, que chegou ao recorde de 27% em novembro do ano passado, a expectativa dos analistas da Economist é que a taxa vá descendo, mas este ano deverá ficar ainda acima de 23%.

O FMI e um grupo de 14 doadores congelaram o apoio direto ao Orçamento de Estado de Moçambique em abril de 2016, depois de rebentar o escândalo das dívidas ocultas – 2,2 mil milhões de dólares de dívidas contraídas entre 2013 e 2014 por três empresas estatais junto de bancos estrangeiros com garantias do Governo que não foram aprovadas no parlamento nem inscritas nas contas públicas.

A situação agravou a crise financeira e económica que Moçambique já sentia com a queda de preço de alguns recursos naturais que exporta e com o atraso dos megaprojetos de exploração de gás natural.

Na reunião com ONGs em Haia, Holanda, Filipe Nyusi pediu uma aposta na educação, para que haja uma nova cultura democrática.

“Quase todos os ciclos eleitorais terminaram em lamentações de diversa ordem. Não está a existir a cultura de reconhecer os resultados e saudar o oponente. Isto traz retrocessos”, afirmou. Segundo o Presidente, é estranho que tal aconteça sob o olhar da comunidade internacional que observa os processos e valida os resultados.

Moçambique vai entrar num novo ciclo eleitoral com a realização de eleições autárquicas em 2018 e eleições gerais em 2019.

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