Presidente Trump

Trump pressionou ex-diretor do FBI para dizer publicamente que não estava a ser investigado

Novos detalhes sobre contactos entre Comey e Trump revelam pressão do Presidente e da Casa Branca para que fosse negado o envolvimento da campanha com os russos. Comey descreveu tudo em memorandos.

ANDREW HARRER / POOL/EPA

A decisão de demitir do diretor do FBI continua a ensombrar o Presidente dos Estados Unidos, que terá por mais que uma vez pressionado James Comey para saber detalhes da investigação sobre as ligações da sua campanha à Rússia e, juntamente com o seu chefe de gabinete, pressionado para que o então diretor do FBI saísse a público para negar a existência de laços entre a campanha e a Rússia, de acordo com o New York Times.

Depois de três meses com uma polémica crescente em torno da influências da Rússia nas eleições norte-americanas, a favor de Donald Trump, e as notícias de que alguns membros da campanha de Trump estariam sob investigação por alegadas ligações e coordenação com os russos para influenciar o resultado das eleições de novembro, a demissão de James Comey parece ter aberto um nova crise e de maiores dimensões na Presidência.

Durante a semana, o jornal norte-americano deu conta que James Comey terá escrito memorandos sobre as suas interações com Trump e que numa dessas interações Donald Trump terá pedido ao diretor do FBI para deixar cair a investigação contra Michael Flynn, o ex-conselheiro para a Segurança Nacional que se demitiu por mentir ao vice-presidente sobre as suas interações com o embaixador russo.

O jornal, que também já tinha dado conta que Trump teria exigido a James Comey que lhe jurasse lealdade, num jantar entre os dois na Casa Branca, dá detalhes sobre as interações entre os dois, dizendo que Trump terá questionado sobre quando é que o FBI iria dizer publicamente que o Presidente não estava sob investigação.

James Comey terá dito a Trump que não lhe podia dar informação e que se Trump quisesse saber detalhes sobre investigações do FBI, teria de usar os canais próprios para o efeitos, explicando depois a Trump como é que devem ser feitas as comunicações com o FBI, de forma a manter a independência da agência e cumprir os requisitos legais.

Também o chefe de gabinete de Donald Trump, Reince Priebus, que é uma das posições mais poderosas na Casa Branca, terá pedido a James Comey para ajudar a contrariar as notícias sobre as ligações entre elementos da campanha de Donald Trump e a Rússia.

Todos estes contactos com o Presidente e com os restantes elementos da Casa Branca terão sido detalhados em memorandos que o diretor do FBI escreveu na agência e entregou aos seus colaboradores. Entre esses estará o célebre jantar, a convite de Trump, na Casa Branca, onde Trump terá exigido lealdade a James Comey, e uma reunião na Casa Branca onde Trump pediu a Comey para deixar cair a investigação a Michael Flynn.

O Congresso já exigiu estes documentos ao FBI, para investigar, especialmente depois dos desmentidos de Trump, quem está a dizer a verdade – sendo que Comey oficialmente ainda não se pronunciou – e se Donald Trump terá cometido algum crime na sua postura com James Comey.

De acordo com um amigo próximo de James Comey, que falou com o New York Times, James Comey terá expressado o seu desagrado com as abordagens do Presidente e da Casa Branca, temendo pela independência do FBI, e que o ex-diretor do FBI terá descrito num almoço entre os dois os esforços que fez durante os dois primeiros meses desta Presidência para manter a distância para a Casa Branca, e em especial para o Presidente.

Benjamin Wittes, do Brookings Institute e amigo de James Comey, diz ainda que James Comey estaria perturbado pela tentativa de Donald Trump de procurar ter uma relação pessoal com o diretor do FBI, incluindo com convocatórias para reuniões de emergência que acabavam por ser conversas de circunstância.

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