Nostalgia

Ténis dos anos 80, eles estão a voltar

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Lembra-se dos ténis que se calçavam em Portugal nos anos 80? Pois é, 30 anos depois eles não estão velhos, estão vintage. E as marcas estão a relançá-los como objetos de culto.

Autor
  • Joana Emídio Marques

Quando começaram a ser fabricados, nas primeiras décadas do século XX, ninguém poderia imaginar que aqueles sapatos feitos para os corredores, os jogadores de futebol e os de ténis, viessem a ter tanta longevidade e, mais do que isso, se tornassem um fenómeno cultural transversal a países, raças, credos e idades. Se as calças de ganga são o uniforme da humanidade, os ténis são o calçado mais democrático do mundo.

Contudo, só nos anos 80 é que os ténis, ou “sapatilhas”, ascendem a objeto de culto, muito por influência da massificação da prática desportiva que decorreu nessa década. Do jogging à aeróbica, do ténis ao basquetebol e ao futebol, a roupa desportiva invadiu as ruas, a cultura pop, chegou aos telediscos, às séries televisivas.

Os ténis e a roupa desportiva Fila traz de volta o lado mais elegante da moda dos anos 80.

Nos anos 80 em Portugal, ter uns ténis de marca internacional era uma das primeiras aspirações das crianças e jovens, ainda a debutar a alvorada da sociedade de consumo. Claro que havia os famosos ténis Sanjo de fabrico português, mas isso foi apenas uma etapa, porque as marcas estrangeiras ou não eram importadas, ou eram muito caras. Além disso, quem vivia na província não tinha praticamente acesso a esses produtos. Havia pois que sonhá-los.

Estes Adidas de 1980 foram outra das glórias da década. Usavam-se com ou sem cordões e era comum a biqueira ficar toda esfacelada de tanto chutarem bolas.

No entanto, ao longo da década de 80 foram chegando a Portugal marcas como a Nike, a New Balance, a Adidas, a Tiger Asicas, a Reebok, a Fila, a Lotto, a Diadora, a Converse, ou das mais populares de todas, a francesa Le Coq Sportif. Muitos destes modelos eram tão caros que só estavam acessíveis aos atletas ou a quem tinha muito dinheiro. Ainda não tinham chegado os anos 90, os dinheiros europeus e a entrada de muitas marcas novas ao sabor das modas. Também não havia internet para mandar vir do estrangeiro aquilo que não se encontrava cá. Ter uns ténis de marca era portanto um acontecimento. Como também não era hábito podermos acumular vários pares, aqueles eram especiais. Não eram objetos passageiros mas troféus que nos impregnavam do air du temps, que nos faziam pisar orgulhosamente as ruas. O mundo já não era uma coisa que víamos passar na TV. Com uns ténis de marca nós estávamos lá no centro da vertigem. Ou então sonhávamos com isso.

Os Puma, num modelo dos anos 80 revisto pela cantora Rihanna na coleção FentyXPuma.

A novidade é que essas marcas com as quais sonhámos estão a regressar em força depois de anos de um certo apagamento face aos gigantes Nike, Adidas e Vans. E estão a relançar-se no mercado precisamente recuperando as suas coleções dos anos 70 e 80. E se a Nike ou a Adidas (com o reintrodução recente do modelo Stan Smith) têm já no mercado uma vasta gama de modelos dos anos 70 e 80, apenas com pequenas variações nos tons e materiais, há aqueles que regressaram de forma estridente como a Puma, que faz cruzar modelos dos anos 80 com a corte de Marie Antoinette e faz dos ténis uma peça hiper-feminina. Ou aquelas que voltam com a seta apontada à nossa nostalgia, como a Fila, a Diadora ou a Lotto, três marcas italianas que têm colocado no mercado coleções de vestuário e ténis totalmente retro.

Estes ténis da coleção Lotto Leggend são outra recriação de um modelo dos anos 80.

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