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Terrorismo

O fenómeno Ariana Grande explicado em cinco pontos

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A cantora Ariana Grande é um ídolo para crianças e adolescentes que eram também a maior parte do seu público na última noite, em Manchester, onde um ataque terrorista provocou 22 mortes.

A cantora de 23 anos começou a sua carreira no teatro musical aos oito anos

MAST IRHAM/EPA

Ariana Grande é uma cantora pop norte-americana de 23 anos. Já bateu recordes da Billboard e tornou-se, nos últimos anos, uma figura admirada por milhares de crianças e jovens em todo o mundo, tanto pela música upbeat, como pelas tomadas de posição que tem sobre questões como o machismo, a autoestima e a igualdade de direitos. Ariana está no centro das atenções depois de o recinto onde deu um concerto esta segunda-feira à noite, em Manchester, ter sido também palco de um um atentado que tirou a vida a 22 pessoas, entre as quais crianças.

Se não conhece Ariana Grande, descubra os cinco pontos que ajudam a explicar como se tornou um fenómeno da música mundial.

De bebé da Broadway a estrela pop

Ariana Grande começou cedo no mundo da música. Nascida na Flórida, estreou-se no teatro musical em 2001. Tinha apenas oito anos e, com o grupo de teatro infantil de Fort Lauderdale, deu vida à orfã Annie, no musical homónimo da Broadway. Viria a cantar o hino nacional norte-americano na televisão e a atenção que começou a receber a partir desse momento foi determinante para a sua carreira.

Fez parte do elenco de produções teatrais como “O Feiticeiro de Oz” e “A Bela e o Monstro” e isso deu-lhe vontade de “nunca deixar de atuar”, confessou numa entrevista à revista Complex. “Foste feita para isto” disse Gloria Estefan. A cantora terá ouvido uma jovem Ariana Grande a cantar num cruzeiro e encorajou-a a continuar a cantar.

No que diz respeito ao seu alcance vocal, é comparada com frequência a nomes como Mariah Carey e Céline Dion, que cita como influências musicais desde os tempos de infância. Coincidência ou fruto do destino, acabou por honrar a participação de Céline Dion na versão original de “A Bela e o Monstro”, com uma música lançada este ano.

A passagem pelo teatro musical deu-lhe os alicerces necessários para o trabalho que a esperava com 13 anos, no Nickelodeon. Durante uns anos falou-se num possível álbum mas a jovem Ariana ficou-se pela representação, ocasionalmente dando a conhecer ao público jovem os dotes vocais que a distinguiam do restante elenco. Só mais tarde – e fora do Nickelodeon – teria o seu momento de revelação com o álbum “My Everything”.

O rabo de cavalo

Na sua estreia televisiva no Nickelodeon, foi obrigada a descolorar o cabelo com frequência para manter o papel de Cat Valentine, na série Victorious. Como consequência, o seu cabelo nunca recuperou. Quando os fãs começaram a questionar a estética constante do rabo de cavalo, Ariana explicou num post no Instagram que usa “extensões, mas como o meu cabelo está tão estragado, uso sempre rabo de cavalo“.

Nunca esperava que [o rabo de cavalo] se tornasse uma coisa tão relevante. É o que me deixa confortável. Deixa-me tão feliz, honestamente, sempre que arranjo o meu cabelo desta forma. É uma surpresa. Quando me esqueço de gostar do meu cabelo e de me sentir confortável, faço um rabo de cavalo e fico ‘Uau’. Não sei explicar.”

Quanto às pessoas que a criticam pelo penteado deixa uma mensagem que, de resto, aplica em tantas outras questões: “Oh, que merda, não gostas do meu rabo de cavalo? Então amanhã vou fazê-lo duas vezes maior, e mais alto, e mais apertado e com mais cabelo. Tenho pena“.

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O rabo de cavalo e a mensagem de insubordinação que transmite tornaram-se populares, especialmente entre o público mais jovem. A Teen Vogue dá conta de centenas de tutoriais no YouTube que ensinam as raparigas a conseguirem o mesmo penteado.

As orelhas de coelho

Momentos depois de ser confirmado um ataque em Manchester e de surgirem as primeiras reações nas redes sociais, começaram a circular imagens a utilizar a imagem de marca do álbum “Dangerous Woman” – as orelhas de coelha -, para homenagear as vítimas do atentado. Por detrás destas orelhas está uma mensagem de força, coragem e resistência personificada numa figura: A Super Bunny.

[A Super Bunny] é a minha heroína, ou vilã – depende de como me sinto nesse dia. Sempre que duvido das minhas capacidades ou começo a questionar as escolhas que sei que são as certas – porque as pessoas me dizem o contrário – fico do género “O que é que aquela bad bitch Super Bunny faria?”. Ela ajuda-me a tomar decisões.”

A Super Bunny é para Ariana Grande o que Sasha Fierce foi para Beyoncé. No fundo, um escape, um alterego, um suporte. A cantora descreveu a Super Bunny como o seu “patronus”, em referência ao feitiço da saga “Harry Potter” que protege o feiticeiro de criaturas maléficas. Dessa forma (e no seguimento do ataque da noite passada), os fãs da cantora têm utilizado e partilhado o símbolo das orelhas de coelha, num movimento de solidariedade.

É feminista

Ariana tornou-se um nome de referência com o lançamento do álbum “My Everything” que se estreou na primeira posição em 76 países diferentes. Mas foi com “Dangerous Woman” que entrou em digressão este ano. No seguimento dos acontecimentos de segunda-feira é ainda incerto se a digressão vai continuar. É incontornável que este álbum carrega uma tomada de posição importante: “este é o meu corpo, a minha sexualidade, a minha aparência e as minhas vontades”.

Na verdade, Ariana tornou-se uma das celebridades mais imprevisíveis nos seus comentários e respostas, tendo por várias ocasiões respondido com indignação e revolta a entrevistas e situações sexistas em que foi colocada. Quando numa entrevista, o jornalista lhe pediu para escolher entre usar o telemóvel ou maquilhagem uma última vez, Ariana respondeu “É isto que achas que as raparigas têm dificuldade em escolher? Ou estás só a assumir que é o que se espera que as raparigas escolham? Temos que dar uma ensaboadela na igualdade aqui.”

Se uma mulher falar abertamente de sexo, é enxovalhada! Mas se um homem falar ou rappar livremente sobre todas as mulheres (ou cabras, que bonito) com quem esteve, ele é celebrado. Se uma mulher for vista com um amigo que tem um pénis, há uma presuposição imediata de que há romance ou sexo e essa mulher passa a ser catalogada de vadia. Se um homem for visto com uma mulher, o seu status é logo elevado e celebrado!”

Estas publicações e comentários – frequentes para Ariana – colocaram-na na fila da frente na luta pela igualdade de direitos e explicam como se tornou um exemplo para tantas (e tantos) jovens em todo o mundo.

A sua primeira vez em Portugal?

Ariana nunca atuou em Portugal. Estava programada para atuar no dia 29 de maio de 2016 no Rock in Rio (agora a celebrar um ano) e cancelou na véspera devido a uma inflamação na garganta. Ficou feita a promessa de compensar os fãs portugueses.

Essa promessa seria cobrada em poucas semanas, a 11 de junho, no Meo Arena. O concerto está agendado há vários meses e os bilhetes [à data deste artigo] já estavam esgotados para grande parte da sala de espetáculos. É incerto, como já referimos, se a digressão será cancelada ou adiada. A cumprirem-se as datas previstas tem ainda pela frente 35 concertos em todo o mundo.

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