Inglaterra

Pode alguém evitar a prisão só por ser brilhante? Sim. E Lavinia Woodward é exemplo disso

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Lavinia Woodward é uma promissora estudante de Oxford. Numa noite, com álcool e drogas à mistura, agrediu o namorado e esfaqueou-o na perna. Agora pode fugir à prisão por ser uma mente brilhante.

Caso de Lavinia Woodward tem despertado grande interesse e debate no Reino Unido

Estávamos em dezembro. Lavinia Woodward, de 24 anos, uma das mais talentosas e extraordinárias estudantes de medicina do Christ Church College da Universidade de Oxford, estava numa noite de descompressão com o namorado. Houve álcool, houve drogas — e houve abuso de ambas. Uma pequena discussão ganhou proporções inimagináveis: Lavinia agrediu o parceiro, esfaqueou-o na perna com uma faca do pão, atirou-lhe um computador, um copo de cristal e um frasco de geleia. Foi detida e levada a tribunal. Confessou que tinha, de facto, feito tudo aquilo. Mas poderá fugir a uma pena quase certa de prisão. Porquê? Porque é vista como uma mente brilhante com um futuro promissor.

De acordo com as últimas informações do Oxford Mail, citado pelo El Español, Lavinia poderá evitar a pena de prisão na sentença final, em setembro, porque o juiz entende ter-se tratado de um ato “único e irrepetível”. “Parece-me que foi apenas uma vez, uma única vez, e uma sentença demasiado severa pode fazer com que esta jovem não consiga o ansiado desejo de entrar na profissão que quer”, terá argumentado Ian Pringle.

Esse foi também um dos principais pontos do advogado de defesa – seria impossível, ou quase, que a jovem conseguisse seguir uma carreira na cirurgia cardiovascular caso tivesse uma ficha de delitos penais manchada, algo muito valorizado no Reino Unido. Em paralelo, foi provado que sofrera abusos numa relação anterior, que crescera num contexto familiar difícil e que estava sob efeito de álcool e drogas na noite em que tudo aconteceu.

Além de, muito provavelmente, conseguir fugir à pena de prisão, ficando com uma pena suspensa de três anos, Lavinia Woodward ganhou outra “guerra”: depois de uma primeira recusa, a Universidade de Oxford anuiu a que a jovem continuasse a frequentar o curso a partir de outubro.

Ainda assim, o tema promete não ficar por aqui e existem vozes discordantes em relação a este perdão, comparando este caso com outros que aconteceram também no Reino Unido, como explicou Simon Jenkins num artigo de opinião no The Guardian. Segundo vários órgãos de comunicação social ingleses, a jovem terá inclusive apagado a sua página oficial do Facebook por causa das críticas que foram caindo ao longo de todo o processo.

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