A passagem de Portugal aos oitavos-de-final do Mundial Sub-20 teve aqueles traços tão típicos do fado nacional, a sofrer, de calculadora na mão, a conseguir não morrer na praia nos instantes finais do encontro com o Irão. A Seleção esteve a perder, empatou, contou com a ajuda do vídeo-árbitro e beneficiou de um auto-golo a cinco minutos do final. Ufa, que sofrimento! Mas valeu a pena. Passámos. Em segundo lugar, mas passámos. E aquele abraço com a lagriminha no canto do olho entre Peixe e Filipe, técnicos que foram campeões mundiais de Sub-20 em 1989 e 1991, queria dizer algo mais. Percebeu-se, ali, que estava dado o clique que nos andava a faltar. E já estamos nos quartos-de-final, depois de eliminarmos a equipa anfitriã por 3-1 em Cheonan.

O encontro com a Coreia do Sul prometia ser complicado. Era a equipa anfitriã, a única capaz de colocar pessoas no estádio a apoiar (as assistências têm sido baixas, baixinhas ao longo de toda a prova), aquela que tem Seung-Woo Lee, o jovem do Barcelona que alguns apelidam de novo Messi asiático. Mas Portugal despachou a coisa em três tempos, literalmente. Porque houve três pontos diferentes em relação aos primeiros três jogos que fizeram toda a diferença para a qualificação do conjunto das quinas para os oitavos-de-final.

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Ficha de jogo

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Coreia do Sul-Portugal, 1-3

Oitavos-de-final do Campeonato do Mundo Sub-20

Cheonan Sports Complex, na Coreia do Sul

Árbitro: Andrés Cunha (Uruguai)

Coreia do Sul: Bumkeun Song; You-Hyeon Lee (Yang-Woo Chan, 54′), Tae-Wook Jeong, Sang-Min Lee, Jonggyu Yoon; Seung-Mo Lee, Jin-Hyun Lee, Seun-Gun Ha (Sang-Heon Lee, 56′); Seung-Ho Paik (Jung-Moon Lee, 83′), Seung-Woo Lee e Young-Wook Cho

Treinador: Shin Tae-yong

Portugal: Diogo Costa; Diogo Dalot, Rúben Dias, Jorge Fernandes, Yuri Ribeiro; Pedro Rodrigues, Pedro Delgado (Gedson Fernandes, 66′), Bruno Xadas (Florentino Luís, 86′); Bruno Costa (Miguel Luís, 73′), Diogo Gonçalves e Xande Silva

Treinador: Emílio Peixe

Golos: Bruno Xadas (9′ e 69′), Bruno Costa (27′) e Sangheon Lee (81′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Yang-Woo Chan (56′), Tae-Wook Jeong (58′), Rúben Dias (60′) e Jorge Fernandes (76′)

Peixe arriscou pela primeira vez em dois elementos com capacidade de construção e de levar a bola até à frente de início: Pedro Delgado, que tinha sido titular contra o Irão, e Bruno Xadas, aquele que tem sido o principal destaque da equipa a par de Diogo Dalot. Na frente, voltou a retirar José Gomes e André Ribeiro, apostando na velocidade de Xande Silva e na capacidade de criar equilíbrios de Bruno Costa, que se estreou na prova. E a coisa funcionou.

Tudo porque, segundo argumento, Portugal marcou na primeira oportunidade do encontro: boa jogada de envolvimento pela esquerda, cruzamento atrasado de Yuri Ribeiro e remate certeiro de Bruno Xadas à entrada da área (9′). Pela primeira vez, a Seleção começava o jogo com uma vantagem madrugadora. E foi isso que deu uma estabilidade emocional sem precedentes até então para, mesmo sem bola e apostando nas transições rápidas, ir controlando o encontro e as (parcas) tentativas dos visitados para chegarem ao empate.

Aos 26′, Youngwook Cho viu um remate perigoso sair prensado em Jorge Fernandes e, logo a seguir, Portugal fez o 2-0. Terceiro argumento, a Seleção teve uma eficácia esmagadora, marcando dois golos nos primeiros dois remates enquadrados com perigo. E desta feita foi Bruno Costa que, em pezinhos de lã, foi da esquerda até ao centro aproveitar um corte deficiente para a entrada da área para rematar sem hipóteses para o guardião coreano. Até ao intervalo, a melhor oportunidade seria de Xande Silva, que chegou ligeiramente atrasado a um cruzamento de Dalot.

Na segunda parte, Portugal continuou com a mesma postura, bem arrumado em campo, muito pragmático nas suas ações e a criar perigo sempre que ia lá abaixo. Até de bola parada: na sequência de um canto, Bruno Costa cabeceou contra as costas de um defesa e Jorge Fernandes, com a baliza à mercê, encostou mal e falhou o 3-0. A Coreia do Sul ameaçava a baliza de Diogo Costa mas, já depois de um falhanço de Gedson Fernandes, Bruno Xadas, jogador que já fez este ano alguns jogos na equipa principal do Sp. Braga, teve mais uma jogada de génio a fintar em slalom adversários até atirar cruzado para o 3-0 aos 69 minutos.

Se já se tinha visto como a Seleção Nacional era melhor, com a almofada de três golos de vantagem começou a haver espetáculo a sério, com trocas de bola que deixavam os sul-coreanos perdidos. Até as substituições de Peixe conseguiram ir refrescando a equipa sem retirar capacidade nas transições ofensivas e defensivas. E o máximo que os anfitriões conseguiram, apesar de toda a pressão, foi mesmo reduzir o resultado por 3-1, por Sangheon Lee.

Agora, Portugal vai esperar para ver quem ganha no duelo entre Uruguai e Arábia Saudita. Daí sairá o adversário nacional nos quartos-de-final, que se realizam no domingo de manhã (hora portuguesa).