Livros

Feira do Livro de Lisboa abre com queixas dos editores, versos do ministro e dia de sol

A inauguração da 87.ª Feira do Livro de Lisboa ficou esta quinta-feira marcada pela preocupação do presidente da APEL quanto aos direitos de autor, face às novas tecnologias.

Na opinião de João Amaral, as novas TIC "estão a provocar transformações profundas que colocam desafios muito complexos e difíceis aos editores e livreiros"

TIAGO PETINGA/LUSA

A inauguração da 87.ª Feira do Livro de Lisboa ficou esta quinta-feira marcada pela preocupação do presidente da APEL quanto aos direitos de autor, face às novas tecnologias, num discurso em que até citou versos do ministro da Cultura.

Na cerimónia de inauguração da Feira do Livro de Lisboa, a primeira que acontece no dia da Criança e que incluiu diversas atividades de animação para os mais novos, o presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), João Amaral, assinalou tratar-se da “maior Feira do Livro de sempre”. Apesar disso, mostrou preocupação relativamente ao futuro dos livros e dos seus autores, numa sociedade que avança rapidamente ao sabor das novas tecnologias e à “velocidade dos tweets“.

“De um poema intitulado ‘Feira do Livro’, recordo dois versos: ‘chove na Feira do Livro’ e ‘uma amiga diz-me este já não é o nosso tempo’. O poeta chama-se Luis Filipe Castro Mendes e é ministro da Cultura”, afirmou João Amaral.

Com esta evocação, João Amaral salientou que efetivamente “hoje não chove”, mas quanto à questão de saber “se este é o nosso tempo”, editores e livreiros começam a interrogar-se “com crescente preocupação”.

Na opinião deste responsável, os tempos estão a mudar vertiginosamente e os livros são “cada vez mais objetos muito frágeis e delicados, cuja edição e venda enfrenta dificuldades e obstáculos cada vez maiores, neste tempo desregulado de posts, SMS e tweets, sem senso, sem gosto e sem responsabilidade”.

As novas tecnologias de informação e comunicação estão a provocar transformações profundas que colocam desafios muito complexos e difíceis aos editores e livreiros. Nem uns, nem outros, pedem favores ou benesses ao Estado, mas reclamam respeito pelos seus direitos e consideração pelo contributo muito relevante que prestam com a sua atividade ao país”, afirmou.

João Amaral lembrou ainda que na área da cultura, “o livro é quem emprega mais gente e mais contribui para a riqueza nacional”. O ministro da Cultura respondeu ao repto lançado pelo presidente da APEL, não sem antes pegar no seu próprio verso para dizer que “o Parque Eduardo VII hoje tem sol, ao contrário daquele dia melancólico” evocado por João Amaral.

“Se o livro, no seu suporte mais comum, mudou pouco nos últimos 500 anos, já mudaram, e muito, as técnicas do seu fabrico, as suas estratégias de comercialização e outros aspetos da cadeia, nomeadamente o desafio digital, que tem implicações nos direitos de autor”, reconheceu.

Luís Filipe Castro Mendes garantiu que “esse desafio está a ser encarado” e é objeto de políticas públicas.

“Em relação aos diretos de autor, está-se a trabalhar na discussão da diretiva dos diretos de autor, no quadro do Conselho da União Europeia, esse ponto está em cima da mesa e está a ser objeto de atenção”, acrescentou.

Nesse sentindo, lançou um desafio ao presidente da APEL: “O vosso trabalho na Federação Europeia de Editores será importante para nos sensibilizar melhor sobre a necessária articulação da proteção dos direitos de autor com os meios modernos de difusão e divulgação dos conteúdos”.

Num registo mais otimista, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa reconheceu a “complexidade” da situação que o livro hoje em dia enfrenta, mas imaginou que há 15 anos o discurso de abertura da Feira do Livro seria vaticinador de que dentro de 15 anos não haveria livros e que o digital teria mudado a forma como são consumidos os produtos culturais.

Considerando que esse propósito não falhou em outras “áreas mais atingidas”, como a música, Fernando Medina sublinhou que já viu “a morte do livro anunciada várias vezes” e, no entanto, vê atualmente a Feira do Livro “com uma pujança como nunca teve, a maior de sempre na cidade de Lisboa”.

A cerimónia terminou com uma visita pelos pavilhões da Feira do Livro, que este ano totaliza um número recorde de 286, num ambiente de tranquilidade, marcado mais pela presença de animadores, bonecos em ponto grande, ilustradores a pintar painéis e artistas circenses a fazer acrobacias, do que de público infantil. De acordo com Susana Silvestre, coordenadora das Bibliotecas de Lisboa, parceira na organização das atividades para o dia da criança, a Feira esteve mais movimentada durante a manhã, com a visita de algumas escolas.

Alguns vendedores questionados pela Lusa revelaram que o dia foi muito tranquilo, mas também por ser ainda o primeiro dia e um dia de semana.

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