Condução Autónoma

Uber e Faraday Future juntas? Dava jeito (a ambas)

Uma diz ter a tecnologia, mas debate-se com dificuldades financeiras, ao passo que a outra tem o dinheiro, mas está em risco de perder a tecnologia. Será que a Faraday Future e a Uber se vão entender?

Apontado como rival do Model X, o FF 91 corre o risco de não se vir a concretizar se a startup chinesa não reunir o investimento de que necessita para garantir a construção de uma fábrica onde o modelo possa ser produzido

Autor
  • Francisco António

Ambas a atravessarem momentos difíceis, ainda que por razões substancialmente diferentes – a chinesa, a debater-se com problemas financeiros, enquanto a americana, condicionada pelos vários litígios em tribunal -, Faraday Future (FF) e Uber podem vir a encontrar uma saída conjunta para as respectivas crises, através da união de esforços na corrida pelo carro autónomo.

A hipótese é sustentada pelas dificuldades por que passam as duas companhias, as quais chegaram a ser apontadas como capazes de se posicionarem na frente da corrida ao carro autónomo, mas que problemas vários vieram colocar em causa não só o alcançar desse objectivo, mas até mesmo a própria sobrevivência das empresas.

Uber: com dinheiro, mas em risco de perder a tecnologia

No caso da Uber, os problemas advêm, entre outros factores, da batalha judicial iniciada com a Waymo, a subsidiária da Google para o carro autónomo, que, na sequência da contratação de técnicos seus por parte da empresa de Travis Kalanick, acusa a Uber de roubo de tecnologia. Isto numa altura em que a companhia tem já a decorrer uma parceria nesta mesma área com a sueca Volvo, a qual passa por levar a cabo um programa de testes, já a decorrer, com 100 unidades XC90 equipadas com tecnologia de condução autónoma na cidade norte-americana de Pittsburgh. Projecto que representa, só por si, um investimento de cerca de 300 milhões de dólares, ou seja, cerca de 268 milhões e euros.

Fustigada pelos vários processos judiciais (da Waymo, de trabalhadores…), um modelo de negócio que continua no negativo e uma reputação que já conheceu dias melhores, parece ser opinião generalizada, na companhia fundada por Travis Kalanick, que só tendo sucesso na condução autónoma é que a empresa conseguirá sobreviver. Algo que, neste momento, está excessivamente dependente do resultado do processo em tribunal com a empresa do universo Google, sendo que, caso seja obrigada a entregar a sua tecnologia à rival, tal poderá significará mesmo um revés do qual será muito difícil, senão mesmo impossível, recuperar.

Contudo, os responsáveis da Uber também afirmaram recentemente, em declarações à Bloomberg, ter ainda cerca de 7 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros) entre mãos, mais 2,3 mil milhões (cerca de 2.000 milhões de euros) em crédito bancário, para investir na condução autónoma. Algo que, a ser verdade, poderá contribuir para a entrada em jogo de um outro player – a Faraday Future.

Faraday Future: com tecnologia, mas sem dinheiro

Segundo as últimas notícias, a startup de capitais chineses debate-se com sérios problemas financeiros, que têm vindo a agudizar-se desde que a empresa apresentou o seu concept FF 91, em Janeiro, no último CES. Tendo mesmo levado ao adiamento do arranque da construção da sua nova fábrica high-tech nos EUA, onde era suposto produzir os seus futuros modelos, e cuja construção estava orçada em mil milhões de dólares (cerca de 894 milhões de euros). Pelo que a Faraday Future admitiu já a possibilidade de avançar com uma unidade de produção bastante mais pequena, a qual poderá, em caso de necessidade, ver a sua dimensão aumentada.

FF 91

Por outro lado, e a piorar um panorama já de si difícil, a incapacidade do principal investidor da Faraday, o gigante chinês LeEco, de recuperar das recentes perdas de grandes proporções. As quais terão mesmo obrigado a despedimentos na estrutura que o grupo possui nos EUA, assim como a uma reestruturação do plano de negócio já definido.

Embora o director financeiro da Faraday tenha já vindo garantir publicamente que os despedimentos não terão qualquer impacto nas ambições da startup, a agência Bloomberg avança que a companhia vai necessitar de qualquer coisa como 1.000 milhões de dólares, de forma a conseguir manter o sonho vivo. Sendo que, caso não consiga reunir esse montante, o mais certo é mesmo que o ambicioso FF 91 – modelo que se assume como um rival directo do Tesla Model X e que anuncia uma potência a rondar os 1.050 cv, mas também um custo a rondar os 150 mil dólares por veículo – nunca venha a ver a luz do dia.

Uber e Faraday Future: o casamento perfeito?

A solução para o intrincado problema em que se encontra a Faraday pode estar na Uber. Se esta investisse os necessários 1.000 milhões de dólares na empresa de mobilidade eléctrica e autónoma, não só ainda ficaria com uma boa retaguarda financeira, como poderia beneficiar dos avanços já conseguidos pela Faraday Future.

Já para a companhia chinesa, esse encaixe seria literalmente ouro sobre azul, uma vez que permitir-lhe-ia manter o plano original. A começar, pela construção da ambicionada fábrica high-tech, onde poderia dar início à produção o seu SUV eléctrico equipado com tecnologia de condução autónoma, o FF 91.

Igualmente a favor do “casamento”, o facto de, com o modelo de negócio actual a perder dinheiro todos os dias, a Uber necessitar, quase desesperadamente, do carro autónomo como forma de baixar custos. Algo que, no entanto, passaria a ter à mão, no caso de uma união com a Faraday Future, também pelo facto de a startup chinesa prever a construção de uma fábrica de onde, supostamente, poderão passar a sair 100 mil veículos por ano. Número que, garantidamente, permitiria à companhia de Travis Kalanick prescindir, por exemplo, dos 500 mil Tesla 100% autónomos que o empresário já terá admitido poder vir a adquirir, assim que a companhia de Elon Musk dar início à sua comercialização, por volta de 2020.

No entanto, também é verdade que um veículo de 150 mil dólares, como aquele que a Faraday está a desenvolver, poderá ser um investimento demasiado elevado, mesmo para quem diz ter perto de 10 mil milhões de dólares (8,9 mil milhões de euros) para investir na condução autónoma. Pelo que, caso as duas companhias venham mesmo a entender-se, o mais certo seja que a startup acabe por desenvolver uma versão mais barata do FF 91, ainda que de condução totalmente autónoma, que seria o ideal para a Uber.

Difícil de concretizar? O futuro dirá se esta hipótese tem ou não pernas para andar…

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