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Poluição

Poluição do ar gerada por navios é significativa, alertam ambientalistas

A poluição atmosférica gerada pelos navios que passam perto da costa portuguesa não é contabilizada, mas, no caso do dióxido de enxofre, a quantidade é quase igual à registada em terra.

Como predominam os ventos de oeste e noroeste, esta poluição encaminha-se para as zonas terrestres

TOM MIHALEK/EPA

A poluição atmosférica gerada pelos navios que passam perto da costa portuguesa não é contabilizada, mas, no caso do dióxido de enxofre, a quantidade é quase igual à registada em terra, segundo a associação ambientalista Zero.

“Na contabilização das emissões reportadas a instituições europeias e internacionais, não consideramos as emissões dos navios que passam junto à nossa costa”, afirmou à agência Lusa o presidente da Associação Sistema Terrestre Sustentável – Zero.

No dióxido de enxofre, “se fossemos a contabilizar as emissões dos navios que passam na nossa costa, quase que duplicava a quantidade que está em jogo e que é reportada em relação ao nosso território, ou seja, aquilo que é emitido pelos navios é quase igual àquilo que é emitido na zona terrestre”, explicou Francisco Ferreira.

Para marcar o Dia Mundial dos Oceanos, que se assinala esta quinta-feira, a Zero analisou o tráfego marítimo, e concluiu que na Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Portugal Continental, na rota que liga o norte da Europa ao Mediterrâneo Norte, passam cerca de 110 navios de carga, 30 navios-tanque (petroleiros) e dois grandes navios de cruzeiro por dia.

Com base no inventário de emissões atmosféricas da Agência Europeia de Ambiente, a Zero estima que o dióxido de enxofre “representa cerca de 85% do total das emissões presentes no inventário nacional e que correspondem às emissões terrestres deste poluente em termos anuais”.

Quanto aos óxidos de azoto, “apesar de termos centrais térmicas e tráfego automóvel, os navios que passam na nossa costa correspondem a metade das emissões inventariadas [em 2015] para a área terrestre de Portugal”, referiu Francisco Ferreira.

Como predominam os ventos de oeste e noroeste, esta poluição encaminha-se para as zonas terrestres. O presidente da Zero explicou que, no inventário, são contabilizadas as emissões dos navios em porto, dos transportes, da indústria e da produção de eletricidade.

O especialista salientou que os navios “são uma preocupação acrescida à escala mundial” porque o tráfego marítimo tem aumentado e o tipo de combustível utilizado “é extremamente poluidor”, quer no que respeita ao dióxido de enxofre, quer nas emissões resultantes da combustão são significativas, principalmente óxidos de azoto.

Esta poluição não está quantificada, mas “é bastante significativa e merece a tomada de medidas”, já equacionadas pela Comissão Europeia, apontou.

Se vários países, como Espanha e França, obrigassem a percentagens de enxofre mais reduzidas, por exemplo, iguais às fixadas no Mar Báltico, no Mar do Norte e no Canal da Mancha seria possível obter uma redução de 93% no dióxido de enxofre e de 23% no óxido de azoto, “com reflexos claros na melhoria da qualidade do ar”, segundo as contas da Zero.

Aquelas medidas “são extremamente importantes para reduzir os problemas de qualidade do ar” e o Governo português deve trabalhar com outros países europeus, defendeu Francisco Ferreira.

A poluição atmosférica associada à navegação internacional causa cerca de 50 mil mortes prematuras por ano na Europa, com um custo anual para a sociedade de mais de 58 mil milhões de euros, de acordo com estudos científicos recentes citados pela Zero.

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