Moda

Comida, roupa, empresas e sexo. O que é esta moda dos unicórnios?

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Tudo o que tem cores vivas e garridas pode ser "unicónio". Também há "empresas unicórnio" e pessoas que reivindicam uma "sexualidade unicórnio". A criatura mitológica tornou-se adjetivo.

O unicórnio começou por surgir em obras de arte da antiga Mesopotâmia e ganhou cores e estatuto de figura pop já no século XX.

© Andreia Reisinho Costa/Observador

De repente, tudo pode ser unicórnio. Maquilhagem, roupa, comida, empresas. Até a sexualidade. O pequeno cavalo de um só chifre deixou de ser apenas uma criatura de fantasia e transformou-se em adjetivo.

O Observador pesquisou sobre o tema esta semana e descobriu na Internet, através do Google Trends, que a versão inglesa da palavra teve um pico de popularidade no mês de abril. Também no Google Trends, foi possível perceber que desde o fim do ano passado há cada vez mais portugueses e brasileiros a escrever “unicórnio” no motor de busca.

Pormenor do fresco “Virgem e Unicórnio”, de Domenichino, pintado no início do século XVI.

A figura surgiu em obras de arte da antiga Mesopotâmia, entrou na mitologia indiana e chinesa, chegou à literatura grega há cerca de 2.400 anos e também aparece na Bíblia, de acordo com a enciclopédia Britannica. Originalmente, era um cavalo branco, de olhos azuis e cabeça púrpura. Noutras versões, descendia dos rinocerontes.

O unicórnio ganhou cores e estatuto de figura pop já no século XX, escreve a BBC Mundo, muito por causa de filmes da Disney e desse outro mito dos anos 80 que foi “O Meu Pequeno Pónei” – brinquedo e desenho animado que incluía alguns unicórnios (uma criação da empresa americana Hasbro, a mesma que inventou o Monopólio).

A série “O Meu Pequeno Pónei” também incluía unicórnios”.

Em 2017, o unicórnio remete para objetos coloridos e estridentes, comportamentos que fogem à norma e empresas promissoras. Descubra os vários significados de “unicórnio”.

Empresa unicórnio

Estar avaliada em pelo menos mil milhões de dólares, ou euros. É este o primeiro critério para definir uma “empresa unicórnio”. Outros dois critérios: ser uma empresa nova, ou startup, e ter aquilo a que no mundo financeiro se chama elevado potencial de crescimento a curto prazo. A Uber foi uma “empresa unicórnio”. O mesmo se diga do Snapchat, do Spotify, do Buzzfeed. A portuguesa Farfetch também. Considera-se que a primeira pessoa a utilizar esta expressão foi a empresária norte-americana Aileen Lee, num artigo que escreveu em 2013 para o site TechCrunch.

Roupa e maquilhagem unicórnio

Citamos com o devido desconto: muitos sites e blogues dizem que a “maquilhagem unicórnio” é a tendência mais forte de 2017. Dominam as cores halográficas e iridescentes, esclarecem os especialistas. A marca La Crème tem desde há alguns meses uma nova linha de batons de paleta garrida, já chamados “lágrimas de unicórnio”. A Tarte lançou pincéis de maquilhagem em que as tradicionais cerdas negras surgem em azul celeste ou rosa-choque.

De acordo com a revista feminina Allure, há verniz, gel, pó e tinta para o cabelo ao estilo unicórnio. Até mesmo um “sérum antioxidante com essência de unicórnio”, da marca Farsáli. Em termos de vestuário, a roupa feminina tem aproveitado a iridescência, mas nada será sido tão literal quanto a linha de vestidos Alexander McQueen com unicórnios bordados na frente.

Produtos de “maquilhagem unicórnio” têm sido lançados nos últimos meses

Comida unicórnio

O exemplo mais conhecido é o “Frappuccino Unicórnio”, uma bebida do Starbucks que existiu por alguns dias, em abril último, nas lojas americanas da marca. À base de açúcar, leite, café e fruta, a bebida tinha cores garridas e fluorescentes. Foi o despertar global para uma moda iniciada em 2016. A “comida unicórnio” consiste em pratos com o maior número possível de cores apelativas, a fazer lembrar a pastelaria francesa. A rede social Instagram tem sido uma das montras principais da “comida unicórnio”: tostas, biscoitos, queques, bolos.

Como se o fenómeno cupcake, de há alguns anos, tivesse regressado. “As pessoas gostam de brincar com a comida ou de ver fotografias de comida muito colorida, alegre e divertida”, explicou no New York Times a blogger Adeline Waugh – que o jornal descreve como precursora desta tendência. A blogger publicou em 2016 uma fotografia de comida em que utilizava beterraba como corante, o que levou alguns leitores a classificá-la como “comida unicórnio”.

A bebida do Strabucks que deu alento à “comida unicórnio”

Sexualidade unicórnio

Como os unicórnios são seres raros e independentes, às vezes temidos por não se saber o que realmente representam, têm um simbolismo que encaixa no sentir de muitas pessoas homossexuais, bissexuais ou transgénero. A palavra inglesa queer domina o vocabulário de quem descreve comportamentos e identidades que não cabem no cânone, mas atualmente já se ouve “unicórnio” em lugar de queer.

Há quem fale em “género unicórnio”, como alternativa ao masculino e feminino. Uma identidade que recusaria definir-se em torno de uma orientação sexual ou de um só género. A festa portuense Thug Unicorn terá ajudado a divulgar em Portugal a expressão “sexualidade unicórnio”. A festa tornou-se conhecida a partir de 2013 como “sátira ao machismo e homofobia no hip-hop”, com um “ambiente mais queer e aberto, onde todos podem aparecer como lhes apetecer” e “todos os géneros musicais são bem recebidos”, no dizer das mentoras do projeto.

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