Futebol

Taça das Confederações. Uma abertura onde até o ursinho Misha deixava cair uma lágrima…

Recuamos até à cerimónia de encerramento dos Jogos de 1980, em Moscovo, para falar do jogo inaugural da Taça das Confederações de 2017, em São Petersburgo. E já agora, a Rússia ganhou à Nova Zelândia.

Glushakov passa por Marinovic no primeiro golo: teve nota artística, ao contrário do resto do jogo

AFP/Getty Images

Por cada sete ovelhas, há uma pessoa. Recebeu a realização dos três filmes do Senhor dos Anéis,. Há menos de 5% de humanos, o resto são animais. Tem o único papagaio que não voa, o kakapo. Um terço das famílias de Auckland tem um barco. Possui a rua mais íngreme do mundo. E é de lá que vem a melhor equipa de râguebi do mundo, os All Blacks, que estiveram anos e anos sem perder.

A Nova Zelândia é um país engraçado, daqueles que nos arrancam uma secreta paixão mas que acabamos por não visitar por ser demasiado longe. Como contava o Buzzfeed em 2014, este é o sítio onde proibiram um casal de batizar o filho de 4Real e acabou por ficar Superman. E a terra onde um homem, após perder uma aposta de póquer, mudou o nome para Full Metal Havok More Sexy N Intelligent Than Spock And All The Superheroes Combined With Frostnova, que passou por apenas um caractére (100 é o limite). No futebol é que não dá mesmo. Nem Peter Jackson conseguiria fazer esse filme.

Quis a sorte (da Rússia) que os kiwis se juntassem à festa do jogo inaugural da Taça das Confederações, antecedida de uma cerimónia de abertura com pouca difusão mas recheada de cores, de ritmos, de vestidos e de personagens. Um bocadinho de tudo, menos de público. Não houve Misha, aquele mítico ursinho que deixou cair uma lágrima na cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos de 1980, houve o Zabivaka, o lobo apelidado de goleador que será a mascote do Mundial do próximo ano. E também os discursos de Vladimir Putin (que lançou duras críticas à performance da equipa antes da competição) e Gianni Infantino antes do pontapé inicial.

Onde quer que ande, perdido no tempo, longe da cabeça mas perto do coração, até Misha voltaria a deitar uma lágrima se tivesse de ver os 90 minutos que abriram a edição de 2017 do duelo dos campeões continentais.

Ficha de jogo

Rússia-Nova Zelândia, 2-0

1.ª jornada do grupo A da Taça das Confederações

Arena Zenit, em São Petersburgo

Árbitro: Wilmar Roldán (Colômbia)

Rússia: Akinfeev; Samedov, Kudryashov, Vasin, Dzhikiya, Zhirkov; Erokhin (Tarasov, 77′), Glushakov, Golovin; Smolov (Miranchuk, 90′) e Poloz (Bukharov, 64′)

Treinador: Stanislav Cherchesov

Nova Zelândia: Marinovic; Colvey (Patterson, 84′), Smith, Durante, Boxall, Wynne; Barbarouses (Tuiloma, 63′), McGlinchey, Thomas; Rojas (Smeltz, 72′) e Wood

Treinador: Anthony Hudson

Golos: Boxall (31′, p.b.) e Smolov (69′)

Ação disciplinar: nada a registar

Vamos falar dos primeiros dez minutos para se perceber mais ou menos o que se passou na imponente Arena Zenit, em São Petersburgo. Aos 2’, Golovin, o artista da Rússia, atirou forte de fora da área e o guarda-redes Marinovic (que atua nos regionais da Alemanha) socou de tal forma a bola que mais um bocado e ainda entrava; aos 7’, Vasin cabeceou ao poste na sequência de um canto; aos 9’, Poloz enganou o guarda-redes mas Tommy Smith salvou em cima da linha.

Apenas uma cerejinha no topo deste bolo: na maioria das vezes, a Nova Zelândia aproveitava qualquer bola parada, mesmo ainda no seu meio-campo, para bater largo na área arriscando o jogo aéreo. E era isto.

Eles são mesmo assim. Por alguma razão não fazem o haka – não conseguem colocar medo a ninguém. São abnegados, esforçados e bons rapazes, mas o jeito para a bola (redonda) não abençoou muita gente da ilha. Michael Boxall, entre todos, foi dos menos afortunados e esteve em destaque (negativo) esta tarde.

Aos 31’, no seguimento de uma recuperação de bola em terrenos adiantados, Glushakov picou a bola por cima de Marinovic, bateu no poste e, no meio da confusão, tudo ao molho e fé em Deus, o central empurrou para a própria baliza e fez o 1-0; aos 69’, no seguimento de um cruzamento da direita, colocou mal o pé na bola, falhou a interceção na área e Smolov empurrou para o 2-0.

Um dado histórico: depois de nomes como Amunike, Zé Roberto, Nakamura, Riquelme, Fernando Torres ou Neymar, o primeiro golo foi apontado por Boxall. Na própria baliza. Pela primeira vez. Fez-se história.

À exceção do minuto 77 da partida, onde Akinfeev teve de fazer uma defesa apertada para canto após remate de fora da área de Ryan Thomas e, no seguimento da bola parada, Zhirkov tirou o golo a Tommy Smith em cima da linha de golo, o jogo foi Rússia, Rússia, Rússia. Não em qualidade de jogo, mas em quantidade de jogo, sobretudo ofensivo mas sem profundidade. Ganhou por 2-0, podiam ter sido mais.

Arrancou a Taça das Confederações, amanhã há mais. E esperamos que seja melhor. Haja fé.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: broseiro@observador.pt

Só mais um passo

Ligue-se agora via

Facebook Google

Não publicamos nada no seu perfil sem a sua autorização. Ao registar-se está a aceitar os Termos e Condições e a Política de Privacidade.

E tenha acesso a

  • Comentários - Dê a sua opinião e participe nos debates
  • Alertas - Siga os tópicos, autores e programas que quer acompanhar
  • Guardados - Guarde os artigos para ler mais tarde, sincronizado com a app
  • Histórico - Lista cronológica dos artigos que leu unificada entre app e site