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Brexit

Brexit. Bom acordo sobre direitos dos cidadãos facilitará resto das negociações

O ministro dos Negócios Estrangeiros fez esta segunda-feira votos para que as negociações entre União Europeia e Reino Unido decorram da melhor forma possível.

O ministro dos Negócios Estrangeiros falou à margem de uma reunião de chefes diplomáticos da UE

OLIVIER HOSLET/EPA

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, fez esta segunda-feira votos para que as negociações entre União Europeia e Reino Unido decorram da melhor forma possível, considerando que “um bom acordo sobre os direitos dos cidadãos” seria o arranque ideal.

Quanto mais depressa chegarmos a um bom acordo sobre os direitos dos cidadãos — os direitos dos europeus residentes no Reino Unido e os direitos dos britânicos residentes na UE — melhores condições teremos para tratar dos assuntos seguintes, entre os quais certamente estarão as questões relacionadas com os compromissos financeiros”, declarou Augusto Santos Silva.

O ministro falava aos jornalistas à margem de uma reunião de chefes de diplomacia da União Europeia (UE), no Luxemburgo, no mesmo dia em que começaram formalmente, em Bruxelas, as negociações entre a União e Londres para a concretização do Brexit.

O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico (Boris Johnson””) fez questão de fazer declarações à imprensa à entrada desta reunião exprimindo justamente esse voto de que possa haver uma boa negociação que conduza a um acordo equilibrado, a uma saída negociada, e futuramente a uma relação muito próxima entre o Reino Unido e a UE. Eu faço meus esse votos.”

O ministro reiterou que o Brexit será sempre prejudicial para todas as partes, apontando que o importante, nas negociações que agora arrancaram, é minimizar ao máximo esses prejuízos.

“A saída do Reino Unido da UE é sempre um mau evento, um mau resultado, mas com negociações conduzidas com bom espirito e sentido de compromisso nós poderemos chegar a uma negociação o mais equilibrada possível e, portanto, limitar os prejuízos que do meu ponto de vista o Brexit acarretará para todos”, disse.

Questionado sobre uma eventual “marcha-atrás” do Reino Unido e as sucessivas declarações de responsáveis políticos europeus no sentido de que a porta da UE continua aberta, Augusto Santos Silva comentou que “se alguma vez ao longo deste processo o Reino Unido quiser reexaminar essa sua decisão, certamente não será pela Europa que ficará impedido de o fazer”, mas considerou esse cenário pouco provável.

“Eu sei que o povo britânico aprovou em referendo a saída do Reino Unido e sei que o parlamento britânico entende que esse é um compromisso que deve honrar. E, portanto, o nosso interesse é que as negociações decorram no melhor ambiente possível”, disse.

O negociador britânico para o Brexit, David Davis, disse esta segunda-feira em Bruxelas, no lançamento das negociações de saída do Reino Unido da União Europeia, que Londres quer um “tom positivo e construtivo” que permita alcançar uma parceria “forte e especial”.

“Iniciamos esta negociação num tom positivo e construtivo, determinados a construir uma parceria forte e especial com os nossos aliados da UE”, disse.

Davis falava ao lado do negociador europeu para o Brexit, Michel Barnier, que numa breve intervenção anunciou o “lançamento formal da retirada ordenada do Reino Unido da UE”.

“Há mais a unir-nos que a dividir-nos”, disse Davis sobre a relação entre Londres e Bruxelas, apesar do referendo de 23 de junho de 2016 que determinou o Brexit.

Michel Barnier disse, por seu turno, que as negociações devem “resolver primeiro as incertezas causadas pelo Brexit — para os cidadãos, mas também para os beneficiários das políticas europeias e para as fronteiras, em particular na Irlanda”.

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