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Aveiro

Operação Ajuste Secreto. Distrital do PSD vai “refletir” sobre candidato detido

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Presidente da câmara e candidato do PSD à câmara de Oliveira de Azeméis foi detido. Distrital de Aveiro não propõe já afastamento, pois vai "refletir" para perceber dimensão das acusações.

Os dirigentes do PSD têm dúvidas sobre a continuidade da candidatura do PSD à câmara de Oliveira de Azeméis, protagonizada pelo atual presidente, Isidro Figueiredo, por ser um dos detidos no âmbito da “Operação Ajuste Secreto”. O coordenador autárquico do PSD, Carlos Carreiras, remete uma decisão para a distrital de Aveiro. Por sua vez, o presidente da estrutura, Salvador Malheiro, diz ao Observador que as detenções — a envolverem ainda José Francisco Oliveira, presidente do PSD/Oliveira de Azeméis e o ex-autarca Hermínio Loureiro — foram uma “surpresa” e que é “prematuro” tomar a decisão de manter ou travar a candidatura. “É altura da justiça fazer o seu trabalho”, acrescenta.

O coordenador autárquico do PSD disse ao Observador que, como o candidato já foi aprovado e apresentado, “uma alteração de fundo compete à estrutura local e distrital“. Carreiras explica que, à luz dos estatutos, o facto de ter sido detido (e de eventualmente ser arguido) não afasta automaticamente Isidro Figueiredo da candidatura autárquica.

A bola está nas mãos da distrital, liderada pelo presidente da câmara municipal de Ovar. Salvador Malheiro começa por dizer ao Observador que ficou muito “surpreendido” com as detenções, mas defende que é altura da “justiça fazer o seu trabalho: à justiça o que é da justiça, à política o que é da política.” O presidente da distrital do PSD de Aveiro acrescenta ainda que é “prematuro tirar qualquer tipo de ilação das detenções para haver consequências”, já que é “tempo de refletir para perceber a verdadeira dimensão do que está em causa.”

Salvador Malheiro promete, no entanto, que irá tomar as “decisões necessárias” quando perceber melhor o que se passou. Lembra ainda que “até 7 de agosto, dia final para a entrega oficial da candidatura, há tempo para refletir.”

O PSD tinha grandes ambições de vencer a autarquia, enfrentando agora um problema se ficar sem candidato a menos de quatro meses das eleições. Hermínio Loureiro renunciou ao cargo de presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis em dezembro de 2016. Na altura justificou a decisão dizendo que “é muitas vezes mais importante saber sair da cena política, do que a ela se apresentar”. Já nessa época, várias fontes do PSD relacionavam a saída do ex-autarca com uma investigação que estaria em curso. Fontes da distrital do PSD temem o efeito desta detenção nas próximas autárquicas.

Quando anunciou a sua demissão da liderança da autarquia de Oliveira de Azeméis (e de uma série de outros cargos públicos que desempenhava), Hermínio Loureiro foi confrontado pelo Expresso com os rumores da existência de uma investigação judicial. O atual vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol disse então ser “um livro aberto” e convidou os “céticos” a questionarem o Ministério Público, a Polícia Judiciária e os tribunais sobre alguma investigação contra si.

Hermínio Loureiro e outras seis pessoas detidas por alegada corrupção e tráfico de influência

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