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A história, a arte e os media

A relação do Estado Novo de Salazar com os media, o terceiro filho de Lincoln pela escrita de George Saunders e a arte vista por Eduardo Lourenço são as escolhas de Bruno Vieira Amaral.

George Saunders

Wikimedia Commons

Autor
  • Bruno Vieira Amaral

Salazar, o Estado Novo e os Media
José Luís Garcia, Tânia Alves e Yves Léonard (coord.)
(Edições 70)

Na introdução ao livro, que reúne artigos académicos de investigadores como Jacinto Godinho, Eduardo Cintra Torres e Helena Lima, os coordenadores falam da “desconfiança visceral de Salazar face aos media”, uma desconfiança que teria certamente que ver com traços da personalidade do ditador mas também com a forma que o regime considerava mais eficaz para veicular, precisamente através dos media, uma determinada imagem do país e do poder. Em vez da retórica abrasiva do fascismo alemão e italiano, uma retórica discreta, aparentemente contrafeita e que casava na perfeição com a modéstia e a frugalidade tão do agrado do próprio Salazar.

Lincoln no Bardo
George Saunders (trad. José Lima)
(Relógio D’Água)

Willie Lincoln, o terceiro filho de Abraham Lincoln, morreu em 1862 aos onze anos, vítima de febre tifoide, um ano depois de o pai ter ido para a Casa Branca. Lincoln já tinha perdido um filho, Eddie, mas a morte de Willie deixou-lhe marcas mais profundas, sobretudo porque, na altura, o Presidente não tinha apenas de lidar com o seu luto pessoal mas também com o sofrimento de uma nação mergulhada na Guerra Civil. A morte do filho de Lincoln está no centro deste primeiro romance de George Saunders, reconhecido pelas suas coletâneas de contos, como Dez de Dezembro (publicada em Portugal pela Ítaca) e Pastoralia (a sair na Antígona, com tradução de Rogério Casanova), mas o que surpreende e arrebata, mais que o tema pungente, é a ousadia narrativa de Saunders, capaz de devolver a vida aos mortos.

Da Pintura
Eduardo Lourenço (transcrição, organização e prefácio de Barbara Aniello)
(Gradiva)

Este volume reúne ensaios, considerações, apontamentos breves, a maioria dos quais manuscritos e inéditos, de Eduardo Lourenço sobre a pintura e organiza-se em três secções: Estética, Exposições e Pintores, sendo que nesta última há desde um poema a Giotto escrito a lápis e encontrado num pedaço de papel a um texto para o catálogo da exposição Henri Fantin-Latour (1836-1904), do Museu Calouste Gulbenkian. Não é o que normalmente se designa de “leitura de verão”, mas segue na minha bagagem para ler entre mergulhos.

Bruno Vieira Amaral é crítico literário, tradutor e autor dos romances “As Primeiras Coisas” (vencedor do prémio José Saramago em 2015) e “Hoje Estarás Comigo no Paraíso”.

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