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Gumball 3000. Arranca a corrida mais louca do mundo (em que nem se corre)

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Começa hoje a edição de 2017 do Gumball 3000, conhecido como “a corrida mais louca do mundo”, mas onde há de tudo, menos corridas. Em compensação, há supercarros, superfestas e muita diversão.

Autor
  • Alfredo Lavrador

A denominação parece estranha e explicar o que é está longe de ser uma tarefa fácil. O Gumball 3000 é um evento incontornável, sobretudo para quem gosta de supercarros e para quem, durante pouco mais de uma semana, se queira alhear do mundo e divertir-se em actividades que conciliem veículos potentes, música, moda e entretenimento. Com ênfase no entretenimento.

Tudo começou em 1999, quando um grupo de ingleses solicitou a um amigo comum, Maximillion Cooper (ex-skater, ex-piloto, ex-director criativo, ex-designer de moda), que organizasse uma viagem de automóvel com uma pitada de aventura, através da Europa, onde as festas, a música e o convívio fossem uma constante em cada uma das cidades visitadas.

Maximillion Cooper, o pai do Gumball, organização avaliada pela Forbes em mais de 300 milhões de dólares, que começou por organizar um passeio de amigos

O evento foi um sucesso, tanto mais que, entre os muitos convidados das 50 equipas participantes, figuravam celebridades como Kate Moss, Jamiroquai, Guy Ritchie e Kylie Minogue, o que desde logo colocou o Gumball 3000 – porque era pressuposto percorrer qualquer coisa como 3.000 milhas (4.800 km) – no top dos temas a cobrir por publicações como a Esquire e a Vanity Fair, entre as muitas que se dedicam ao cinema, à música e ao social.

Cada vez mais popular. Até ao dia

Depois de na 1ª edição ligar Londres a Rimini, na costa italiana banhada pelo Adriático, o Gumball 3000 levantou voo. Literalmente. Não só a sua notoriedade cresceu a olhos vistos, como para a 2ª edição da prova, no ano 2000,os participantes partiram do londrino Marble Arch em direcção ao aeroporto, para regressarem à estrada apenas em Bilbau. Seguiu-se a travessia do norte de Espanha, sul de França e Itália, até Milão, antes de voltar à capital inglesa, mas não sem antes passar pela Alemanha e pelo circuito de Nürburgring.

Se em 2001 a prova consistiu numa ida e volta de Londres a São Petersburgo, amplamente coberta pela MTV e pela BBC, no ano seguinte o Gumball atravessaria pela primeira vez o Atlântico, para ligar Nova Iorque a Los Angeles, com um pit stop obrigatório na mansão Playboy. Em 2003, o evento continuaria por terras americanas, desta vez a ligar São Francisco a Miami, a que se seguiu o Paris-Marrocos-Canes, o Londres-Monte Carlo, com passagem por Roma e Florença, e o Londres-Belgrado, Banguecoque (na Tailândia), Salt Lake (nos EUA), apenas para terminar, with a bang, na mansão Playboy, em Los Angeles. Se quer ter uma ideia do ambiente, espreite aqui:

Cada vez com mais concorrentes e com custos a crescer a igual ritmo – devido à extensão da viagem e à necessidade de transportar equipas e carros –, o Gumball 3000 foi vítima da sua própria popularidade em 2007, na edição que foi de Londres a Istambul, percorrendo 16 países em oito dias. O custo de participação atingiu 41.000€ por carro participante, mas a prova foi marcada por série de excessos de velocidade, multas, carros apreendidos e um acidente grave na Macedónia, que vitimou dois habitantes locais. A organização respondeu aos excessos refreando os ímpetos dos concorrentes, relembrando-os que se deslocam em estradas abertas ao público e sujeitas às regras e limites impostos por cada um dos países visitados. E, para reforçar a mensagem, o Gumball regressou aos EUA nas duas edições seguintes, país que lida de forma tão severa com os limites de velocidade que retira a vontade de prevaricar mesmo aos mais afoitos.

Loucura mais civilizada

Londres voltou a acolher a partida da prova em 2010, numa viagem que terminaria em Nova Iorque, com a tónica do evento reforçada no capítulo do espectáculo e da animação generalizada. Até os concorrentes alinharam por esta bitola, pois aos habituais superdesportivos juntou-se desta vez o Batman. Ou, pelo menos, uma réplica do seu Batmobile, utilizado por Michael Keaton em “Batman” e “Batman Returns”.

Em 2011 e 2012, o Gumball 3000 entrou em maré de regressos, primeiro ao trajecto Londres-Istambul e depois ao Nova Iorque-Los Angeles, para, em 2013, na edição do 15º aniversário, desafiar os participantes a irem de Copenhaga ao Mónaco, depois de visitar o leste europeu. Aqui, mais uma vez, houve uma pitada da Sétima Arte, com uma das equipas a fazer-se deslocar num outro Batmobile, desta vez o Tumbler, talvez o mais brutal dos carros de Batman, utilizado em “Batman Begins”, “The Dark Knight” e “The Dark Knight Rises”.

Festa sim, solidariedade também

Em 2013 surgiu a Fundação Gumball 3000 que, essencialmente, reúne donativos entre os participantes, distribuindo-os por organizações que ajudam as crianças das regiões mais necessitadas, como a Nelson Mandela Children’s Fund.

Nesta edição, a fundação reuniu cerca de 250 mil euros, que era o objectivo, graças a um sistema em que a ordem de partida é determinada pela contribuição de cada participante. Razão pela qual parte da pole position a equipa 53, que reuniu 28.500€, não deixando de ser curioso que dos 135 à partida, 36 tenham contribuído com… nada – com mais de 50 equipas a ficarem abaixo da fasquia dos 60€, segundo os dados da organização. Veja aqui alguns dos veículos que este ano se apresentam à partida:

De Riga a Míconos, em oito dias

O Gumball 3000 deste ano liga a Letónia à Grécia, partindo hoje de Riga, durante a manhã, e terminando em Míconos, a 8 de Julho, embora os concorrentes cheguem à ilha grega no dia anterior. De caminho visitam Varsóvia e Cracóvia, na Polónia, e Budapeste, na Hungria. Segue-se Dubrovnik (Croácia), Porto de Montenegro (Montenegro), Tirana (Albânia) e Volos, já na Grécia, a que se segue uma paragem em Atenas e, por fim, Míconos, com apenas 10 mil habitantes e conhecida como a ilha do vento, graças aos seus característicos moinhos.

Com 135 equipas à partida, o difícil é determinar qual a marca mais popular entre os participantes, sendo certo que se a Ferrari está muito bem representada, a Rolls-Royce, Porsche, Lamborghini e Audi não lhe ficam atrás.

Mas nem tudo são superdesportivos, pois há veículos de peso. Aqui o destaque vai para o Team 50, Masters of Speed, que se desloca num modelo nada condizente com nome da equipa: um Mercedes-Benz Actros, um tractor de semi-reboque que certamente será muito útil para “puxar” algum outro concorrente de uma situação aflitiva.

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