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Maquilhagem

A beleza está longe de ser sempre branca: eis a Black|Up

Nasceu para responder às necessidades da pele negra que, em outras marcas, não conseguia encontrar produtos adequados. Hoje, procura chegar à mulher portuguesa -- independentemente da cor da pele.

Autor
  • Helena Magalhães

Estávamos em 1999. A boneca Barbie celebrava 40 anos, o primeiro telefone Blackberry era lançado e, curiosamente, também a (agora banal) tecnologia Bluetooth, a cantora Britney Spears lançava Baby One More Time e o filme “Matrix” estreava-se nas salas de cinema. Tudo isto são coisas, hoje em dia, mais ou menos triviais mas que tiveram um pequeno grande impacto no mundo. No que toca a beleza, nascia a Black|Up em França. E não falamos apenas de mais uma marca de maquilhagem num universo que já viu nascer tantas outras. Fabrice Mahabo, o fundador, tinha um objetivo em mente que, sem saber, viria, de facto, a ter um grande impacto no mundo: responder às necessidades de beleza das mulheres negras que, nas outras marcas, não conseguiam encontrar os produtos adequados.

Ina Thera, International Sales Manager da marca, esteve em Portugal e falou com o Observador sobre maquilhagem, sobre a pele negra e, acima de tudo, deu-nos a conhecer uma marca que se distingue de outras na qualidade e que, afinal, procura chegar à mulher portuguesa — independentemente da cor da pele.

Chegámos a 2017 e a beleza ainda é centrada na mulher caucasiana

Quem o diz é Ina Thera, referindo-se a todas as mudanças que já aconteceram no mundo mas que, no final do dia, ainda se focam muito na beleza da pele branca. “Por exemplo em França, na televisão ou na imprensa, a mulher negra ainda não está bem representada. Mesmo para nós, existimos desde 1999 e não estamos nas revistas nem somos bem representados como uma marca. A nossa consumidora não está bem representada. E é muito difícil entrar numa perfumaria, sendo uma mulher de pele de cor, e conseguir ver-se representada em todas as opções que existem no mercado. Ainda há muito poucas respostas, poucos produtos. Atualmente, muitas marcas, como Estée Lauder e MAC, estão a criar tons mais escuros nas suas bases para chegar a mulheres de pele escura, e isso é ótimo porque são mais respostas, mas, mais uma vez, mesmo estas mudanças não são realmente focadas na mulher negra. Nós não temos cores adequadas à nossa pele como a mulher branca tem. As marcas fazem apenas bases com pigmentos mais escuros nas suas fórmulas e o que acontece é que o pigmento é escuro, está certo, mas não vai funcionar exatamente da mesma forma na nossa pele”, explica.

Na verdade, quando olhamos para a paleta de cores da maioria das marcas, a conclusão é óbvia: existe uma variedade enorme de tons para mulheres caucasianas e talvez dois ou três mais escuras. Foi exatamente aqui que Black|Up focou a sua investigação. “Quando aplicamos uma base escura numa pele negra, a maioria vai criar um aspeto de pele cinzenta porque as marcas não trabalham com os subtons certos das peles negras. E isso é o mais importante”, refere Ina.

A importância dos subtons na maquilhagem

Ina explica-nos que, normalmente, as marcas trabalham com subtons rosa, beijes ou laranjas — o normal na mulher caucasiana – mas isso não funciona de todo com as peles negras. “Na nossa marca, o primeiro subtom que vão encontrar na base mais clara é o amarelo. Depois passamos para o subtom laranja (e não beije) e à medida que a base vai escurecendo, o subtom passa a vermelho mas nem é bem um vermelho, é uma espécie de laranja escuro. Na pele mesmo muito escura, o subtom já será azul, embora nós não o tenhamos porque não é muito comum.”

A Black|Up focou-se, então, em criar seis famílias de tons para conseguir ajustar-se a exatamente a todas as mulheres de pele escura. Assim, e para conseguir compreender mais ou menos as diferenças, a família zero, a mais clara, corresponde por exemplo aos tons de pele Kim Kardashian. A família um a uma Alicia Keys, a família dois a uma Halle Berry e por aí fora até chegar à última família, a seis, que corresponde, por exemplo, a Lupita Nyong’o. Viriam a ser as bases a tornar-se o principal bestseller da marca: “Com a Black|Up, dificilmente uma mulher negra terá de misturar tons para encontrar aquele que vai assentar perfeitamente na sua pele. Normalmente, todas as mulheres encontram connosco o tom certo à sua pele”, acrescenta Ina.

Da esquerda para a direita: Kim Kardashian, Alicia Keys, Halle Berry Lupita Nyong’o. Fotografias Instagram

O segredo de uma marca está nos seus pequenos detalhes

Falando, por exemplo, de batons, não há grande ciência por trás: normalmente são à base de cera branca (para fazer a textura), à qual se adicionam pigmentos. Ina explica-nos que, enquanto companhia, fizeram o mesmo mas ficaram desapontados porque, nos lábios de uma mulher de cor, acabavam por se notar diferenças entre a cor do batom e a que realmente ficava nos lábios. “Além disso, uma das especificidades de muitas mulheres de cor é terem diferentes tons nos lábios — o superior pode ser mais claro que o inferior –, então, aquilo que vão procurar é um batom que ofereça cobertura total e cor real porque muitos acabavam por ficar de uma cor num lábio e de outra cor no outro. Nós tentámos trabalhar nisto e encontrar uma solução porque era um problema a que nenhuma marca prestava muita atenção. Encontrámos, então, uma cera diferente, que é transparente, à qual adicionámos pigmentos — mesmo muitos pigmentos — para ter uma cobertura total em que, mesmo quem tem tons de lábios diferentes, a cor vai ficar exatamente igual.”

O que é que aconteceu? Quando a Black|Up lançou os seus batons, as vendas triplicaram porque foi a primeira vez que uma marca conseguiu criar um batom que tinha exatamente a mesma cor na embalagem e nos lábios.

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A meio da conversa, Ina diz-nos que outra das preocupações da marca é que todos — mesmo todos — os produtos sejam oil-free e tenham acabamento mate. E qualquer mulher de cor vai relacionar-se imediatamente com isto. “A maioria das mulheres negras tem problemas de controlo e hiperprodução de sebo porque é a forma como a própria pele se está a proteger. E no final do dia, mesmo que a pele esteja protegida e as mulheres usem cosméticos próprios, a maioria tem um aspeto brilhante, nem que seja, pelo menos, na zona-T. Então, tivemos de trabalhar cientificamente nisto em todos os produtos, tanto os cremosos como os pós.”

Dizem que a pele negra não envelhece nem tem rugas — o que até pode ser verdade –, mas Ina acrescenta que, para a maioria das mulheres de cor, os problemas com a idade nem são bem esses mas sim a descoloração. “Preocupámo-nos em criar bases e corretores, além de mate, com cobertura forte para tapar estas descolorações. Quando falamos destas texturas, a maioria dos produtos vai agir mais ou menos bem numa pele branca. Mas assim que os colocamos numa pele escura, o resultado é completamente diferente. Então, colocámos vários pigmentos nos nossos produtos para ter a certeza que, em diferentes tons de pele, eles não iriam mudar de cor”, explica.

E isto é algo que todas as mulheres querem e não só as de pele negra: uma boa pigmentação, uma boa cobertura e um bom acabamento.

“Não somos uma marca de nicho”

Ina faz questão de reforçar que, nos últimos 18 anos, a marca mudou, cresceu, está a tornar-se mais universal mas nunca perdeu a sua ideologia inicial – ser uma resposta de qualidade para qualquer mulher de cor. O que vai bater na tecla do ser, ou não, uma marca de nicho. “Não somos uma marca de nicho, somos até bastante universais. Talvez o nosso o único produto que uma mulher caucasiana não possa usar sejam as bases que são todas de pigmentos escuros. Mas tudo o resto é universal e de elevada qualidade. O nosso Matte Definition Universal Powder (ver na fotogaleria) é um tom único que todas as mulheres podem usar. Tem um resultado transparente e numa pele clara vai dar uma espécie de tom quente (não tanto quanto um bronzer) e numa pele escura vai dar brilho e luz.

E a verdade é que a marca que, em 1999, foi pioneira ao focar-se essencialmente numa resposta para mulheres de cor, continua a estar na vanguarda no universo da beleza e a criar produtos novos e diferentes (que pode ver na fotogaleria). Uma coisa que provavelmente não sabia é que foi a Black|Up a primeira marca a lançar um “duo stick” de contornos que, atualmente, já existe em muitas outras. “Naquela altura, estávamos ainda no início da moda dos contornos e vimos que as mulheres só o conseguiam fazer com produtos diferentes — um para dar sombra e outro para iluminar. Procurámos uma forma fácil de dar à consumidora os dois produtos num só”, explica Ina.

Objetivos para o futuro e para a mulher portuguesa

A marca, que em Portugal se encontra à venda nas lojas Perfumes&Companhia, procura continuar a apostar naquilo que mais a define: uma marca de luxo com produtos de elevada qualidade. “A estratégia que temos para Portugal é a mesma que temos para todo o mundo porque vemos na mulher portuguesa uma boa consumidora e sabemos que é um país onde vivem muitas mulheres que vêm dos países africanos como Guiné e Cabo Verde. Além da qualidade, queremos focar-nos na parte profissional e artística e, em Portugal, apostamos também nos nossos três “a”: aplicação, aplicação, aplicação. Nas lojas Perfumes&Companhia temos profissionais a ajudar as mulheres portuguesas a conhecer a marca e a forma como ela é aplicada na sua pele. Porque só depois de uma mulher ver os produtos em si é que vai ficar convencida da qualidade e da especificidade de cada um”, refere Ina.

Na fotogaleria, em cima, conheça alguns dos bestsellers da Black|Up que pode encontrar à venda em Portugal.

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