Elétricos

Marcas temem metas da China para os eléctricos

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A China quer impor um rápido aumento do número de automóveis eléctricos a circular nas suas estradas. A maioria dos fabricantes teme não cumprir as novas normas, e tenta demover o Governo de Pequim.

Autor
  • António Sousa Pereira

No que aos veículos eléctricos diz respeito, é cada vez mais evidente a distância entre as pretensões dos políticos e a capacidade dos fabricantes para satisfazê-las. Na China, o maior mercado automóvel do mundo, a indústria tenta, uma vez mais, convencer as autoridades de Pequim a rever os seus objectivos em termos de electrificação, logo, as regras criadas para tentar implementá-los e, por consequência, as penalizações para os que não as cumpram.

O Executivo chinês pretende que, já a partir de 2018, 8% das vendas de automóveis novos no país sejam asseguradas por modelos eléctricos, fasquia que aumenta rapidamente para 12% em 2020. O que levou a que praticamente todos os construtores de dimensão global (à excepção da Tesla) tenham subscrito uma carta enviada ao Governo chinês, na tentativa de que este reduza drasticamente as metas acima referidas.

Segundo avança a revista WirtschaftsWoche, as associações dos construtores de automóveis europeus (ACEA), japoneses (JAMA) e coreanos (KAMA), e ainda o American Automotive Policy Council (representante da Fiat Chrysler Automobiles, da Ford e da General Motors), enviaram conjuntamente uma carta ao ministro da Indústria e da Tecnologia chinês solicitando alterações significativas às normas a implementar já a partir do próximo ano. Nessa missiva, os subscritores reiteram partilhar as mesmas preocupações no que diz respeito às regras de implementação dos automóveis eléctricos no território, propondo seis alterações às ditas, mas garantindo que os objectivos acabarão por ser cumpridos.

Estima-se que cerca de 4.000 pessoas morram diariamente, na China, devido à poluição atmosférica

Entre as propostas de alteração incluem-se, por exemplo, o adiamento da entrada em vigor das novas regras de um para três anos (iniciando-se, pois, em 2021), a revisão do sistema de penalizações para quem não cumpra as quotas definidas e a atribuição de créditos não apenas para veículos 100% eléctricos, mas também para os híbridos plug-in. No fundo, tentando tornar mais suaves aquelas normas, de modo a que não tenham que ser produzidos e vendidos tantos automóveis eléctricos.

O que parece que o documento não contempla é o impacto destas propostas de alteração noutros domínios que não o da produção e comércio automóvel. Crê-se que, na China, cerca de 4.000 pessoas morram diariamente devido à poluição atmosférica, com a iniciativa em apreço a integrar-se numa campanha destinada a reduzir essa mesma poluição nas grandes cidades do país, e o seu impacto na saúde das populações.

Convém não esquecer, ainda, que a China é o país do mundo que mais rapidamente está a adicionar energia eléctrica proveniente de fontes renováveis à sua grelha de consumo, o que ajudará a tornar os automóveis eléctricos ainda menos poluentes, sobretudo se recarregados durante a noite (como ocorrerá na maioria dos casos).

Do lado dos fabricantes, também parece ser cada vez mais óbvio que, apesar de quase todos concordarem que o automóvel eléctrico é o futuro do sector, dificilmente o respectivo tempo de implementação se coaduna com as ambições dos responsáveis políticos da maiora dos estados mais desenvolvidos.

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