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Venezuela

Venezuela. Mais de 7 milhões desafiam Nicolás Maduro

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Mais de 7 milhões de eleitores votaram na consulta simbólica contra o projeto de Assembleia Constituinte promovido pelo Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

As urnas registaram grande afluência inclusive em zonas tradicionalmente afetas ao chavismo

MIGUEL GUTIERREZ/EPA

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  • Agência Lusa

Mais de 7,1 milhões de eleitores votaram na consulta simbólica contra o projeto de Assembleia Constituinte promovido pelo Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou a oposição.

“Com 95% dos votos escrutinados, participaram 7.186.170 venezuelanos” na consulta popular organizada pelos opositores do Presidente, Nicolás Maduro, para se pronunciarem sobre a alteração constitucional promovida pelo Executivo, informou, em conferência de imprensa, a reitora da Universidade Central da Venezuela (UCV) e membro da comissão de garantias do plesbicito, Cecilia García Arocha.

“Esta ação, realizada pela população venezuelana, é uma mensagem clara e contundente, a nível nacional e internacional”, de que a população “quer uma mudança” de Governo “através da democracia”, sublinhou.

Os venezuelanos foram convocados, no domingo, pela oposição, para participarem num plebiscito simbólico contra o projeto de Assembleia Constituinte do Presidente Nicolás Maduro. O plebiscito ocorreu após mais de três meses de intensos protestos, durante os quais pelo menos 94 pessoas morreram.

Naquele que a oposição designou como o maior ato de “desobediência civil”, os venezuelanos deviam responder se apoiam, ou não, a Assembleia Constituinte, promovida por Maduro e convocada para 30 de julho.

Nesta votação, os eleitores pretendem exigir que as Forças Armadas defendam a atual Constituição e apoiem o parlamento, onde a oposição detém a maioria, afastando-se do Governo. A consulta incluía uma terceira pergunta sobre se aprovavam uma renovação dos poderes públicos, a realização de eleições livres e a formação de um governo de unidade.

O número de participantes na consulta simbólica, referido pela oposição venezuelana, é inferior aos 7,7 milhões que votaram nos candidatos da oposição nas eleições legislativas de 2015, garantindo ao campo dos adversários de Maduro o controle do parlamento.

Também no domingo, os apoiantes de Maduro foram às assembleias de voto num ensaio para a votação de 30 de julho para eleger os membros da assembleia que vão redefinir a constituição da Venezuela de 1999.

O plebiscito teve lugar após três meses de contínuos protestos violentos contra o Governo de Nicolás Maduro, durante os quais pelo menos 93 pessoas morreram.

O dia da consulta popular fica marcado por violência, que resultou na morte de uma mulher de 61 anos e em quatro pessoas feridas a tiro, quando um grupo de homens armados disparou contra um dos postos de voto no referendo promovido pela oposição, relataram várias fontes.

Grande afluência também em bastiões chavistas

As urnas registaram grande afluência, inclusive em zonas tradicionalmente afetas ao chavismo. Em Cátia, a oeste de Caracas, uma das zonas tidas como bastião do chavismo, pelas 15h locais (19h em Lisboa), mais de meio milhar de pessoas permaneciam à espera para votar, junto da Igreja de Nossa Senhora del Carmen.

Nesse mesmo lugar, onde pouco antes votou o arcebispo de Caracas, Jorge Urosa Savino, integrantes dos coletivos (motociclistas armados afetos ao regime) atacaram as pessoas que pretendiam votar, em três ocasiões. Segundo o autarca Jesus Armas, perante os ataques, as pessoas refugiaram-se dentro da Igreja e tiveram de desmontar temporariamente as urnas de voto, com os coletivos a tentarem entrar violentamente no templo religioso, causando um número indeterminado de feridos. Em várias ocasiões, os coletivos tentaram levar o material eleitoral, mas foram impedidos pela população.

Ainda na capital, em San Agustín (centro), outra zona tradicionalmente chavista, 300 pessoas esperavam para votar quando apareceram os coletivos e destruíram o material eleitoral. Perante a situação, a população dirigiu-se em grupo até outro centro eleitoral, em Parque Carabobo, nas proximidades do Ministério Público.

Em Artigas (oeste) houve registos de grandes filas para votar, numa situação análoga à que se registou em El Valle (sul), localidade onde tradicionalmente os candidatos da revolução bolivariana têm conseguido a maioria dos votos. No leste de Caracas, onde a oposição lidera as preferências, registou-se também grande afluência de pessoas nos centros eleitorais de Chacaíto, Chacao, Baruta, Las Mercedes, entre outros.

No interior do país, segundo a imprensa local, e quando faltava meia hora para encerrar as urnas, havia grande afluência de pessoas nos Estados de Carabobo, Arágua, Lara, Zúlia, Mérida e Táchira, entre outros. No sul da Venezuela, no Estado de Amazonas, alegados funcionárias das forças de segurança atacaram vários sítios de voto com bombas de gás lacrimogéneo, fazendo com que as pessoas corressem, se protegessem e regressassem depois para participar na consulta.

No Estado de Yaracuy (centro do país), funcionários da polícia de San Felipe, tentaram, segundo a oposição, impedir a consulta popular, intimidando as pessoas.

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