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Crime

10 dias de terror: uma cronologia dos homicídios que abalaram uma pequena cidade na Pensilvânia

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Quando Jimi Patrick, de 19 anos, desapareceu na noite de 5 de julho, nada fazia acreditar que se tratasse de um dos maiores casos de homicídio já vistos no estado da Pensilvânia.

Quatro cadáveres foram encontrados na mesma prioridade, todos ligados a um jovem: Cosmo Dinardo

Jimi Patrick desapareceu a 5 de julho, em Newtown Township, no estado norte-americano da Pensilvânia. Dois dias depois, eram já três os jovens dados como desaparecidos. Revelou-se um dos casos mais macabros de homicídio alguma vez registado na Pensilvânia — e foi resolvido em dez dias, com o auxílio da polícia estatal, do FBI e de uma equipa de reportagem da CNN, que consolidou os acontecimentos numa cronologia.

Dia 1

Neste dia, Jimi Patrick, de 19 anos, sai de casa, em Newtown Township, pelas 18h00 para se encontrar com Cosmo Dinardo, de 20 anos, para comprar cerca de 2 quilogramas de marijuana, por cerca de 7.400 euros, de acordo com a queixa apresentada.

Uma fotografia colocada por Dinardo no seu Twitter, onde mostra a arma ilegal que terá sido usada

Dinardo tem histórico de perturbações mentais, nomeadamente esquizofrenia, tendo já sido retido em instalações psiquiátricas contra a sua vontade. Era conhecido pelas autoridades, por registar mais de 30 detenções feitas desde 2011. Em fevereiro, foi detido por posse de arma ilegal mas as acusações caíram por terra graças a um diagnóstico de doença mental.

Nessa noite, Dinardo e Patrick conduziram até uma quinta da família de Dinardo. Aí, e de acordo com o testemunho de Dinardo quando foi detido, o jovem de 19 anos só tinha 800 dólares: que trocou por uma caçadeira. Minutos depois, abatia Patrick com uma espingarda. Enterrou o corpo de Patrick a poucos metros da quinta.

Dia 2

O avô de Patrick, Richard, dá conta do desaparecimento do neto na esquadra de Newtown e garante que o jovem saiu de casa na noite anterior.

Dia 3

Sean Kratz (Crédito: Polícia de Bucks County)

De acordo com o registo de pessoas desaparecidas, a polícia pediu ajuda para encontrar Patrick, que não apareceu no trabalho (num restaurante). Também neste dia, e de acordo com uma queixa, Dinardo encontra-se com outro jovem: Dean Finocchiaro, para lhe vender droga no valor de 700 dólares.

Antes do encontro, Dinardo reuniu-se com o seu primo, Sean Kratz, de 20 anos, que também somava várias detenções no cadastro: todas relacionadas com roubo ou violência. Juntos, concordaram que em vez de vender a droga ao jovem Finocchiaro o iriam assaltar. Kratz recebeu de Dinardo uma arma Smith-and-Wesson.

Os dois primos encontraram-se com o jovem Finocchiaro e levaram-no, tal como fizeram com Patrick, para a propriedade da família Dinardo. Finocchiaro foi abatido num barracão. Kratz garantiu à polícia ter sido o primo a matar o jovem e Dinardo não nega, mas garante que Kratz baleou Finocchiaro primeiro.

A polícia avançou que Dinardo enrolou o cadáver de Finocchiaro numa lona azul e colocou-o num tanque de metal a que chamava de “assador de porcos”.

Nesse mesmo dia, Dinardo combinou um negócio semelhante com o jovem Thomas Meo, de 21 anos, que se fez acompanhar do amigo e colega de trabalho, Mark Sturgis, de 22 anos.

Dinardo encontrou os jovens e eles seguiram-no num Nissan Maxima de 1996 até à propriedade de Dinardo. Um radar deu conta de os dois carros terem passado na mesma estrada com segundos de intervalo.

Mal chegaram à propriedade, onde os esperava Kratz, balearam Meo nas costas, que caiu no chão “a gritar”. O colega, Sturgis, tentou fugir e foi abatido. Com Meo ainda vivo, Dinardo, que ficou sem munições, decidiu passar-lhe com o carro por cima, “esmangando-o”, confessou à polícia.

Dinardo usou a mesma retroescavadora com que enterrou os outros dois jovens para colocar os dois cadáveres no mesmo tanque de metal onde estava Finocchiaro. De seguida, incendiou o tanque e tanto Dinardo como Kratz saíram da propriedade sem enterrar os três corpos.

Ao fim do dia, Finocchiaro não apareceu no trabalho e a mãe, Bonnie, contactou as autoridades.

Dia 4

Meo e Sturgis faltaram ao trabalho e a mãe de Meo, Melissa, contactou a mesma esquadra para dar o filho como desaparecido.

Na tarde desse dia, Dinardo e Kratz regressaram à quinta e usaram a retroescavadora para cavar um buraco de 3,80 metros (a poucos metros da sepultura de Patrick). Nesse buraco enterraram o “assador de porcos” com os três cadáveres: Fenocchiaro, Meo e Sturgis.

Dinardo entregou duas armas a Kratz e, pelas 17h00, combinou a venda do Nissan de Meo por 500 dólares.

Dia 5

Um dia depois do desaparecimento oficial de Meo, os pais de Sturgis contactam as autoridades a dar conta do seu desaparecimento.

A polícia localizou o carro de Sturgis na zona, às 2h10, e a menos de três quilómetros de onde os jovens foram mortos. Pelas 4h00, encontram o carro de Meo perto da propriedade de Dinardo: as chaves e os documentos do carros estavam pendurados dentro da garagem. O kit de diabetes de Meo estava dentro do carro: a família garantia que o jovem dependia da insulina e que não a deixaria para trás.

A polícia de Bucks Country interrogou Dinardo pelas 14h30: os agentes perguntaram ao jovem qual a sua ligação a Finocchiaro no dia em que este desapareceu e Dinardo disse à polícia que levou Meo até Langhorne “para uma grande compra de coca”. Acrescentou que convenceu o jovem a não fazer o negócio e que foram pescar. Ao mesmo tempo, nega ter estado perto da zona dos crimes.

Mais tarde, os mesmos polícias interrogam o jovem que se ofereceu para comprar o Nissan de Meo: o jovem apontou na direção de Dinardo.

Dia 6

Da esquerda para a direita: Jimi Patrick, Thomas Meo, Dean Finocchiaro e Mark Sturgis (Crédito: Polícia de Bucks County)

Com quatro jovens desaparecidos, as autoridades elevaram o nível e pediram reforços. A equipa de investigação passou a incluir cinco departamentos de polícia, os detetives de Bucks County, a polícia estatal e o FBI. Cães de buscas levados para o local.

Durante todo o dia, as buscas concentraram-se em dezenas de locais mas o sinal de um telemóvel de um dos jovens levou as autoridades até à quinta de Dinardo. Um mandado de buscas foi emitido, na esperança de encontrar os jovens vivos.

Nesse mesmo dia, a polícia deteve Dinardo por acusações de uso indevido de armas (o crime datava de fevereiro). A fiança fixou-se em 1 milhão de dólares.

Dia 7

Cerca de 50 membros das autoridades conduziram buscas na propriedade de Dinardo. O pai do jovem pagou 10% da fiança em dinheiro e Dinardo saiu em liberdade.

Testemunhas dão conta de material de escavação a ser usado e de várias tendas a serem montadas. Neste dia, Dinardo era “uma pessoa de interesse”, mas não era formalmente acusado de nenhum crime relacionado com a investigação.

Dia 8

As autoridades dão conta de várias “provas relevantes”, mas a investigação segue “sem certezas”. A polícia voltou a deter Dinardo, desta vez por ter roubado e tentado vender o veículo de Meo (um dia depois deste desaparecer). O juiz fixou a caução nos 5 milhões de dólares, e descreveu Dinardo como “um sério risco”.

Poucas horas depois, seria descoberto o corpo da primeira vítima — Finocchiaro — e uma dezena de outros restos humanos não identificados. Mais tarde, foram confirmados como sendo de Meo e Sturgis.

Numa conferência de imprensa dada ao fim da noite, a polícia anunciou a descoberta dos corpos numa “vala comum” e louvou o trabalho dos cães de busca: “Isto é um homicídio, não tenham dúvidas disso. Só não sabemos quantos homicídios…”

Dia 9

Os detetives voltaram a interrogar Dinardo pela segunda vez. O jovem admitiu ter mentido no primeiro interrogatório e confessou o seu envolvimento (e o de Kratz) nos homicídios. Explicou, com detalhe, tudo o que fez.

Deu a indicação de onde poderia ser encontrado o corpo de Patrick e, em troca da informação, as autoridades aceitaram não exigir a pena de morte no julgamento de Dinardo.

Kratz foi detido no fim desse dia e garantiu não ter morto ninguém.

Dia 10

O procurador-geral do condado apresentou queixa formal contra Dinardo e Kratz, acusando-os de vários crimes de homicídio, roubo e abuso de cadáver, entre outros crimes.

Dinardo enfrenta quatro acusações de homicídio e Kratz três. Em tribunal, o juiz não ofereceu a possibilidade de confissão do crime e aplicou prisão preventiva sem caução. O julgamento inicia-se agora.

À saída do tribunal, o procurador-geral mostrou-se incrédulo com a confissão de Dinardo: “Não sei o que o levou a confessar o crime. Quero acreditar que ele nos quis ajudar a devolver estes jovens aos pais”.

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