Circuito Mundial de Surf

O orgulho de Frederico Morais no pódio do Open J-Bay: “É fantástico poder representar Portugal”

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Estava cabisbaixo após perder a final em J-Bay, mas nem por isso esqueceu as origens no pódio: com uma bandeira de Portugal à cintura, Kikas agradeceu o apoio numa "semana de loucos"... em português.

@ WSL / Cestari

Frederico Morais tinha deixado o aviso após a fantástica vitória frente a John John Florence nos quartos-de-final, quando igualou a melhor participação de sempre de um surfista português no World Tour: “Tudo isto é fantástico, mas devemos querer sempre mais”. Ele sonhou, a obra nasceu: nas meias-finais, depois de Mick Fanning e do atual campeão em título, ganhou a outro antigo vencedor mundial, Gabriel Medina. Tornou-se assim o primeiro português de sempre a chegar à final de uma etapa do Circuito, perdendo apenas contra Filipe Toledo.

Três dias históricos mereciam um final mais feliz: Frederico Morais fica no segundo lugar em Jeffreys Bay

O surf é um mundo com muito fair-play. É uma competição, sim, mas acabam por passar mais tempo uns com os outros dentro de água do que com as famílias. Criam-se laços, nascem amizades. Kikas foi muito saudado no regresso ao areal após a bateria decisiva, por adversários e espetadores. Agradeceu, sempre, com um sorriso nos lábios. Mas os momentos que antecederam a chegada ao pódio para receber o troféu de segundo classificado, com uma bandeira de Portugal à cintura, mostraram um jovem orgulhoso do que fez mas cabisbaixo por querer ainda mais e mais.

“Adoro Jeffreys Bay, apaixonei-me logo. As pessoas são muito simpáticas, as ondas são fantásticas, o clima é muito parecido com o que tenho no meu país, o vibe que se sente aqui é espetacular. É um local inesquecível e só posso agradecer a todos os fãs por terem vindo hoje a mais um dia e por nos terem apoiado durante toda a semana. Sinto que estou em casa e esse é o melhor sentimento possível“, começou por referir o surfista nacional, que deu mais um salto na classificação geral, reentrando no top-15 dos melhores do ano.

Foi a minha primeira final de sempre. É fantástico, uma grande mistura de sentimentos. Estar na água com Mick [Fanning], John John [Florence], Gabriel [Medina], Filipe [Toledo]… Foi uma semana de loucos. Defrontar campeões mundiais obriga a que estejamos sempre em grande, são campeões mundiais, os melhores surfistas do mundo e para conseguir ganhar temos de nos preparar para tudo, acreditando que é possível. Ser treinado pelo Dog Marsh [Richard Marsh] tem sido uma excelente ajuda, é o melhor treinador do mundo”, resumiu sobre a etapa em Jeffreys Bay, antes de deixar uma palavra para todo o apoio que recebeu de Portugal.

“É fantástico poder representar Portugal e ser o primeiro português a chegar a uma final do World Tour. Foi o Tiago que introduziu o país no surf a nível mundial. Quero agradecer a todos aqui, em casa. Obrigado Portugal!”, concluiu, numa pergunta que recordou a figura de Saca Pires no Circuito Mundial.

Com um pormenor: falou sempre em inglês, como é normal, menos na última frase. O “Obrigado Portugal!” saiu no pódio de Jeffreys Bay, na África do Sul, em bom português. E todos nós conseguimos ouvir e perceber por cá.

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