Presidente Trump

Sean Spicer, o porta-voz de Donald Trump que apresentou “factos alternativos”, demite-se

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O porta-voz e assessor de imprensa de Donald Trump, Sean Spicer, abdicou do cargo depois de discordar de o Presidente ter contratado um diretor de comunicação.

Sean Spicer, apoiado por outras figuras dentro da equipa de Donald Trump, não terá gostado da escolha do Presidente para o novo diretor de comunicações da Casa Branca

Getty Images

O porta-voz e assessor de imprensa de Donald Trump, Sean Spicer, demitiu-se do seu cargo esta sexta-feira. A notícia foi avançada pelo The New York Times, que escreve que na origem da demissão está a contratação de Anthony Scaramucci para novo diretor de comunicação para a Casa Branca por parte de Trump.

De acordo com aquele jornal, Spicer ter-se-á oposto fortemente àquela contratação e ofereceu o seu lugar. O Washington Post escreve que Scaramucci tinha uma relação “tensa” com o porta-voz de Trump e também com o seu chefe de gabinete, Reince Priebus. Segundo o Politico, também Steve Bannon, chefe de estratégia da Casa Branca, demonstrou a sua oposição à contratação de Scaramucci.

A notícia foi confirmada em conferência de imprensa por Sarah Huckabee Sanders, que passa agora a ser a assessora de imprensa da Casa Branca, depois de ter trabalhado como vice de Spicer. Nessa conferência de imprensa, que aconteceu esta sexta-feira à tarde, Huckabee Sanders leu um comunicado de Trump sobre Spicer. “Estou grato pelo trabalho do Sean pela minha administração e pelo povo americano. Desejo-lhe sucesso nas suas novas oportunidades — olhem só a audiência que ele tem na televisão”, leu a nova assessora de imprensa, em nome do Presidente dos EUA.

A nova assessora de imprensa da Casa Branca disse ainda que Spicer vai trabalhar para a Casa Branca até ao final do mês de agosto — mas não especificou em que funções irá desempenhar até essa data.

Scaramucci quer mudar retrato de Trump nos media

Logo depois, na mesma conferência de imprensa, Scaramucci falou aos media. “Há uma diferença arbitrária entre aquilo que nós achamos do nosso trabalho e aquilo que vocês acham da nossa trabalho, e nós vamos trabalhar arduamente para acabar com essa diferença”, disse Scaramucci, que também fez questão de desmentir os relatos que apontam para uma relação tensa com o chefe de gabinete de Trump. “Nós somos como irmãos, de vez em quando andamos à briga, mas isso é totalmente normal entre irmãos, mas ele é um querido amigo”, disse.

Anthony Scaramucci tem experiência na área da finança e inovação, e até agora nunca tinha trabalhado em comunicação (Drew Angerer/Getty Images)

Numa nota escrita pelo Presidente, igualmente lida por Huckabee Sanders, Trump disse que tem “um grande respeito” por Scaramucci e referiu o facto de ele ser um “grande apoiante”. “Temos conseguido fazer tantas coisas e dão-nos muito pouco valor”, escreveu Trump. “As boas notícias é que o povo entende isso, ao contrário dos media.”

Scaramucci, que tem experiência na banca de investimento, vai ser o terceiro diretor de comunicações de Trump. O cargo foi inicialmente desempenhado por Spicer, entre janeiro e março deste ano. Depois, Mike Dubke tomou as rédeas até junho. Nessa altura, Spicer assumiu o cargo de forma interina e que termina agora.

O homem que referiu “factos alternativos” sobre a tomada de posse de Trump

Spicer tornou-se uma das caras mais conhecidas da administração Trump logo no seu início. A 21 de janeiro, quando dirigiu o primeiro briefing com a imprensa na Casa Branca, Spicer sublinhou que a tomada de posse de Trump, que acontecera na véspera, tinha contado com uma maior audiência do que a de Barack Obama em janeiro 2009. Essa avaliação contrariava as imagens aéreas dos dois eventos.

“Esta foi a maior audiência que alguma vez viu uma tomada de posse. Ponto final. Tanto pessoalmente como em todo o mundo”, disse Spicer a 21 de janeiro. “Estas tentativas de menorizar o entusiasmo da tomada de posse são vergonhosos e errados.”

A expressão que viria a ser celebrizada após este episódio pertence a Kellyanne Conway, conselheira de Trump, que numa entrevista ao programa Meet The Press da NBC disse que Spicer tinha referido “factos alternativos”. “O nosso assessor de imprensa, Sean Spicer, apresentou factos alternativos, mas a ideia mantém-se”, disse Conway à NBC.

Noutro briefing com a imprensa, em abril, Spicer falava sobre a decisão de Trump de bombardear uma base aérea do regime sírio, depois de o exército de Bashar Al-Assad ter lançado um ataque químico sobre civis. “Até alguém tão deplorável como Hitler não desceu ao pointo de usar armas químicas”, disse, apesar de o regime nazi ter matado cerca de seis milhões de judeus, e membros de outras minorias e também opositores políticos, em câmaras de gás.

Estas declarações levaram a acusações de ignorar o Holocausto, o que obrigou Spicer a clarificar as suas palavras. “Eu estava a falar da forma como Assad usou [as armas químicas], como ele foi para cidades e as largou em cima de cidades”, esclareceu.

Sean Spicer, estrela do Saturday Night Live

Depois desta ocorrência, e também de outros briefings com a imprensa onde o tom subiu de parte a parte, Spicer foi alvo de várias paródias do programa humorístico Saturday Night Live. O assessor de imprensa demissionário de Trump foi interpretado pela atriz Melissa McCarthy.

Num estilo histriónico e agressivo, a personagem de Spicer inventada pelos guionistas do Saturday Night Live dizia que, aquando do anúncio da escolha de Neil Gorsuch para o Supremo Tribunal, Trump foi recebido com um grande aplauso. “A plateia recebeu-o com uma ovação de pé que durou 15 minutos — e podem ver as gravações disso. Toda a gente estava a sorrir. Toda a gente estava feliz. Os homens tinham ereções e cada uma das mulheres estava a ovular à esquerda e à direita. E ninguém, ninguém estava triste.”

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