Os republicanos no Senado conseguiram iniciar um debate formal sobre a reformulação da legislação conhecida como Obamacare, mas foi chumbada — incluindo com votos contra de vários republicanos — uma proposta alternativa cujos contornos não são conhecidos, com exatidão, mas que boa parte dos republicanos acreditava poder ser uma alternativa ao Affordable Healthcare Act, com boas hipóteses de passar no Congresso.

A proposta de lei não conseguiu atingir os 60 votos necessários para seguir em frente e acabou derrubada — 43 contra 57. O plano não chegou, sequer, aos 50 votos, o que ilustra a divisão que existe até no seio da maioria republicana. Nove republicanos votaram contra, desalinhados com o repto lançado horas antes por Donald Trump — “qualquer senador que vote contra a legislação de cancelar-e-substituir (repeal and replace) está a dizer à América que estão satisfeitos com o pesadelo do Obamacare e prevejo que venham a ter muitos problemas”, disse o Presidente dos EUA.

Acabar com o Obamacare é uma das prioridades da presidência de Donald Trump, uma promessa feita durante a campanha eleitoral e que a Administração tem procurado atingir.

Porque é que o Obamacare divide tanto os americanos?

Os republicanos tinham começado o dia com sabor a vitória (por terem conseguido abrir o debate) e com muita emoção (com o regresso de John McCain, diagnosticado com uma forma agressiva de cancro cerebral, para fazer um discurso e votar favoravelmente a que o debate se iniciasse). Mas o dia acabou por se tornar amargo, com o chumbo de uma proposta que parecia ter boas hipóteses de ser o início do fim do Obamacare.

Ainda foram introduzidas algumas alterações à proposta republicana, à última hora, com mais garantias de que não haverá cortes no programa Medicaid (para seduzir os republicanos mais centristas). Mas o chumbo da Better Care Reconciliation Act coloca no colo dos republicanos o ónus de aprovar algum tipo de alteração às leis que regem o setor da saúde — porém, com as claras dificuldades no partido para chegar a um consenso está a fazer com que se esteja a admitir um skinny repeal, isto é, uma anulação parcial do Obamacare, em que se mantêm algumas regras e se alteram outras.

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