Caixa Geral de Depósitos

CGD não pode esquecer os “mais deprimidos economicamente”

259

Presidente da República concorda que o banco público tem metas importantes a cumprir, mas quando se fala em comissões bancárias tem de ter "em linha de conta o tecido social português".

JOÃO RELVAS/LUSA

O Presidente da República reconhece que a Caixa Geral de Depósitos conseguiu negociar uma recapitalização “difícil, muito difícil” e que, por isso, tem “consequências” que passam por cumprir metas rígidas de redução de custos e rentabilidade. Contudo, Marcelo Rebelo de Sousa diz esperar que “seja possível uma solução que também possa permitir à Caixa Geral de Depósitos cumprir a sua missão, começando por ser viável e que, por outro lado, tenha em linha de conta o tecido social português”.

O comentário de Marcelo, em entrevista publicada este domingo no Diário de Notícias, surge numa altura em que a Caixa Geral de Depósitos anunciou uma limitação das isenções de comissões bancárias para os reformados. A Caixa vai cobrar comissões a uma parte significativa das 700.000 pessoas que até agora não pagavam, ficando de fora apenas os que tiverem mais de 65 anos e reformas inferiores a 835 euros.

“Naturalmente, sou sensível no sentido em que acompanho aquilo que é, por um lado, a preocupação da administração da Caixa de cumprir uma meta para ter ali um banco forte ao serviço da economia portuguesa, mas também sou sensível sobretudo àqueles com uma situação mais deprimida do ponto de vista económico e que podem sofrer com certas medidas”, afirma Marcelo Rebelo de Sousa.

Como se lembrará, num caso completamente diferente que teve a ver com a reestruturação orgânica no território continental, eu acompanhei de perto algumas situações e penso que foi possível chegar a acordo nessas situações; o que eu espero é que seja possível uma solução que também possa permitir à Caixa Geral de Depósitos cumprir a sua missão, começando por ser viável e que, por outro lado, tenha em linha de conta o tecido social português”

Na sexta-feira, ao apresentar os resultados do primeiro semestre do banco público, Paulo Macedo sublinhou que “a Caixa tem as comissões mais baixas do mercado — não em todos os produtos, nem é o objetivo — mas a Caixa cobra entre um terço e metade das comissões dos outros bancos”. Com a polémica recente da reintrodução das comissões para contas de reformados, Paulo Macedo diz que não há um aumento da comissão mas, sim, havia uma isenção e que os clientes “mais vulneráveis” têm acesso às contas de serviços mínimos. Paulo Macedo sublinhou, contudo, que “a Caixa tem uma determinação de cumprir o seu plano estratégico” e lembrou que “o acordo que foi celebrado vai no sentido de um aumento das comissões”.

Quanto à questão do crédito malparado nos bancos portugueses, incluindo a Caixa, Marcelo Rebelo de Sousa diz que há uma “fórmula que tem sido trabalhada ultimamente pelo Governo, pelo Banco de Portugal, pela Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu” mas que “se deixou de falar em fórmulas que eram as fórmulas que pareciam as mais tentadoras há um ano ou há um ano e meio”.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: ecaetano@observador.pt

Só mais um passo

Ligue-se agora via

Facebook Google

Não publicamos nada no seu perfil sem a sua autorização. Ao registar-se está a aceitar os Termos e Condições e a Política de Privacidade.

E tenha acesso a

  • Comentários - Dê a sua opinião e participe nos debates
  • Alertas - Siga os tópicos, autores e programas que quer acompanhar
  • Guardados - Guarde os artigos para ler mais tarde, sincronizado com a app
  • Histórico - Lista cronológica dos artigos que leu unificada entre app e site