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Volkswagen queria vender a Ducati, mas os sindicatos não deixam

Os líderes sindicais da Volkswagen, que ocupam metade dos 20 assentos no conselho de supervisão que decide as vendas de activos, resistem à venda da Ducati e Renk sem razões financeiras convincentes.

Uma fonte da Volkswagen disse à Reuters que, dada a forte oposição sindical, o plano para vender a Ducati terá de ser revisto

Autor
  • Francisco António
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A venda da Ducati foi uma das hipóteses que o Grupo Volkswagen equacionou, com o intuito de garantir um encaixe que lhe permitisse ajudar a financiar a sua estratégia de refundação num fornecedor de serviços de mobilidade assente, essencialmente, nos automóveis eléctricos. No entanto, com a saúde financeira do grupo a mostrar-se melhor que o previsto, agora a marca transalpina de motociclos, adquirida pela Audi em 2012, é para manter. Isto porque a venda não colhe suporte maioritário no conselho de supervisão que decide a venda de activos do Grupo Volkswagen.

Recorde-se que foi próprio conglomerado germânico que, em Abril último, decidiu dar os primeiros passos no sentido de contactar potenciais interessados na compra da Ducati. Segundo a Reuters, a Volkswagen terá levado a cabo um processo de selecção de potenciais candidatos à aquisição da Ducati (à venda estava também o fabricante de transmissões Renk), acabando por eleger cinco propostas. Entre as quais, uma da família Benetton.

Com propostas de compra entre os 1,3 e os 1,5 mil milhões de euros nas mãos, o negócio terá sido então apresentado ao conselho de supervisão, composto por 20 membros, 10 dos quais em representação dos trabalhadores. E foi precisamente essa metade que terá, logo aí, decretado a sua morte – não apenas relativamente à marca italiana, como também à Renk -, por considerar os argumentos financeiros nada convincentes.

“Os representantes dos trabalhadores no conselho de supervisão da Volkswagen não aprovarão as vendas da Ducati, da Renk ou da MAN Diesel & Turbo”, anunciou, em declarações à agência noticiosa, um porta-voz, acrescentando que “todos aqueles que puderem olhar para os resultados obtidos pela companhia no primeiro semestre do ano facilmente chegarão à conclusão de que não estamos necessitados de dinheiro, assim como as nossas subsidiárias não estão à venda por tuta-e-meia ou à mercê de caçadores de pechinchas“.

A sustentar esta posição de força, está o facto de o Grupo Volkswagen ter terminado o primeiro semestre de 2017 com uma subida nos lucros operacionais de 19%, para os 8,9 mil milhões de euros, razão que, entende a maioria dos membros do conselho de supervisão, é suficiente para deixar cair por terra quaisquer planos de venda.

Com base em duas fontes não identificadas, a Reuters acrescenta ainda que as famílias Porsche e Piech, que controlam 52% das acções com direito a voto na Volkswagen e que ocupam quatro lugares de conselho de supervisão, não são a favor da venda da Ducati ou da Renk.

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