Fogo de Pedrógão Grande

Doze pedidos sem resposta por falta de meios e 25 por falha de comunicação em Pedrógão Grande

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A Proteção Civil não é clara sobre se a falta de resposta foi causa direta da existência de vítimas mortais e habitações destruídas nos locais de onde partiram os pedidos de ajuda.

PAULO NOVAIS/LUSA

A Proteção Civil registou 12 pedidos de ajuda sem resposta durante o incêndio de Pedrógão Grande por falta de meios e 25 por falhas de comunicação, registando-se vítimas e casas destruídas em alguns locais onde foi pedido apoio.

Numa resposta enviada ao Governo, a Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) aponta para a dispersão do dispositivo face à disseminação de localidades afetadas, para a velocidade das chamas e para as dificuldades nas comunicações como fatores que condicionaram a resposta dos operacionais no incêndio de Pedrógão Grande, que provocou, pelo menos, 64 mortos.

No caso dos pedidos de ajuda sem resposta por falhas de comunicação, há situações de feridos, habitações permanentes afetadas e vítimas mortais nas localidades de onde os pedidos foram feitos, não sendo claro, na resposta da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) ao Governo, se os mesmos são consequência direta da falta de intervenção ou intervenção tardia dos operacionais.

Por exemplo, em Troviscais, Pedrógão Grande, habitantes pediram ajuda “urgente”, mas não foi possível contactar o posto de comando, não se tendo registado vítimas no local, mas quatro habitações permanentes foram afetadas pelo fogo.

O posto de comando também tentou ser avisado da situação em Sarzedas do Vasco, Castanheira de Pera, sem sucesso, pelas 21h47, sendo que junto à povoação foram localizadas, às 22h05, quatro vítimas mortais.

Também nas localidades onde pedidos de ajuda que não foram respondidos por falta de meios, foi possível identificar habitações afetadas, bem como vítimas mortais, não ficando esclarecido se as mortes ocorreram antes ou depois dos pedidos de ajuda.

No documento publicado no Portal do Governo, a ANPC afirma que “as dificuldades de comunicações que foram sendo sentidas de forma gradual ao longo de toda a fase mais crítica da operação, comprometeram o Comando e Controlo da mesma, com impacto direto na resposta e com especial incidência na transmissão dos pedidos de socorro que foram sendo recebidos via 112”.

“Nem sempre foi possível” transmitir os pedidos ao posto de comando operacional (PCO) e deste para o teatro de operações “nos tempos desejáveis”, conclui Proteção Civil.

No entanto, a ANPC salienta que, apesar de se terem sentido algumas falhas nas redes de comunicações, o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Leiria “nunca deixou de transmitir a informação ao PCO, quer através dos telefones do veículo de comunicações no local, quer através dos operadores ou comandantes no Posto de Comando”.

A resposta da ANPC, publicada no Portal do Governo, surge na sequência de um despacho do MAI que dá a conhecer os diversos relatórios e estudos produzidos sobre o incêndio que deflagrou em junho, em Pedrógão Grande, distrito de Leiria.

O incêndio provocou, pelo menos, 64 mortos e mais de 200 feridos e só foi dado como extinto uma semana depois.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

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