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Incêndios

Depois de três dias e “situações muito estranhas”, o incêndio de Abrantes foi dominado

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Três dias depois, o incêndio em Abrantes foi dado como controlado pela Proteção Civil. Presidente da Câmara e comandante apontando "situações muito estranhas". Reacendimentos estão sob investigação.

O incêndio de Abrantes começou às 18h14 desta quarta-feira

PAULO CUNHA/LUSA

O incêndio de Abrantes, que teve início esta quarta-feira e é o de maior dimensão entre os mais de quarenta fogos do país, foi considerado como dominado pela Proteção Civil este sábado de manhã. À agência Lusa, a autarca de Abrantes e um comandante dos bombeiros referiram que houve reacendimentos em “situações muito estranhas”.

Este é o incêndio que mais preocupa a Proteção Civil, que ao final da manhã deste sábado tinha destacados 544 operacionais, 183 veículos e três meios aéreos para combater aquele fogo.

Durante a madrugada de sábado, a presidente da Câmara de Abrantes disse à agência Lusa que que o incêndio que lavra naquele concelho do distrito de Santarém desde quarta-feira estava “longe de estar controlado” e apontou “situações muito estranhas”. “O incêndio a esta hora”, depois das 00:00, “está longe de estar controlado, surgiu um novo foco de incêndio em Abrantes, na zona de Abrançalha, que nada tem a ver com o incêndio inicial, e “existem aqui situações muito estranhas”, disse à agência Lusa Maria do Céu Albuquerque.

A autarca disse que está a ser feita “investigação sobre o caso” e que “a polícia criminal está no terreno” a trabalhar no sentido de apurar elementos sobre as eventuais situações que reiterou serem “muito estranhas” e que têm, alegadamente, acontecido no terreno. Já este sábado, a autarca manifestou a convicção de que os incêndios no concelho tiveram origem criminosa.

“Temos a clara noção de que há aqui uma clara tentativa de provocar mais danos. O que aconteceu ontem [sexta-feira] às portas da cidade claramente não foi um reacendimento ou uma projeção, foi um novo incêndio e temos receio de que outras situações possam acontecer e comprometer o trabalho que foi feito durante estes dois dias e meio aqui no concelho de Abrantes”, disse à Lusa Maria do Céu Albuquerque.

A autarca afirma que as suspeitas não se circunscrevem apenas ao incêndio que começou junto aos limites da cidade, mas também “ao grande incêndio”, que consumiu uma vasta área de floresta e colocou aldeias e pessoas em perigo.

Comandante também aponta para “situações estranhas”

Contactado pela Lusa, o comandante dos bombeiros de Constância, Adelino Gomes, presente no posto de comando instalado em Carvalhal, confirmou a “existência de situações estranhas” no terreno, tendo, no entanto, referido que “o incêndio, nos seus vários setores, está ancorado e sem margem de progressão”.

Segundo adiantava aquele responsável na sexta-feira, “a perspetiva é de que o incêndio fique esta noite controlado nos seus vários setores porque está ancorado por todos os lados e sem margem de progressão, seja pela área já ardida, seja pelo rio, seja pela A23, e não tem hipótese de progressão. Amanhã [sábado] será outro dia, depende sempre de vários fatores, sendo que nesta noite e no dia de amanhã vai haver muito trabalho de rescaldo e consolidação”, perspetivou.

O incêndio de Abrantes chegou a obrigar ao corte da autoestrada A23, nos acessos a Rio Moinhos, EN 3, EN 358, EM 544 e EM 1212-1. Segundo fonte da Proteção Civil, foi reaberta às 00h43 deste sábado.

(Nota: este artigo foi atualizado às 12h18 de 12 de agosto de 2017, depois de o incêndio ter sido dado como dominado)

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