Caixa Geral de Depósitos

Paulo Macedo. “Nenhum banco vive só da redução de custos”

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Paulo Macedo diz que plano da Caixa é muito ambicioso e difícil de executar, mas há possibilidade de sucesso. Em entrevista ao Expresso, diz que não basta cortar custos, é preciso melhorar o serviço.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O plano de reestruturação da Caixa Geral de Depósitos é “muito ambicioso” e “difícil de executar” reconhece o presidente executivo. Mas Paulo Macedo acredita que tem possibilidades de obter sucesso nas suas grandes linhas: assegurar um retorno ao acionista e levar a Caixa a ser sustentável a prazo.

Em entrevista ao Expresso, seis meses depois de ter assumido o cargo, Paulo Macedo defende que o banco público tem de focar a sua presença e reduzir as operações internacionais, apesar de não ser esse o seu maior desejo enquanto administrador.

Preferia ter um mandato para crescer. Há alguma coisa melhor para um gestor do que estar a expandir a sua empresa, a abrir agências, a contratar talento e a lançar novas áreas de negócio? Os gestores gostam é de fazer crescer a operação e não diminui-la”.

Questionado sobre o reconhecimento de imparidades, o presidente da Caixa diz que hoje o banco está muito ativo na recuperação de créditos, mas reconhece que há interesse na solução para o crédito malparado que passa pela criação de uma plataforma integrada de vários bancos para gerir empréstimos problemáticos. Recusa ainda comentar o trabalho feito por anteriores administrações nesta área.

Apesar da ordem para emagrecer, nos custos, oferta e trabalhadores, Paulo Macedo sublinha que “nenhum banco vive só da redução de custos” e defende a necessidade de melhorar o serviço prestado aos clientes. Mas lembra que três quartos dos clientes já preferem não ir pessoalmente às agências bancárias. E acrescenta que a Caixa tem meios para investir na digitalização do serviço, desde que isso traga retorno.

Sobre a polémica recente com a alteração da política de comissões, que eliminou a isenção a muitos clientes, o gestor diz que a Caixa é quem cobra menos comissões no mercado, face aos nossos clientes e tendo em conta a relação entre o valor dos depósitos e do crédito. E deixa recados para a comunicação social.

Percebo o interesse jornalístico de falar do aumento das comissões, mas não compreendo minimamente que nunca se lembre que estamos com as taxas de juro mais baixos dos últimos dez anos”.

Sobre os ataques políticos que o banco tem sofrido por causa da subida das comissões e do fecho de balcões, Paulo Macedo reconhece: “Há sempre uma tentação de puxar a Caixa para a arena política”. Mas avisa que as pessoas têm de ter consciência de que o banco “precisa de ser rentável, tem de remunerar os acionistas. Os portugueses querem que o dinheiro que foi posto tenha retorno”. E diz ainda que nunca viu uma economia crescer sem bancos saudáveis.

Paulo Macedo chegou à presidência em janeiro deste ano, depois da demissão de António Domingues. Apesar de elogiar a relação que tem tido com o Governo, do qual tem recebido todo o apoio, considera “estranho”e quase anormal que o elenco da administração do banco seja todo substituído quando muda o Executivo, defendendo que devia haver alguma continuidade.

É estranho, quase anormal — a não ser por um motivo muito extraordinário — que todo o conselho de administração seja alterado quando há mudanças de Governo”.

Foi o que aconteceu quando o PS chegou ao poder no final de 2015.

Sobre o fecho de balcões, reconhece que em ano de eleições autárquicas fica tudo muito exacerbado, a propósito da reação de alguns autarcas. Mas recusa condicionar o plano de redimensionamento da rede ao calendário eleitoral. Este ano, já fecharam 74 agências como previsto.

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