Autárquicas 2017

Pedro Pinto pergunta se candidata a Loures não desonra o PS

100

O presidente da distrital do PSD/Lisboa pergunta se a candidata de Loures não desonra a candidatura do PS por admitir uma coligação com André Ventura. Pedro Pinto quer que António Costa se pronuncie.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O presidente da distrital de Lisboa do PSD, Pedro Pinto, diz ter ficado “perplexo” com as declarações de Sónia Paixão ao Observador, quando a candidata socialista à câmara de Loures admitiu uma coligação com o PSD no concelho e afirmou que o polémico André Ventura podia dar “um bom vereador, nunca um bom presidente da câmara”. O dirigente social-democrata exorta António Costa a pedir “desculpa” a Passos Coelho e a reagir às declarações da candidata do seu partido: “Queremos saber qual é posição do secretário-geral do PS nesta matéria e saber se vai tirar consequências políticas”. Até esta sexta-feira à noite, António Costa ainda não se tinha pronunciado, nem Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS.

Quando digo tirar as consequências políticas, refiro-me ao facto de haver uma posição antagónica entre o que foi dito por António Costa e depois pela candidata do PS. Quero saber se, ao manter a confiança na candidata não isso não ‘desonra’ o PS e a candidatura a Loures.”.

“Ficámos um bocado perplexos, quando a notícia é clara e inequívoca”, diz Pedro Pinto ao Observador. As críticas do deputado social-democrata dirigem-se sobretudo a António Costa: “Não vejo da parte do secretário-geral do PS — que quando foram feitas as primeiras declarações do André Ventura foi a Cascais fazer um discurso a atacar o líder do PSD –, considerar que agora o assunto tenha importância”.

Costa. “Um candidato racista não desonra só uma candidatura em Loures”

Quando André Ventura, candidato do PSD, deu uma entrevista ao i com declarações consideradas xenófobas e racistas ao dizer que os ciganos viviam de subsídios, António Costa acusou Pedro Passos Coelho de falta de coragem por não ter retirado a confiança política ao candidato social-democrata de Loures, dizendo que as suas posições eram “racistas” e desonravam o PSD e outros autarcas do partido. “Já viram a triste situação em que eu estaria se fosse líder do PSD e estivesse no concelho de Loures a apoiar um candidato que desonra qualquer partido democrático?”, perguntava António Costa numa intervenção em Cascais durante uma ação da candidata Gabriela Canavilhas. E acrescentava:

Um candidato racista não desonra só uma candidatura em Loures, desonra o partido que o apresenta, o líder que não lhe retira a confiança política e, infelizmente, desonra tantos excelentes autarcas do PSD que não mereciam ombrear com um candidato que desonra a democracia portuguesa”.

“Mas agora nem sequer faz qualquer reparo a uma pessoa que é uma candidata do PS e funcionária da câmara de Lisboa escolhida por si”, salienta Pedro Pinto.

O dirigente social-democrata diz que António Costa “ou pede desculpa ao PSD, ou tem de chamar a sua candidata à ordem para dizer que as coisas não são assim, ou isto não faz qualquer sentido”.

Entretanto, a candidata do PS recuou em quase tudo o que tinha dito: classificou como “ironia” a frase de que André Ventura poderia ser um bom vereador e recusou coligações tanto com a CDU como com o PSD.

Sónia Paixão. A candidata do PS a Loures que se desmente a si mesma

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: vmatos@observador.pt

Só mais um passo

Ligue-se agora via

Facebook Google

Não publicamos nada no seu perfil sem a sua autorização. Ao registar-se está a aceitar os Termos e Condições e a Política de Privacidade.

E tenha acesso a

  • Comentários - Dê a sua opinião e participe nos debates
  • Alertas - Siga os tópicos, autores e programas que quer acompanhar
  • Guardados - Guarde os artigos para ler mais tarde, sincronizado com a app
  • Histórico - Lista cronológica dos artigos que leu unificada entre app e site